- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

AGROPECUÁRIA II
Manejo e tecnologia reduzem os efeitos do El Niño, diz Sindaçúcar

O manejo e a tecnologia podem diminuir os efeitos do El Niño na opinião do presidente do Sindaçúcar, José Ranulfo Queiroz. Várias empresas do setor se adiantaram as previsões de seca e resolveram adotar algumas técnicas como plantar a cana-de-açúcar em áreas de várzea, fazer uma irrigação de salvação e também implantar variedades de cana que tenham mais resistência aos solos fracos e à estiagem.

As empresas do setor começaram a implantar essas técnicas há cerca de cinco anos depois que o setor enfrentou uma estiagem em que houve uma diminuição da safra da cana-de-açúcar da ordem de 43% em 1993, quando a seca atingiu a zona da mata. "Não há solução como Alka Seltzer, mas essas práticas agrícolas minimizam as perdas", falou José Ranulfo Queiroz. Segundo ele, quase todas as empresas do setor já estão utilizando canas mais resistentes ao tempo seco.

Várias empresas do setor também estão utilizando uma irrigação de salvação nas suas plantações. "O processo tem um custo de três a quatro vezes menor, exige um volume de água reduzido e consegue manter a cana viva nos períodos críticos", falou o empresário José Guilherme de Queiroz, proprietário das usinas Cruangi, localizadas em Timbaúba, e Maravilhas, que fica em Goiana, ambas zona da mata norte, que geralmente sofre mais com os reflexos da estiagem.

O empresário investiu R$ 1,5 milhão no esquema de irrigação, que pretende abranger 14 mil hectares nos próximos quatro anos. Além da infra-estrutura do sistema de irrigação, o projeto inclui a formação de barragens para armazenar água no período seco. As novas barragens devem dobrar o volume de água armazenado na Cruangi nos próximos três anos. Na safra 97/98, as perdas das empresas superaram as 150 mil toneladas de cana devido à escassez de chuvas.

No ano passado, houve uma redução da safra de 15% da cana-de-açúcar em todo o Estado devido a estiagem provocada pelo El Niño. Os empresários de açúcar também começaram a moer mais cedo para que a estiagem influenciasse menos a perda da safra passada. José Ranulfo afirmou que a perda do setor com a seca deve ficar em 15% da produção este ano.

Ele argumentou também que somente no final de maio, poderá se ter uma idéia mais precisa da influência do El Niño na próxima safra. O El Niño é um fenômeno climático que provoca estiagens e inundações em diversos pontos do planeta. (A.F.B.)


     

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