RUMO AO PLANALTO III
Dirigente
da FNS chama Robalinho de
anti-éticoO coordenador da
Fundação Nacional de Saúde em
Pernambuco, Giovane Andrada,
sobrinho do líder do PFL na
Câmara, Inocêncio Oliveira,
classificou ontem de
"anti-ético" o
procedimento do secretário de
Saúde do Recife, Guilherme
Robalinho, que fez críticas ao
trabalho da FNS num documento
enviado à coordenação do
programa de governo de FHC
"sem ter tido sequer a
gentileza de consultar o órgão
por mim dirigido".
Segundo
Andrada, cujo "pavio
curto" é semelhante ao do
tio, o próprio ministro José
Serra já reconheceu publicamente
que a Fundação precisa de
"ajustes", apesar de
prestar relevantes serviços à
saúde pública no Brasil. O que
já está sendo feito hoje,
segundo ele, "já
constituirá uma base
avançadíssima para o próximo
governo do presidente Fernando
Henrique, dispensando as
promoções pessoais e
provincianas de técnicos com
crises existenciais que em nada
inovam ou acrescentam ou sistema
atualmente conhecido".
A pedido da
assessoria do vice-presidente
Marco Maciel, Guilherme Robalinho
enviou na semana passada aos
formuladores do programa de
saúde do presidente Fernando
Henrique um substancioso
documento contendo sugestões na
área de saúde pública. Ele
sugere, entre outras coisas, a
municipalização plena dos
serviços de saúde, aumento de
recursos para as regiões Norte,
Nordeste e Centro-Oeste,
consolidação do programa de
agentes de comunitários de
saúde e a redefinição
conceitual da FNS.
Para Robalinho,
a FNS, "criada por decreto
em 91", sem nenhum tipo de
debate com a sociedade, é hoje
uma "instituição
descaraterizada" e sem bons
quadros para geri-la,
"porque estes se aposentaram
ou migraram para outros
órgãos". O que existe lá,
segundo acrescentou, "são
cerca de 50 mil funcionários
desmotivados e ressentidos da
falta de seus principais quadros
gerenciais".
Apesar das
críticas, o secretário
reconheceu que a FNS é uma
instituição "ainda
indispensável aos Estados e
municípios", pelo acervo de
experiências que acumulou,
notadamente no combate às
endemias.
OFENSA -
O coordenador estadual da FNS,
Giovane Andrada, sentiu-se
ofendido pelas críticas e saiu
em defesa tanto do órgão que
dirige como também dos seus
funcionários. "Já que ele
faz parte do mesmo grupo
político que em Pernambuco dá
apoio ao presidente Fernando
Hennrique Cardoso e a Jarbas
Vasconcelos deveria pelo menos,
por uma questão de ética,
trocar idéias com o nosso
pessoal. Da forma como ele se
comportou até parece que quer
ser o dono da verdade",
afirmou.
Andrada lembrou
que, só nos últimos seis meses,
assinou convênios com a
Prefeitura do Recife no valor de
R$ 4,8 milhões para o combate a
doenças endêmicas, como dengue,
tuberculose, hanseníase,
filariose etc. Segundo ele, o
ministro Serra, em seu discurso
de posse, ressaltou a necessidade
de adequar a FNS ao Sistema
Único de Saúde, "coisa que
já está sendo feita com muita
competência e determinação por
meio de grupos de trabalho que
estão atuando em vários
setores".