-
-- - - - - - - -- - - - - - - - -- - - - -_-Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

FLORESTA
Rural propõe proteção de 4 brejos-de-altitude

Os brejos-de-altitude, florestas úmidas que ocorrem no Semi-árido, constituem um patrimônio genético ainda desconhecido, mas já em fase de desaparecimento em Pernambuco, onde existem 17 remanescentes desse ecossistema. Para reverter esse quadro, pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) elaboraram estudo que propõe a transformação de pelo menos quatro deles em unidades de conservação.

As prioridades são os brejos-de-altitude de Garanhuns, Brejo da Madre de Deus, Triunfo e São Vicente Férrer. Os pesquisadores da UFRPE, que identificaram 957 espécies de plantas em nove remanescentes, ainda não fizeram o levantamento no brejo de Garanhuns, mas supõem que sua diversidade florística seja alta. "Pela sua altitude elevada - acima de 900 metros - e por se estender por toda a planície, é provável que abrigue muitas espécies", diz Maria de Jesus Rodal, uma das autoras do estudo.

Já a indicação de Brejo da Madre de Deus se deve à sua semelhança com os brejos-de-altitude do interior e os próximos à Mata Atlântica, sendo uma ponte de ligação entre os dois tipos.

Um dos mais isolados brejos-de-altitude de Pernambuco, o de Triunfo é o que guarda maior semelhança entre os quatro indicados para unidades de conservação, com espécies das florestas mesófilas (que perdem as folhas parcialmente em determinada época do ano) do Brasil Central, Sul e Sudeste. O brejo de São Vicente Férrer foi indicado por ser o de maior área contínua, com 600 hectares. O de Serra Negra, lembra Maria de Jesus, tem 1.000 hectares, mas a área de floresta úmida se restringe ao topo.

CARTILHA - As recomendações para a conservação dos brejos constam em uma cartilha, com 27 páginas, que será editada dentro de dois meses pela Imprensa Universitária da UFRPE. A publicação será distribuída para órgãos governamentais e prefeituras.

O presidente da Companhia Pernambucana de Controle da Poluição Ambiental e de Administração dos Recursos Hídricos (CPRH), Ricardo Braga, considera o estudo da UFRPE estratégico para o planejamento de ações conservacionistas nas áreas de brejo. Segundo ele, as reservas poderão ser estaduais, municipais ou particulares.

Dos 17 brejos existentes em Pernambuco, apenas um - a Reserva Biológica de Serra Negra, entre Floresta, Inajá e Ibimirim - é uma unidade de conservação criada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os outros são propriedades particulares ou reservas municipais.


 
 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes