LIVROS II
Público
jovem é a meta principal do
megaeventoJá no meio da semana
passada, o vice-presidente da
Câmara Brasileira do Livro, Raul
Wassermann, comentava que pelas
avalições numéricas podia-se
prever que todas as metas da
Bienal do Livro de São Paulo
seriam atingidas. "Graças
à mudança da data, para o
primeiro semestre, foi possível
contar com um grande número de
profissionais do livro de outros
países, que, normalmente,
estariam de férias em agosto,
nossa data original", diz.
"Houve muitas reuniões
entre eles, editores, livreiros e
distribuidores brasileiros, não
somente aqui na feira, como em
hotéis".
Wassermann
acha, também, que a Bienal já
se tornou um evento tão grande
que a mídia televisionada deu
uma cobertura ao evento como
nunca tinha feito antes.
"Aos poucos eles estão
dando importância ao mercado
editorial. A Bienal é feita de
grandes momentos durante 10 dias.
E, afinal, é um evento
essencialmente paulista, tendo em
vista que a maior parte dos
visitantes é daqui",
atesta.
Ele observou
que há uma variação da faixa
etária do público ao longo do
dia. Pela manhã a grande maioria
é de jovens e crianças. A
partir da tarde começa a chegar
mais o público adulto que, à
noite, já predomina. E, mesmo
preocupado com o domingo, que era
Dia das Mães, o que talvez
desviasse o público, não houve
decepção. A freqüência não
sofreu alteração.
POLÊMICA -
Quanto à polêmica criada em
torno da decisão de mudar a
Bienal em Salão anual,
Wassermann conta que o evento
começou "pegando
carona" na Bienal de Artes
Plásticas de São Paulo, no
Ibirapuera, que atraía muita
gente. "Com o tempo, a
Bienal do Livro foi superando a
popularidade da outra. Quando
realizamos o evento em 94,
percebemos que não dava mais
para continuar no Ibirapuera. Por
isso nos mudamos para o Expo
Center Norte, que é maior".
Wassermann acha
que se a Bienal tivesse começado
"pegando carona" em um
evento anual, como a Fenit, todos
achariam natural que ela fosse
também anual. "O fato é
que a Bienal amadureceu. Não dá
mais para esperar dois anos por
um público de mais de um milhão
de pessoas. Além do mais, o
mercado editorial brasileiro
lançou 12.500 títulos em 96 e,
em 97, 15.500. Temos pois,
lançamentos para todo ano",
assegura.
Ele garante que
a avaliação é correta, afinal,
a CBL tem bastante know how em
feiras de livros. É ela que
organiza as feiras de Fortaleza,
Recife, Pará, Curitiba e
Salvador. E outros países da
América Latina têm pedido a sua
consultoria para eventos
semelhantes.
DATAS -
A antecipação da feira para o
primeiro semestre tem em vista,
também, evitar que coincidisse
com a Bienal do Livro do Rio de
Janeiro que, tradicionalmente,
acontecia no segundo semestre.
Afinal Rio e São Paulo são os
dois maiores mercados de livro do
país. Wassermann lamenta,
entretanto, que a direção da
feira de livros do Rio tenha
decidido antecipar sua data
também para o primeiro semestre.
"Vejo nisso
imaturidade", diz. "A
conseqüência disso é que as
médias e pequenas editoras, que
normalmente não têm acesso à
mídia, percam a oportunidade de
armar o barraco aqui, no primeiro
semestre, e no Rio, durante o
segundo", raciocina.
Segundo o
vice-presidente da CBL, "o
protesto ao Salão começou com
algumas editoras que depois se
convenceram pelas pesquisas de
que a iniciativa era correta.
Sobraram algumas que representam,
reconheço, o charme do mercado
editorial. Mas no total elas são
apenas um pedacinho do mercado.
Elas também costumam fazer os
estandes mais bonitos e maiores
e, aí, realmente, o custo anual
fica alto. Mas essas editoras
não precisam da Bienal para
entrar na mídia. Elas têm
mídia. São as pequenas que
dividiriam suas verbas para
estar, mesmo modestamente, no
Salão de São Paulo e na Bienal
do Rio, se fossem em datas
diferentes", explica.
Wassermann acha
que, no final, quem perde é o
mercado e a população. "Se
bem que eles não vão ter no
Salão todas as editoras, mas
terão todos os livros, inclusive
os dessas editoras que querem se
ausentar, graças aos estandes de
livrarias. Mas, como diretor de
uma entidade de classe, eu
lamento tudo isso. Aqui, na CBL,
ninguém trabalha em causa
própria, mas pensamos no mercado
como um todo".
JOVENS -
Sobre a acusação corrente de
que a CBL está faturando muito
com as bienais e agora quer
faturar mais ainda, com um Salão
anual, Raul Wassermann diz que o
orçamento é feito para empatar.
Quando há sobra de caixa ela é
investida nos associados e no
desenvolvimento do mercado
editorial brasileiro. "Há
todo um elenco de atividades
sustentadas com esse
dinheiro", garante.
Sobre um
aspecto que salta à vista ao
visitante da Bienal, ou seja, de
que é grande e muito
diversificado o número de
atrativos para crianças e
jovens, Raul Vassermann diz que,
realmente, a Bienal do Livro de
São Paulo é montada para atrair
os jovens. "Hoje em dia não
se pode mais manter o conceito de
livraria como um templo de
cultura, escuro, silencioso e
cheio de pompa", diz.
Há, por isso,
palhaços, robôs falantes,
workshops, contadores de
histórias, maquiadores etc,
visando o público
infanto-juvenil. Algumas editoras
chegam a montar verdadeiros shows
em seus estandes."Quando a
criança descobre que ler é um
prazer, ela vira leitora",
assegura Wassermann. "Essa
é uma de nossas metas
principais", conclui. (MP)