SAÚDE III
Hospital
Português descarta óbito por
tipo hemorrágicoO diretor médico do
Hospital Português, Jorge
Mendes, informou ontem que dois
exames realizados na professora
Márcia de Castro Brito, 55, que
morreu na madrugada de domingo,
descartaram a infecção por
dengue. "A sorologia e a
prova do laço (outro teste para
diagnóstico da doença) deram
negativos", afirmou. Segundo
ele, a causa da morte foi
falência múltipla dos órgãos
e hemorragia digestiva causada
por distúrbios de coagulação
sanguínea, problema que pode
estar relacionado à doença
chamada púrpura, da qual Márcia
era portadora.
Apesar dessa
informação, até o final da
tarde de ontem a Diretoria de
Epidemiolgia e Vigilância à
Saúde do Recife não havia
descartado o caso por completo.
"Vamos conversar com o
médico que acompanhou a paciente
e procurar mais detalhes sobre a
sorologia realizada no
laboratório do hospital",
disse Nara Melo, diretora do
setor. Na manhã de ontem,
técnicos da Secretaria de Saúde
do município procuraram
familiares da professora e
estiveram na Escola Estadual
Barros Carvalho, vizinha à casa
dela, no Cordeiro, e onde
ensinava matemática.
Sem saber do
resultado negativo do teste, os
filhos de Márcia, Noelma e
Marcos Brito, contaram pela
manhã que a mãe havia tido
dengue em 97, a exemplo da
maioria dos moradores dos 32
apartamentos do Edifício
Ubajara, onde morava com a
família. Os vizinhos também
estão adoecendo este ano, como
Gilvanete Barros, 49 anos, que
ainda reclama de fraqueza e
manchas vermelhas na pele.
"O carro fumacê só esteve
aqui na rua no ano passado",
conta Noelma, reclamando do
descaso da saúde pública e das
tímidas campanhas educativas de
combate à doença. Ela desconfia
que haja focos do mosquisto no
quintal da escola.