CHUVA II
Moradores
dos morros começam a deixar
casasOs moradores em
situação de risco criticam a
atuação da Prefeitura do Recife
(PCR) para evitar os
deslizamentos de barreiras. Na
falta de alternativas, eles
estão abandonando suas casas
para morar na residência de
parentes. "Eu só queria que
Deus me desse um chão seguro
para eu morar. Podia ser até na
lua, menos aqui", sonha a
dona de casa Rosemere Souza
Amorim, cuja casa no Alto Jardim
Progresso está prestes a cair.
Ela, que já
saiu do Córrego do Boleiro por
causa do deslizamento de
barreiras há cerca de dois anos,
teve seu quintal literalmente
levado por água abaixo.
"Dei meu nome ao pessoal da
prefeitura, mas eles dizem que
não têm verba",
conforma-se, descartando a
possibilidade de ir para o
barracão da Codecir. "Sou
pobre, mas sou limpa. Lá é
muito sujo". Na casa vizinha
ao imóvel destruído pela queda
do muro de arrimo, na subida do
Alto Jardim Progresso, ontem, o
morador já estava com os móveis
nas costas, se mudando para a
residência da mãe. "É uma
questão de vida ou morte",
sentenciou Antônio Cícero.
O lixo
acumulado e a encosta
desprotegida obrigaram o
marceneiro Ismael Barros de
Moura, 46, a abandonar sua casa
há três semanas. Como o local
também serve de oficina para
seus trabalhos, ele continua
freqüentando a
"arapuca". "Meus
11 filhos não estão aqui.
Vieram engenheiros da prefeitura,
mas nada fizeram", denuncia.
OCORRÊNCIAS
- Segundo o coordenador da
Codecir, Wilson Albuquerque, o
órgão não tem condições de
dar conta da demanda de problemas
nos morros. Somente nos últimos
três dias, especialmente ontem,
mais de 20 chamados foram feitos
à Codecir. Entre as ocorrências
registradas nos últimos dias,
estão rachaduras em imóveis,
ameaças de desabamentos no Alto
dos Coqueiros, Mangabeira,
córregos do Euclides e da Areia,
entre outros locais.