- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

SAÍDAS
Sudene se protege de invasão do MST

por ÂNGELA LACERDA
AE

O superintendente adjunto da Sudene pediu a presença de tropas federais para proteger o prédio de uma eventual invasão, hoje, quando cerca de 10 mil trabalhadores rurais de todo o Nordeste, organizados pela Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), vão até a autarquia para protestar contra a indiferença do Governo Federal com os flagelados da seca e para pressionar a implantação de um programa de absorção de mão-de-obra no semi-árido. Um documento propondo ações emergenciais e de longo prazo será entregue ao superintendente Sérgio Moreira.

O presidente da Contag, Manoel Santos, garante que o ato será pacífico, mas a Sudene prefere se prevenir. Em 1993, também em meio a uma grande seca, o mesmo Manoel Santos, então presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura em Pernambuco (Fetape) fez de refém o ex-superintendente do órgão, Cássio Cunha Lima.

A manifestação conta com o apoio e participação de todas as federações de trabalhadores rurais dos nove Estados nordestinos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), CUT, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e da CNBB, entre outros segmentos. Os trabalhadores se reúnem pela manhã no Parque 13 de Maio, centro da cidade, e vão em passeata até a Sudene, fazendo um percurso de aproximadamente 10 quilômetros.

Santos critica a desorganização e lentidão do processo de distribuição de cestas básicas, denuncia a má qualidade de alguns produtos que a compõem e reclama da tentativa do Governo federal de tratar o problema da estiagem como um problema de marginal, que se resolve com a repressão policial.

O documento propõe programa de alfabetização, construção de obras de interesse coletivo, anistia dos débitos dos agricultores e financiamento ou refinanciamento para os que trabalham em família. Reivindica ainda a liberação de processos de aposentadoria que estão retidos no INSS ou na Dataprev, recursos para garantir forragem para o rebanho e investimento na infra-estrutura hídrica do semi-árido.

As reivindicações que os trabalhadores fazem, hoje, se baseiam num documento elaborado por mais de 300 entidades no seminário "Fórum Nordeste" realizado em 1993. O documento chegou a gerar uma proposta governamental no Governo Itamar Franco, mas nunca foi implementado.




   

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