ARTIGO
Novos
produtos e crescimento
empresarialpor MANFREDO HOPPER*
Novos produtos
são o sangue da moderna empresa
de consumo. Tendo como fundo a
globalização e o acirramento da
concorrência entre as marcas
nacionais e importadas, uma
estratégia de diversificação
com base em lançamento de novos
produtos surge como a
alternativa-chave para o
crescimento das empresas nos anos
90.
Para se ter uma
idéia de como é vital para a
economia o lançamento de novos
produtos, nos Estados Unidos,
segundo pesquisa da Booz Allen e
Hamilton em fins da década
passada "apenas nos
próximos três anos, cerca de
75% do crescimento do volume de
vendas do país devem vir de
novos produtos, incluindo novas
marcas". "Novo"
aqui não significa radicalmente
novo, mas para cada empresa
individualmente. A marca Gold
Flakes é um produto novo para a
São Braz, não para o mercado,
onde já existiam outras marcas
na categoria "cereal
matinal".
Além disso, o
crescimento exponencial do valor
das marcas como ativo intangível
das empresas é outro fator
preponderante na tática de
crescimento através de novas
marcas. Como exemplo, veja-se a
compra da Kraff pela Philip
Morris, por US$ 13 milhões,
quatro vezes mais que o valor de
seus ativos fixos (fábrica,
estoque, veículos etc).
Contudo, o
crescimento empresarial via novos
produtos, se bem desejável, não
deixa de apresentar algumas
armadilhas. Daí, cada vez mais
as empresas vêm recorrendo a uma
estratégia de remarketing de
produtos existentes.
Também chamada
de revitalizações de produto,
remarketing é, simplesmente, uma
nova abordagem de marketing,
depois que a primeira não deu
certo...
Sabendo-se que
até a Pepsi-Cola pediu falência
três vezes antes de se tornar um
sucesso mundial, depois que
mudanças foram introduzidas,
muitos produtos de consumo
embalados também não atingem a
liderança ou são mesmo
retirados de linha
melancolicamente...
Numa situação
em que pouco se compra o que se
está vendendo uma empresa tem
apenas duas saídas: desistir e
perder o que já investiu ou
iniciar tudo de novo, com um
projeto de remarketing.
Os problemas
podem estar desde a colocação
do produto na seção errada do
supermercado, passando por uma
embalagem defasada, indo até um
nome completamente inadequado
para o produto ou ausência de
posicionamento na mente do
consumidor, ou ainda a propaganda
tem a ênfase certa no público
errado ou vice-versa.
Mas, qual o
valor específico para as
empresas de uma estratégica de
remarketing? Dentre outros, os
principais fatores são: alto
custo de lançamento de novos
produtos, alta taxa de fracassos
de muitos produtos lançados,
luta feroz pelos canais de
distribuição e por espaço
nesses canais, não só com os
concorrentes mas, cada vez mais,
com as marcas próprias dos
supermercados...
Tendência cada
vez maior de fusões,
aquisições e incorporações
entre empresas - já visível no
Brasil do Real - obrigando à
"reengenharia" da linha
de produtos, com a conseqüente
absorção e/ou expurgo das
marcas provenientes das empresas
adquiridas. Demora, dificuldades
burocráticas e custo de registro
de novas marcas.
No contexto do
que foi exposto antes fica claro
que o remarketing de uma marca
já existente - própria ou
adquirida - é uma alternativa
extremamente eficaz para o
crescimento das empresas. Em
outras palavras: tentar de novo
com um produto que fracassou da
primeira vez ou que vem mal das
pernas, ou ainda, que perdeu
participação de mercado, pode
ser um ótimo negócio!
* Manfredo
Hopper é consultor e diretor da
Hopper Propaganda e
Desenvolvimento de Novos produtos