AGROPECUÁRIA II
Manejo
e tecnologia reduzem os efeitos
do El Niño, diz SindaçúcarO manejo e a tecnologia
podem diminuir os efeitos do El
Niño na opinião do presidente
do Sindaçúcar, José Ranulfo
Queiroz. Várias empresas do
setor se adiantaram as previsões
de seca e resolveram adotar
algumas técnicas como plantar a
cana-de-açúcar em áreas de
várzea, fazer uma irrigação de
salvação e também implantar
variedades de cana que tenham
mais resistência aos solos
fracos e à estiagem.
As empresas do
setor começaram a implantar
essas técnicas há cerca de
cinco anos depois que o setor
enfrentou uma estiagem em que
houve uma diminuição da safra
da cana-de-açúcar da ordem de
43% em 1993, quando a seca
atingiu a zona da mata.
"Não há solução como
Alka Seltzer, mas essas práticas
agrícolas minimizam as
perdas", falou José Ranulfo
Queiroz. Segundo ele, quase todas
as empresas do setor já estão
utilizando canas mais resistentes
ao tempo seco.
Várias
empresas do setor também estão
utilizando uma irrigação de
salvação nas suas plantações.
"O processo tem um custo de
três a quatro vezes menor, exige
um volume de água reduzido e
consegue manter a cana viva nos
períodos críticos", falou
o empresário José Guilherme de
Queiroz, proprietário das usinas
Cruangi, localizadas em
Timbaúba, e Maravilhas, que fica
em Goiana, ambas zona da mata
norte, que geralmente sofre mais
com os reflexos da estiagem.
O empresário
investiu R$ 1,5 milhão no
esquema de irrigação, que
pretende abranger 14 mil hectares
nos próximos quatro anos. Além
da infra-estrutura do sistema de
irrigação, o projeto inclui a
formação de barragens para
armazenar água no período seco.
As novas barragens devem dobrar o
volume de água armazenado na
Cruangi nos próximos três anos.
Na safra 97/98, as perdas das
empresas superaram as 150 mil
toneladas de cana devido à
escassez de chuvas.
No ano passado,
houve uma redução da safra de
15% da cana-de-açúcar em todo o
Estado devido a estiagem
provocada pelo El Niño. Os
empresários de açúcar também
começaram a moer mais cedo para
que a estiagem influenciasse
menos a perda da safra passada.
José Ranulfo afirmou que a perda
do setor com a seca deve ficar em
15% da produção este ano.
Ele argumentou
também que somente no final de
maio, poderá se ter uma idéia
mais precisa da influência do El
Niño na próxima safra. O El
Niño é um fenômeno climático
que provoca estiagens e
inundações em diversos pontos
do planeta. (A.F.B.)