AGROPECUÁRIA III
Fornecedor
de cana acampará na SudeneCerca de 400
fornecedores de cana realizaram
ontem uma assembléia no Recife e
decidiram que irão acampar na
frente da Sudene a partir do
próximo dia 21 caso o setor não
receba uma ajuda emergencial dos
governos federal ou estadual. Os
fornecedores revindicam ao
governo estadual um crédito de
8% do ICMS (Imposto Sobre a
Circulação de Mercadorias e
Serviços) e uma verba de R$ 25
milhões ao Governo Federal que
seria usada para pagar os
salários dos trabalhadores
ligados aos fornecedores.
Os fornecedores
pediram os R$ 25 milhões a
Sudene - Superintendência do
Desenvolvimento do Nordeste - que
coordena as ações destinadas a
seca na região, segundo o
presidente da Federação
Nacional dos Plantadores de Cana
(Feplana), Antonio Celso
Cavalcanti.
Depois da
Assembléia, uma comissão dos
fornecedores foi ao Palácio das
Princesas ter uma audiência com
o governador Miguel Arraes. Os
presidentes do Sindicato dos
Cultivadores de Cana de
Pernambuco, Gerson Carneiro Leão
e do Sindaçúcar - Sindicato da
Indústria do Açúcar de
Pernambuco -, José Ranulfo
Queiroz também fizeram parte da
comissão.
Eles estão
tentando marcar uma audiência
com o presidente da República,
Fernando Henrique Cardoso para
mostrar a situação em que se
encontram os fornecedores de cana
de Pernambuco. Segundo vários
deles, a situação é mais
dramática do que em 93, quando a
estiagem atingiu a zona da mata
do Estado e provocou uma perda de
43% da safra." A cana secou
este ano e a receita caiu em
60%", falou o plantador de
cana Paulo Fernando Vieira,
acrescentando que há mais de 40
anos trabalha com a
cana-de-açúcar no município de
Quipapá e nunca viu uma
"situação tão ruim como a
atual".
"Os
fornecedores estão
descapitalizados e 80% deles
estão sem pagar os salários há
cinco semanas", disse
Antonio Celso Cavalcanti. Em
Pernambuco, cerca de 60 mil
trabalhadores estão ligados aos
fornecedores.
Outro problema
do setor, segundo vários
fornecedores, é a dificuldade de
se conseguir crédito junto a
instituições bancárias. Isso
acontece, porque a
inadimplência, é muito alta e
os bancos evitam emprestar
recursos para aqueles que não
pagaram outros empréstimos.