SAÍDAS
Sudene
se protege de invasão do MSTpor ÂNGELA LACERDA
AE
O
superintendente adjunto da Sudene
pediu a presença de tropas
federais para proteger o prédio
de uma eventual invasão, hoje,
quando cerca de 10 mil
trabalhadores rurais de todo o
Nordeste, organizados pela
Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura
(Contag), vão até a autarquia
para protestar contra a
indiferença do Governo Federal
com os flagelados da seca e para
pressionar a implantação de um
programa de absorção de
mão-de-obra no semi-árido. Um
documento propondo ações
emergenciais e de longo prazo
será entregue ao superintendente
Sérgio Moreira.
O presidente da
Contag, Manoel Santos, garante
que o ato será pacífico, mas a
Sudene prefere se prevenir. Em
1993, também em meio a uma
grande seca, o mesmo Manoel
Santos, então presidente da
Federação dos Trabalhadores na
Agricultura em Pernambuco
(Fetape) fez de refém o
ex-superintendente do órgão,
Cássio Cunha Lima.
A
manifestação conta com o apoio
e participação de todas as
federações de trabalhadores
rurais dos nove Estados
nordestinos, do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra
(MST), CUT, Comissão Pastoral da
Terra (CPT) e da CNBB, entre
outros segmentos. Os
trabalhadores se reúnem pela
manhã no Parque 13 de Maio,
centro da cidade, e vão em
passeata até a Sudene, fazendo
um percurso de aproximadamente 10
quilômetros.
Santos critica
a desorganização e lentidão do
processo de distribuição de
cestas básicas, denuncia a má
qualidade de alguns produtos que
a compõem e reclama da tentativa
do Governo federal de tratar o
problema da estiagem como um
problema de marginal, que se
resolve com a repressão
policial.
O documento
propõe programa de
alfabetização, construção de
obras de interesse coletivo,
anistia dos débitos dos
agricultores e financiamento ou
refinanciamento para os que
trabalham em família. Reivindica
ainda a liberação de processos
de aposentadoria que estão
retidos no INSS ou na Dataprev,
recursos para garantir forragem
para o rebanho e investimento na
infra-estrutura hídrica do
semi-árido.
As
reivindicações que os
trabalhadores fazem, hoje, se
baseiam num documento elaborado
por mais de 300 entidades no
seminário "Fórum
Nordeste" realizado em 1993.
O documento chegou a gerar uma
proposta governamental no Governo
Itamar Franco, mas nunca foi
implementado.