- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 06 de agosto de 1998

MIAMI VIII
Musicais, shows e exposições em cartaz

Miami também quer ser sinônimo de vida cultural intensa. Segundo números dos órgãos oficiais de turismo de lá, mais de três milhões de pessoas estiveram presentes em seus programas culturais, e mais de oito milhões em festivais e eventos especiais no ano de 1996. São concertos, peças teatrais e uma série de exibições artísticas que lotam a agenda dos miamians e forasteiros.

Comenta-se que a Grande Miami é uma das áreas de maior crescimento cultural nos Estados Unidos. Para fomentar a produção, planeja-se construir um centro para as artes cênicas (com salão de concerto com capacidade para 2.200 pessoas, salão de bailado e ópera para 2.500 e um estúdio para 200), orçado em U$ 192 milhões, e um outro espaço para abrigar o Bass Museum, o Miami City Ballet e uma nova biblioteca regional.

Compre o Miami Herald e pode ser que o Miami City Ballet ainda esteja em cartaz. Também procure ver se a Sinfonia Novo Mundo (de repertório eclético) continua no Teatro Lincoln, na Lincoln Road, e se estão atuando a Filarmônica da Flórida (a mais importante do estado) e a Grande Ópera da Flórida (Don Giovanni, Die Fledermaus, La Traviatta e Turandot no repertório).

O templo das artes cênicas é o Jackie Gleason Theater of the Performing Arts, em Miami Beach, sempre com agenda lotada e palco para espetáculos em excursão, assim como o Coconut Grove Playhouse. Musicais como o Rent, Chicago, Tap Dogs, Annie, State Fair e Os Miseráveis estão sempre em cartaz. Na Universidade Federal da Flórida acontecem festivais de artes cênicas com regularidade e o Hotel Baltmore promove concertos musicais.

O Centro Gusman para as Artes Cênicas, em Downtown, acomoda a Filarmônica de Miami, o Festival de Cinema Italiano e apresentações limitadas de intérpretes de reconhecimento internacional. Para negros, o auditório Joseph Caleb e o Centro das Artes e Cultura de Herança Africana, promove um festival de filmes de origem afro. Além da mostra italiana e negra, há programas anuais para produções brasileiras, judias e de temática homossexual.

Por falar em cinema, Miami é uma das quatro cidades mais fotografadas dos Estados Unidos (com Los Angeles, Nova York e Las Vegas na concorrência). A prefeitura fatura alto liberando boulevards inteiros para servir de locações para longas como Velocidade Máxima 2, Garotas Selvagens, Íntimo e Pessoal, A Gaiola das Loucas, Donnie Brasco, Strip Tease ou True Lies (só para citar os mais recentes). De acordo com o Miami Herald, as indústrias de cinema, vídeo, música e fotografia contribuíram com mais de U$ 1,4 bilhão para a economia local, somente no ano passado.

Sem falar que Miami é a chave do cofre de muitos cantores latinos que pensam em fazer carreira nos Estados Unidos. Muitas companhias da indústria (Sony, MTV Latino, Warner Music, BMG e Polygram) mudaram suas divisões latinas para a cidade, assim como as próprias estrelas, que moram ou têm imóveis por lá, como Julio Iglesias, Gloria Estefan, Madonna e até Xuxa. Programa certo é, certamente, barzinho com música caribenha. Mas não ficam órfãos os fãs de blues (Tobacco Road, Downtown), rock (Rose's Bar, Miami Beach) e do tecno (leia matéria abaixo).

No capítulo artes plásticas, o grande hype é Romero Britto, o pernambucano que se encaixa perfeitamente com a proposta de Miami enquanto cidade. Sua galeria (Britto Central, na Lincoln Road) é bastante visitada e não se sai de lá sem ao menos comprar um postal. Na mesma rua, as galerias Barbara Gillman, Art Center-South Florida e a Alliance Gallery. Por sinal, galeria é o que não falta na região. O Museu de Arte de Miami (o MAM), em Downtown, sempre tem alguma exposição interessante, e em Coral Gables há dezenas de galerias de artes.

Museus são muitos. Pense no Museu Histórico do Sul da Flórida, no centro cultural Miami-Dade, e o Centro de História na Mídia Louis Wolfson II (ambos em Downtown), com sua coleção de filmes em vídeos. E mais: Wolfsonian, Museu das Artes Bass, Museu Judaico Sanford L. Ziff da Flória (no edifício da primeira sinagoga da região, erguida em 1936), Lowe, Museu de Ciência e o da universidade. E o mais luxuoso de todos, o Viscaya, a antiga mansão do industrial James Deering, com seus 70 quartos, ao lado da casa do Sylvester Stallone.

Para concluir, festas. Os latinos, como se sabe, entendem do riscado, e é principalmente por causa deles que a animação é garantida. O ano começa com a parada King Orange, por todo o boulevard Biscayne. Em janeiro é data do Fim-de-Semana Art Déco, uma homenagem ao desenho arquitetônico da municipalidade. Em Little Havana, os cubanos apresentam seu próprio Carnaval, a Festa das Américas e a Calle Ocho. Em Liberty City, há um festival anual homenageando Martin Luther King, líder dos direitos civis. E em Coconut Grove, vários festivais de artes cênicas, plásticas e culinárias. E pensar que há quem passe por lá só para fazer compras.


     

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