- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 11 de agosto de 1998

SECA

Recena admite invadir a Sudene

por CLÁUDIA PARENTE
Correspondente em Exu

OURICURI - O secretário estadual de Planejamento e presidente da Comissão e Estadual de Enfrentamento à Seca, João Recena, anunciou ontem, neste município, estar disposto a levar agricultores do Sertão do Araripe para invadir a sede da Sudene, no próximo dia 19, caso a autarquia não tome medidas mais efetivas para amenizar os efeitos da seca. "Queremos levar agricultores de todos os municípios para uma reunião na Sudene, para que todos vejam o sofrimento desse povo. Se for preciso, vamos invadir a sede dessa instituição para cobrar providências", declarou.

Recena participou, durante toda a manhã, no salão do Teatro Carlota Peixoto, de uma reunião com representantes das comissões municipais de combate à seca da região para a elaboração de um documento que será enviado ao superintendente da Sudene, Sérgio Moreira, e ao presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. Uma platéia de quase 300 pessoas, entre prefeitos, vereadores e agricultores, se espremia no local para ouvir os representantes das comissões.

Após a declaração de Recena, agricultores e membros das comissões municipais realizaram um festival de denúncias e queixas. "Ninguém tem mais coragem de sair para fazer alistamento. Eu já fui até ameaçado de morte", afirmou o presidente da Câmara de Vereadores de Ouricuri, Francisco Sabino, referindo-se ao número insuficiente de vagas, um problema generalizado que a comissão estadual pretende abordar prioritariamente no documento que será enviado ao presidente FHC.

"Na minha região tem uma senhora que está alimentando os filhos com capim e palma. Ela nunca conseguiu se alistar", contou, emocionada, uma mulher que se identificou apenas como Nailsa. Segundo o prefeito de Ouricuri, Horácio de Melo, as frentes acabaram também por desgastar a imagem dos prefeitos em seus municípios. "A quantidade de vagas insuficiente gerou inúmeras acusações de favorecimento político, que não correspondem à realidade", lamentou.

No encerramento da reunião, Recena cobrou da comunidade maior participação para que as comissões possam atuar de forma correta.


     

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