MIAMI II
Tudo,
graças a Ponce de LeonPensar que ninguém
queria saber de Miami há pouco
mais de um século, e hoje são
nove milhões de visitantes por
ano. A região pantanosa,
descoberta pelo navegador
espanhol Ponce de Leon numa
primavera de 1513 (Páscoa
flórida, que virou Flórida) só
interessava a judeus
norte-americanos aposentados
(atraídos pela promessa de 160
acres de terra grátis),
gangsters e cubanos, que já
passavam férias em Key West
(arquipélago no sul do estado),
antes da revolução cubana de
1959.
O resto falava
mal do calor e dos mosquitos. E
também dos furacões, que vez ou
outra obrigam o povo a se
esconder em abrigos e esperar por
pequenos estragos em seus
imóveis. Cento e catorze anos
depois da inauguração do
primeiro hotel da cidade
(Guesthouse, em Coconut Grove), o
calor aumentou com o efeito
estufa, os mosquitos não
incomodam tanto e os furacões,
bem, no ano passado foram três
tornados (prêmios para
cinegrafistas e fotógrafos), um
deles fazendo a farra em
Downtown.
Mas como
estamos falando dos Estados
Unidos da América, entender
meteorologia tem peso inverso ao
que o presidente faz ou deixa de
fazer com sua vida privada. É
questão de sobrevivência. Não
é saber se vai chover ou não.
É se vem furacão, tornado ou se
a temperatura (no ar e no mar)
está oscilante.
No menor sinal
de transtorno, carros largados
pelas ruas, portas trancadas,
alojamento. Se alguma casa for
parcial ou totalmente destruída,
dinheiro na mão (do governo)
para reparos. Sem estresse.
Verdade que houve o Andrew há
seis anos (ventos a 257
quilômetros por hora, ondas de
quatro metros, 35 mortos, 150 mil
desabrigados, 60 mil casas
destruídas), mas não se vê,
hoje, o menor sinal da tragédia.
O conselho é
evitar a cidade entre junho e
outubro, época preferida para
essas visitas desagradáveis, mas
é alto verão e o turista
(latino) não quer nem saber.
Fora esse perigo sobrehumano,
Miami não é uma metrópole que
assusta. Há pobreza, sim, não
miséria. Trombadinhas, não se
vêem, só aquelas gangues de
desordeiros, mas, nem se
preocupe, dá para evitar.
A prefeitura,
inclusive, espalhou pela cidade
placas indicativas (tendo um sol
como ícone) desenhando uma
opcional rota turística, que
não passa por bairros hostis a
estrangeiros. Mas como o turismo
engorda o município em US$ 12
milhões, anualmente, ou metade
do que a cidade produz, a
questão da segurança é
prioridade para seus governantes.
Talvez por isso Miami já não
freqüente a lista das dez
cidades mais perigosas dos
Estados Unidos.
E uma outra
informação importante se você
pensa em visitá-la entre
novembro e março: reserve hotel.
A ocupação fica em torno de 70%
(a redução é mínima nos
demais meses do ano) e os
preços, nesse período, crescem
de 30 a 50%. Prepare os dedos,
são muitos, muitos hotéis em
Miami, de todos os tipos e para
várias finalidades. Idéia de
preço? Apartamento duplo, num
hotel razoável, tirando os
impostos, sai por US$ 100, a
diária.