MIAMI VIII
Musicais,
shows e exposições em cartazMiami também quer ser
sinônimo de vida cultural
intensa. Segundo números dos
órgãos oficiais de turismo de
lá, mais de três milhões de
pessoas estiveram presentes em
seus programas culturais, e mais
de oito milhões em festivais e
eventos especiais no ano de 1996.
São concertos, peças teatrais e
uma série de exibições
artísticas que lotam a agenda
dos miamians e forasteiros.
Comenta-se que
a Grande Miami é uma das áreas
de maior crescimento cultural nos
Estados Unidos. Para fomentar a
produção, planeja-se construir
um centro para as artes cênicas
(com salão de concerto com
capacidade para 2.200 pessoas,
salão de bailado e ópera para
2.500 e um estúdio para 200),
orçado em U$ 192 milhões, e um
outro espaço para abrigar o Bass
Museum, o Miami City Ballet e uma
nova biblioteca regional.
Compre o Miami
Herald e pode ser que o Miami
City Ballet ainda esteja em
cartaz. Também procure ver se a
Sinfonia Novo Mundo (de
repertório eclético) continua
no Teatro Lincoln, na Lincoln
Road, e se estão atuando a
Filarmônica da Flórida (a mais
importante do estado) e a Grande
Ópera da Flórida (Don Giovanni,
Die Fledermaus, La Traviatta e
Turandot no repertório).
O templo das
artes cênicas é o Jackie
Gleason Theater of the Performing
Arts, em Miami Beach, sempre com
agenda lotada e palco para
espetáculos em excursão, assim
como o Coconut Grove Playhouse.
Musicais como o Rent, Chicago,
Tap Dogs, Annie, State Fair e Os
Miseráveis estão sempre em
cartaz. Na Universidade Federal
da Flórida acontecem festivais
de artes cênicas com
regularidade e o Hotel Baltmore
promove concertos musicais.
O Centro Gusman
para as Artes Cênicas, em
Downtown, acomoda a Filarmônica
de Miami, o Festival de Cinema
Italiano e apresentações
limitadas de intérpretes de
reconhecimento internacional.
Para negros, o auditório Joseph
Caleb e o Centro das Artes e
Cultura de Herança Africana,
promove um festival de filmes de
origem afro. Além da mostra
italiana e negra, há programas
anuais para produções
brasileiras, judias e de
temática homossexual.
Por falar em
cinema, Miami é uma das quatro
cidades mais fotografadas dos
Estados Unidos (com Los Angeles,
Nova York e Las Vegas na
concorrência). A prefeitura
fatura alto liberando boulevards
inteiros para servir de
locações para longas como
Velocidade Máxima 2, Garotas
Selvagens, Íntimo e Pessoal, A
Gaiola das Loucas, Donnie Brasco,
Strip Tease ou True Lies (só
para citar os mais recentes). De
acordo com o Miami Herald, as
indústrias de cinema, vídeo,
música e fotografia
contribuíram com mais de U$ 1,4
bilhão para a economia local,
somente no ano passado.
Sem falar que
Miami é a chave do cofre de
muitos cantores latinos que
pensam em fazer carreira nos
Estados Unidos. Muitas companhias
da indústria (Sony, MTV Latino,
Warner Music, BMG e Polygram)
mudaram suas divisões latinas
para a cidade, assim como as
próprias estrelas, que moram ou
têm imóveis por lá, como Julio
Iglesias, Gloria Estefan, Madonna
e até Xuxa. Programa certo é,
certamente, barzinho com música
caribenha. Mas não ficam
órfãos os fãs de blues
(Tobacco Road, Downtown), rock
(Rose's Bar, Miami Beach) e do
tecno (leia matéria abaixo).
No capítulo
artes plásticas, o grande hype
é Romero Britto, o pernambucano
que se encaixa perfeitamente com
a proposta de Miami enquanto
cidade. Sua galeria (Britto
Central, na Lincoln Road) é
bastante visitada e não se sai
de lá sem ao menos comprar um
postal. Na mesma rua, as galerias
Barbara Gillman, Art Center-South
Florida e a Alliance Gallery. Por
sinal, galeria é o que não
falta na região. O Museu de Arte
de Miami (o MAM), em Downtown,
sempre tem alguma exposição
interessante, e em Coral Gables
há dezenas de galerias de artes.
Museus são
muitos. Pense no Museu Histórico
do Sul da Flórida, no centro
cultural Miami-Dade, e o Centro
de História na Mídia Louis
Wolfson II (ambos em Downtown),
com sua coleção de filmes em
vídeos. E mais: Wolfsonian,
Museu das Artes Bass, Museu
Judaico Sanford L. Ziff da
Flória (no edifício da primeira
sinagoga da região, erguida em
1936), Lowe, Museu de Ciência e
o da universidade. E o mais
luxuoso de todos, o Viscaya, a
antiga mansão do industrial
James Deering, com seus 70
quartos, ao lado da casa do
Sylvester Stallone.
Para concluir,
festas. Os latinos, como se sabe,
entendem do riscado, e é
principalmente por causa deles
que a animação é garantida. O
ano começa com a parada King
Orange, por todo o boulevard
Biscayne. Em janeiro é data do
Fim-de-Semana Art Déco, uma
homenagem ao desenho
arquitetônico da municipalidade.
Em Little Havana, os cubanos
apresentam seu próprio Carnaval,
a Festa das Américas e a Calle
Ocho. Em Liberty City, há um
festival anual homenageando
Martin Luther King, líder dos
direitos civis. E em Coconut
Grove, vários festivais de artes
cênicas, plásticas e
culinárias. E pensar que há
quem passe por lá só para fazer
compras.