- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 06 de agosto de 1998

MIAMI II
Tudo, graças a Ponce de Leon

Pensar que ninguém queria saber de Miami há pouco mais de um século, e hoje são nove milhões de visitantes por ano. A região pantanosa, descoberta pelo navegador espanhol Ponce de Leon numa primavera de 1513 (Páscoa flórida, que virou Flórida) só interessava a judeus norte-americanos aposentados (atraídos pela promessa de 160 acres de terra grátis), gangsters e cubanos, que já passavam férias em Key West (arquipélago no sul do estado), antes da revolução cubana de 1959.

O resto falava mal do calor e dos mosquitos. E também dos furacões, que vez ou outra obrigam o povo a se esconder em abrigos e esperar por pequenos estragos em seus imóveis. Cento e catorze anos depois da inauguração do primeiro hotel da cidade (Guesthouse, em Coconut Grove), o calor aumentou com o efeito estufa, os mosquitos não incomodam tanto e os furacões, bem, no ano passado foram três tornados (prêmios para cinegrafistas e fotógrafos), um deles fazendo a farra em Downtown.

Mas como estamos falando dos Estados Unidos da América, entender meteorologia tem peso inverso ao que o presidente faz ou deixa de fazer com sua vida privada. É questão de sobrevivência. Não é saber se vai chover ou não. É se vem furacão, tornado ou se a temperatura (no ar e no mar) está oscilante.

No menor sinal de transtorno, carros largados pelas ruas, portas trancadas, alojamento. Se alguma casa for parcial ou totalmente destruída, dinheiro na mão (do governo) para reparos. Sem estresse. Verdade que houve o Andrew há seis anos (ventos a 257 quilômetros por hora, ondas de quatro metros, 35 mortos, 150 mil desabrigados, 60 mil casas destruídas), mas não se vê, hoje, o menor sinal da tragédia.

O conselho é evitar a cidade entre junho e outubro, época preferida para essas visitas desagradáveis, mas é alto verão e o turista (latino) não quer nem saber. Fora esse perigo sobrehumano, Miami não é uma metrópole que assusta. Há pobreza, sim, não miséria. Trombadinhas, não se vêem, só aquelas gangues de desordeiros, mas, nem se preocupe, dá para evitar.

A prefeitura, inclusive, espalhou pela cidade placas indicativas (tendo um sol como ícone) desenhando uma opcional rota turística, que não passa por bairros hostis a estrangeiros. Mas como o turismo engorda o município em US$ 12 milhões, anualmente, ou metade do que a cidade produz, a questão da segurança é prioridade para seus governantes. Talvez por isso Miami já não freqüente a lista das dez cidades mais perigosas dos Estados Unidos.

E uma outra informação importante se você pensa em visitá-la entre novembro e março: reserve hotel. A ocupação fica em torno de 70% (a redução é mínima nos demais meses do ano) e os preços, nesse período, crescem de 30 a 50%. Prepare os dedos, são muitos, muitos hotéis em Miami, de todos os tipos e para várias finalidades. Idéia de preço? Apartamento duplo, num hotel razoável, tirando os impostos, sai por US$ 100, a diária.


     

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