- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

AGROPECUÁRIA III
Fornecedor de cana acampará na Sudene

Cerca de 400 fornecedores de cana realizaram ontem uma assembléia no Recife e decidiram que irão acampar na frente da Sudene a partir do próximo dia 21 caso o setor não receba uma ajuda emergencial dos governos federal ou estadual. Os fornecedores revindicam ao governo estadual um crédito de 8% do ICMS (Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços) e uma verba de R$ 25 milhões ao Governo Federal que seria usada para pagar os salários dos trabalhadores ligados aos fornecedores.

Os fornecedores pediram os R$ 25 milhões a Sudene - Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste - que coordena as ações destinadas a seca na região, segundo o presidente da Federação Nacional dos Plantadores de Cana (Feplana), Antonio Celso Cavalcanti.

Depois da Assembléia, uma comissão dos fornecedores foi ao Palácio das Princesas ter uma audiência com o governador Miguel Arraes. Os presidentes do Sindicato dos Cultivadores de Cana de Pernambuco, Gerson Carneiro Leão e do Sindaçúcar - Sindicato da Indústria do Açúcar de Pernambuco -, José Ranulfo Queiroz também fizeram parte da comissão.

Eles estão tentando marcar uma audiência com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso para mostrar a situação em que se encontram os fornecedores de cana de Pernambuco. Segundo vários deles, a situação é mais dramática do que em 93, quando a estiagem atingiu a zona da mata do Estado e provocou uma perda de 43% da safra." A cana secou este ano e a receita caiu em 60%", falou o plantador de cana Paulo Fernando Vieira, acrescentando que há mais de 40 anos trabalha com a cana-de-açúcar no município de Quipapá e nunca viu uma "situação tão ruim como a atual".

"Os fornecedores estão descapitalizados e 80% deles estão sem pagar os salários há cinco semanas", disse Antonio Celso Cavalcanti. Em Pernambuco, cerca de 60 mil trabalhadores estão ligados aos fornecedores.

Outro problema do setor, segundo vários fornecedores, é a dificuldade de se conseguir crédito junto a instituições bancárias. Isso acontece, porque a inadimplência, é muito alta e os bancos evitam emprestar recursos para aqueles que não pagaram outros empréstimos.


     

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