- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

RETOMADA
Produção industrial mostra recuperação

RIO - A indústria brasileira está se recuperando, conforme os dados divulgados ontem pelo IBGE em sua Pesquisa Industrial Mensal referente a março. A atividade do setor aumentou 0,7% em relação a fevereiro, na série com ajuste sazonal - descontados os fatores que influenciam tradicionalmente a produção em cada época do ano. O mais importante é que esta taxa positiva em relação ao mês precedente ocorreu pela terceira vez consecutiva, o que dá sinais de que a recuperação industrial é uma tendência que está mesmo se consolidando.

Tanto que, em relação a dezembro, a indústria cresceu 3,6%. Tudo dependerá, porém, do comportamento das taxas de juros - se elas baixarem mais rapidamente, o consumo poderá ser ampliado, elevando a produção fabril. Na expectativa do chefe do Departamento de Indústria do IBGE, Sílvio Sales, há possibilidade da produção crescer de 2% a 3% no segundo trimestre em relação ao primeiro, embora em confronto com o segundo trimestre do ano passado não vá conseguir muita coisa: crescimento zero, até porque de abril a junho de 97 a atividade estava em ritmo bastante acentuado.

A produção do parque fabril brasileiro também se expandiu em 2,7% em relação ao mesmo mês de 97, interrompendo uma série de quatro resultados negativos. Desde novembro, a cada mês a indústria tem produzido mais do que em igual período do ano anterior. Este bom desempenho, entretanto, ainda não serviu para melhorar os resultados trimestrais da indústria. Conforme a pesquisa do IBGE, a produção de janeiro a março foi 1,7% inferior à verificada no último trimestre de 97 e 0,6% menor do que a do primeiro trimestre do ano passado.

Segundo Sales, o quadro negativo que vinha se desenhando parece estar sendo superado, mesmo levando-se em conta a perda de dinamismo no segmento de bens de consumo durável - no primeiro trimestre, em relação a igual período de 97, a produção de aparelhos de TV, rádio e som chegou a 48%. O segmento de material elétrico e de comunicações mostrou queda de 14,1%, o setor têxtil, de -13,1% e material de transporte, de -6,7%, por causa da diminuição de 16,5% na fabricação de automóveis. Para o IBGE, na medida em que as taxas de juros se reduzam mais aceleradamente, o segmento de bens de consumo poderá ter índices melhores.

Entre os impactos positivos no primeiro trimestre destaca-se, por categoria de uso, bens de capital (5,6%) - graças à ampliação na produção de máquinas e equipamentos para a agricultura (18%) e de bens para a construção (45,3%), além de fabricação de bens ligados às exportações. A melhora foi puxada por setores que não dependem do varejo, ainda influenciadas pelas altas taxas de juros. Neste trimestre, bens de consumo durável estão com retração menos acentuada.


     

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