- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - -Jornal do Commercio - Recife, 06 de agosto de 1998

MIAMI IX
Farras cheias de charme, "pinta" e muito clima

Vamos acreditar que você não é louco de passar o dia inteiro fazendo compras sem conhecer a noite de Miami. Guarde a listinha de compras no hotel e, se quiser, pode ferver todos os dias. Dois condados merecem sua atenção: Art Deco e Coconut Grove, ambos com vida noturna feérica, acentuadamente o primeiro.

O destino é a Ocean Drive, a Avenida Boa Viagem deles, só que muito, muito mais agitada. É quase um barzinho colado no outro, nos térreos dos charmosíssimos prédios da era Elvis Presley. Gente linda e malhada, várias nacionalidades, carros maravilhosos, bebidas exóticas, música caribenha, industrial e uma pitada de Gloria Estefan, adorada na praça. Atende todos os gostos e todos os climas. Não se esqueça que é raro um lugar que inclua taxa de 10% dos atendentes, portanto é aquela coisa pagar a cerveja mais a gorjeta simpática. Se não o fizer, pega muito mal.

Há sempre o que fazer pela Washington ou pela Collins Avenue, as duas paralelas que serão a sua bússola em Miami Beach. Não deixe de ir ao clube Bash (655 Washington Avenue), que abre todos os dias, e é de ninguém menos que Sean Penn (o ex da Madonna, atual de Robin Wright) e de Mick Hucknall (vocalista do Simply Red). Tem três ambientes básicos e, como qualquer casa politicamente correta do mundo moderno, não é só para heteros, nem só para gays, é para gente que quer se misturar e confundir.

Também vale conhecer a Liquid (1.439 Washington Avenue). Madonna, dizem, sempre vai. E se quiser começar a noite mais cedo, passe pela Lincoln Road, que tem restaurantes bem-freqüentados e diversas lojas de artesanato e de moda que se espalham pela mais famosa rua de pedestres (a primeira) da ilha. Mas, seja elegante, verá muitos homossexuais a seu redor, é a área mais gay de Miami.

Estatísticas apontam 300 mil o número de gente que pratica sexo com iguais, ou seja, 15% dos moradores. A maioria compra pão, vai à farmácia, passeia de patins, tem conta bancária por lá. De olho no filão, a American Airlines até já criou um departamento só para cuidar desse tipo de grupo, que gasta sem dó. Especificamente na Lincoln Road, o gay ou o descolado deve bater ponto na Warshaw ou na Twist.

Mas a boate mais fervida, no momento, é a Salvation (17th Streer com Alton Road). É a fórmula tecno/êxtase/suor/seminudez/oferta. Não esqueça da boate do Prince (Arena), o Slam e a Amnesia. E na Ocean Drive, babado forte é entre as ruas 10 e 12.

Se estiver interessado em munição para os papos no jantar (nada de intelectualidade nas boates), pode tentar ver o que está em cartaz no Lincoln Theatre, Miami City Ballet ou no Jackie Gleason. Sem falar que a maioria dos filmes ainda será novidade quando vir para o Brasil. Pegue um cineminha e refresque a cuca.

 
     

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