CHUVA
Barreiras
deslizam e destroem casaspor CRISTIANO
JERÔNIMO
Enquanto a
ausência de chuva tem provocado
sérios problemas no Sertão, a
presença dela no Recife, durante
a madrugada de ontem, já
provocou o deslizamento de quatro
barreiras em morros da Zona Norte
da cidade. A Comissão de Defesa
Civil do Recife (Codecir)
registrou ainda outras 15
ocorrências, mas não houve
feridos e apenas uma família
ficou desabrigada. Contudo,
muitos moradores das áreas de
risco de Casa Amarela estão
apreensivos com a chegada do
período chuvoso que, segundo o
meteorologista Ricardo Rodrigues,
já deveria ter iniciado,
"não fosse a forte
atuação do fenômeno El
Niño".
Na ladeira da
Rua Copa 70, no Alto Jardim
Progresso, o muro de arrimo
localizado nos fundos da Igreja
Metodista desabou, soterrou uma
residência e deixou uma outra
parcialmente destruída. Os
moradores estão apreensivos e
temem ser as próximas vítimas.
"A casa destruída ia ser
alugada ontem, mas ainda não
tinha ninguém", disse
aliviada a dona de casa Kátia
Maria da Silva, que reside ao
lado. Ângela Maria dos Santos,
36 anos, lembra que o muro tinha
mais de 15 anos e nunca passou
por reformas. "Já estava
ameaçado pela Codecir",
enfatizou.
Na Rua F, no
Córrego da Areia, o desempregado
Glauber Germano Sobrinho, 28
anos, pai de cinco crianças,
levou um susto com a queda da
parede da sala de sua casa. O
muro de arrimo, construído pelos
próprios moradores, desabou
durante a madrugada e, por sorte,
não atingiu ninguém.
"Esperamos três anos pela
prefeitura. Mas quem vive de
promessa é santo. Nós compramos
três mil tijolos, dois metros de
areia e dez sacos de cimentos,
fizemos o muro e agora tivemos um
prejuízo de quase R$
500,00", desabafou. Entre
seus filhos menores, Cibele
Germano Silveira, 4, olhava a
barreira sem ter noção do
perigo.
O coodenador da
Codecir, Wilson Albuquerque,
explica que o órgão de defesa
está atendendo aos chamados da
população dos morros, mas não
tem recursos disponíveis para
realizar obras. "Fazemos um
trabalho preventivo e educativo.
O importante é que as pessoas
afetadas ou em perigo informem à
comissão de defesa da
localidade".