FLORESTA
Rural
propõe proteção de 4
brejos-de-altitudeOs brejos-de-altitude,
florestas úmidas que ocorrem no
Semi-árido, constituem um
patrimônio genético ainda
desconhecido, mas já em fase de
desaparecimento em Pernambuco,
onde existem 17 remanescentes
desse ecossistema. Para reverter
esse quadro, pesquisadores da
Universidade Federal Rural de
Pernambuco (UFRPE) elaboraram
estudo que propõe a
transformação de pelo menos
quatro deles em unidades de
conservação.
As prioridades
são os brejos-de-altitude de
Garanhuns, Brejo da Madre de
Deus, Triunfo e São Vicente
Férrer. Os pesquisadores da
UFRPE, que identificaram 957
espécies de plantas em nove
remanescentes, ainda não fizeram
o levantamento no brejo de
Garanhuns, mas supõem que sua
diversidade florística seja
alta. "Pela sua altitude
elevada - acima de 900 metros - e
por se estender por toda a
planície, é provável que
abrigue muitas espécies",
diz Maria de Jesus Rodal, uma das
autoras do estudo.
Já a
indicação de Brejo da Madre de
Deus se deve à sua semelhança
com os brejos-de-altitude do
interior e os próximos à Mata
Atlântica, sendo uma ponte de
ligação entre os dois tipos.
Um dos mais
isolados brejos-de-altitude de
Pernambuco, o de Triunfo é o que
guarda maior semelhança entre os
quatro indicados para unidades de
conservação, com espécies das
florestas mesófilas (que perdem
as folhas parcialmente em
determinada época do ano) do
Brasil Central, Sul e Sudeste. O
brejo de São Vicente Férrer foi
indicado por ser o de maior área
contínua, com 600 hectares. O de
Serra Negra, lembra Maria de
Jesus, tem 1.000 hectares, mas a
área de floresta úmida se
restringe ao topo.
CARTILHA -
As recomendações para a
conservação dos brejos constam
em uma cartilha, com 27 páginas,
que será editada dentro de dois
meses pela Imprensa
Universitária da UFRPE. A
publicação será distribuída
para órgãos governamentais e
prefeituras.
O presidente da
Companhia Pernambucana de
Controle da Poluição Ambiental
e de Administração dos Recursos
Hídricos (CPRH), Ricardo Braga,
considera o estudo da UFRPE
estratégico para o planejamento
de ações conservacionistas nas
áreas de brejo. Segundo ele, as
reservas poderão ser estaduais,
municipais ou particulares.
Dos 17 brejos
existentes em Pernambuco, apenas
um - a Reserva Biológica de
Serra Negra, entre Floresta,
Inajá e Ibimirim - é uma
unidade de conservação criada
pelo Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama). Os outros
são propriedades particulares ou
reservas municipais.