- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

LIVROS II
Público jovem é a meta principal do megaevento

Já no meio da semana passada, o vice-presidente da Câmara Brasileira do Livro, Raul Wassermann, comentava que pelas avalições numéricas podia-se prever que todas as metas da Bienal do Livro de São Paulo seriam atingidas. "Graças à mudança da data, para o primeiro semestre, foi possível contar com um grande número de profissionais do livro de outros países, que, normalmente, estariam de férias em agosto, nossa data original", diz. "Houve muitas reuniões entre eles, editores, livreiros e distribuidores brasileiros, não somente aqui na feira, como em hotéis".

Wassermann acha, também, que a Bienal já se tornou um evento tão grande que a mídia televisionada deu uma cobertura ao evento como nunca tinha feito antes. "Aos poucos eles estão dando importância ao mercado editorial. A Bienal é feita de grandes momentos durante 10 dias. E, afinal, é um evento essencialmente paulista, tendo em vista que a maior parte dos visitantes é daqui", atesta.

Ele observou que há uma variação da faixa etária do público ao longo do dia. Pela manhã a grande maioria é de jovens e crianças. A partir da tarde começa a chegar mais o público adulto que, à noite, já predomina. E, mesmo preocupado com o domingo, que era Dia das Mães, o que talvez desviasse o público, não houve decepção. A freqüência não sofreu alteração.

POLÊMICA - Quanto à polêmica criada em torno da decisão de mudar a Bienal em Salão anual, Wassermann conta que o evento começou "pegando carona" na Bienal de Artes Plásticas de São Paulo, no Ibirapuera, que atraía muita gente. "Com o tempo, a Bienal do Livro foi superando a popularidade da outra. Quando realizamos o evento em 94, percebemos que não dava mais para continuar no Ibirapuera. Por isso nos mudamos para o Expo Center Norte, que é maior".

Wassermann acha que se a Bienal tivesse começado "pegando carona" em um evento anual, como a Fenit, todos achariam natural que ela fosse também anual. "O fato é que a Bienal amadureceu. Não dá mais para esperar dois anos por um público de mais de um milhão de pessoas. Além do mais, o mercado editorial brasileiro lançou 12.500 títulos em 96 e, em 97, 15.500. Temos pois, lançamentos para todo ano", assegura.

Ele garante que a avaliação é correta, afinal, a CBL tem bastante know how em feiras de livros. É ela que organiza as feiras de Fortaleza, Recife, Pará, Curitiba e Salvador. E outros países da América Latina têm pedido a sua consultoria para eventos semelhantes.

DATAS - A antecipação da feira para o primeiro semestre tem em vista, também, evitar que coincidisse com a Bienal do Livro do Rio de Janeiro que, tradicionalmente, acontecia no segundo semestre. Afinal Rio e São Paulo são os dois maiores mercados de livro do país. Wassermann lamenta, entretanto, que a direção da feira de livros do Rio tenha decidido antecipar sua data também para o primeiro semestre. "Vejo nisso imaturidade", diz. "A conseqüência disso é que as médias e pequenas editoras, que normalmente não têm acesso à mídia, percam a oportunidade de armar o barraco aqui, no primeiro semestre, e no Rio, durante o segundo", raciocina.

Segundo o vice-presidente da CBL, "o protesto ao Salão começou com algumas editoras que depois se convenceram pelas pesquisas de que a iniciativa era correta. Sobraram algumas que representam, reconheço, o charme do mercado editorial. Mas no total elas são apenas um pedacinho do mercado. Elas também costumam fazer os estandes mais bonitos e maiores e, aí, realmente, o custo anual fica alto. Mas essas editoras não precisam da Bienal para entrar na mídia. Elas têm mídia. São as pequenas que dividiriam suas verbas para estar, mesmo modestamente, no Salão de São Paulo e na Bienal do Rio, se fossem em datas diferentes", explica.

Wassermann acha que, no final, quem perde é o mercado e a população. "Se bem que eles não vão ter no Salão todas as editoras, mas terão todos os livros, inclusive os dessas editoras que querem se ausentar, graças aos estandes de livrarias. Mas, como diretor de uma entidade de classe, eu lamento tudo isso. Aqui, na CBL, ninguém trabalha em causa própria, mas pensamos no mercado como um todo".

JOVENS - Sobre a acusação corrente de que a CBL está faturando muito com as bienais e agora quer faturar mais ainda, com um Salão anual, Raul Wassermann diz que o orçamento é feito para empatar. Quando há sobra de caixa ela é investida nos associados e no desenvolvimento do mercado editorial brasileiro. "Há todo um elenco de atividades sustentadas com esse dinheiro", garante.

Sobre um aspecto que salta à vista ao visitante da Bienal, ou seja, de que é grande e muito diversificado o número de atrativos para crianças e jovens, Raul Vassermann diz que, realmente, a Bienal do Livro de São Paulo é montada para atrair os jovens. "Hoje em dia não se pode mais manter o conceito de livraria como um templo de cultura, escuro, silencioso e cheio de pompa", diz.

Há, por isso, palhaços, robôs falantes, workshops, contadores de histórias, maquiadores etc, visando o público infanto-juvenil. Algumas editoras chegam a montar verdadeiros shows em seus estandes."Quando a criança descobre que ler é um prazer, ela vira leitora", assegura Wassermann. "Essa é uma de nossas metas principais", conclui. (MP)


     

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