- -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

RUMO AO PLANALTO III
Dirigente da FNS chama Robalinho de anti-ético

O coordenador da Fundação Nacional de Saúde em Pernambuco, Giovane Andrada, sobrinho do líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira, classificou ontem de "anti-ético" o procedimento do secretário de Saúde do Recife, Guilherme Robalinho, que fez críticas ao trabalho da FNS num documento enviado à coordenação do programa de governo de FHC "sem ter tido sequer a gentileza de consultar o órgão por mim dirigido".

Segundo Andrada, cujo "pavio curto" é semelhante ao do tio, o próprio ministro José Serra já reconheceu publicamente que a Fundação precisa de "ajustes", apesar de prestar relevantes serviços à saúde pública no Brasil. O que já está sendo feito hoje, segundo ele, "já constituirá uma base avançadíssima para o próximo governo do presidente Fernando Henrique, dispensando as promoções pessoais e provincianas de técnicos com crises existenciais que em nada inovam ou acrescentam ou sistema atualmente conhecido".

A pedido da assessoria do vice-presidente Marco Maciel, Guilherme Robalinho enviou na semana passada aos formuladores do programa de saúde do presidente Fernando Henrique um substancioso documento contendo sugestões na área de saúde pública. Ele sugere, entre outras coisas, a municipalização plena dos serviços de saúde, aumento de recursos para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, consolidação do programa de agentes de comunitários de saúde e a redefinição conceitual da FNS.

Para Robalinho, a FNS, "criada por decreto em 91", sem nenhum tipo de debate com a sociedade, é hoje uma "instituição descaraterizada" e sem bons quadros para geri-la, "porque estes se aposentaram ou migraram para outros órgãos". O que existe lá, segundo acrescentou, "são cerca de 50 mil funcionários desmotivados e ressentidos da falta de seus principais quadros gerenciais".

Apesar das críticas, o secretário reconheceu que a FNS é uma instituição "ainda indispensável aos Estados e municípios", pelo acervo de experiências que acumulou, notadamente no combate às endemias.

OFENSA - O coordenador estadual da FNS, Giovane Andrada, sentiu-se ofendido pelas críticas e saiu em defesa tanto do órgão que dirige como também dos seus funcionários. "Já que ele faz parte do mesmo grupo político que em Pernambuco dá apoio ao presidente Fernando Hennrique Cardoso e a Jarbas Vasconcelos deveria pelo menos, por uma questão de ética, trocar idéias com o nosso pessoal. Da forma como ele se comportou até parece que quer ser o dono da verdade", afirmou.

Andrada lembrou que, só nos últimos seis meses, assinou convênios com a Prefeitura do Recife no valor de R$ 4,8 milhões para o combate a doenças endêmicas, como dengue, tuberculose, hanseníase, filariose etc. Segundo ele, o ministro Serra, em seu discurso de posse, ressaltou a necessidade de adequar a FNS ao Sistema Único de Saúde, "coisa que já está sendo feita com muita competência e determinação por meio de grupos de trabalho que estão atuando em vários setores".


     

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