MÃE
Quando
a mãe não está tão pertopor SÉRGIO ROBERTO
LIMA
Maria da
Conceição de Mendonça Silva,
de 22 anos, recebeu a reportagem
do JC, na semana passada, com os
olhos cheios d'água. "É
que eu estava dormindo",
despistou. Logo depois, confessou
que se lembrou do filho quando
viu pelas grades da Colônia
Penal Feminina algumas crianças
brincando em frente ao presídio.
Desde que foi
presa, há um ano e sete meses,
não são os sete anos que ainda
terá de passar na penitenciária
a sua principal queixa. A maior
preocupação dela é o filho,
Gênesis, de 3 anos, que está
sendo criado por uma irmã dela
de apenas 16 anos. "Dá uma
raiva quando eu sonho com o meu
filho e acordo pensando que eu
estou em casa", afirma. O
choro, nessas horas, ela diz que
é inevitável.
Durante a
entrevista, ela pede ao repórter
para procurar saber se o filho se
recuperou do cansaço que o
obrigou a ir embora na última
visita dele ao presídio.
"Preciso saber como ele
está. Minha irmã não me dá um
telefonema e eu não tenho como
me comunicar com ela",
lamenta.
Ao contrário
da maioria das presidiárias,
Conceição não tenta convencer
as pessoas de que é inocente ou
de que foi vítima da sua
ingenuidade. Rindo da própria
situação, ela conta como ajudou
o companheiro no assalto a dois
taxistas numa mesma noite, depois
de sairem bêbados de um pagode.
Ela jura que só soube que ele
estava armado depois de assaltar
o primeiro motorista. "Eu
tenho até medo de pegar em
arma", afirma.
Não
satisfeito, o seu companheiro,
segundo ela, decidiu fazer um
segundo assalto. "Eu não
podia deixar ele só. Na
condição em que estava, ia
acabar sendo pego pela polícia e
depois bater na minha casa e
acordar meus irmãos e meu
filho", supõe. A embriaguez
foi a culpada pela prisão do
casal. O comparsa dela acabou
disparando um tiro no próprio
pé.
"A pior
coisa é ver um filho doente e
não poder sair para ir levá-lo
ao médico", reclama,
resumindo um sentimento de
impotência que ela garante ser
dela e das outras 132 das 156
presidiárias que são mães.
Para lembrar do filho, um garoto
louro e esperto, Conceição
colou uma foto do ator Macaulay
Culkin, "o pestinha",
na parede da sua cela.
Uma válvula de
escape do sentimento materno para
a presidiária é cuidar dos
filhos das colegas. "Sempre
que uma presidiária tem filho,
sou eu quem cuida. Mas na hora de
passar as fraldas, bate uma
saudade e aí eu choro muito me
lembrando de Gênesis",
comenta.
Os planos de
Conceição para quando ganhar a
liberdade são arranjar um
emprego e, talvez, ter outro
filho. O companheiro foi
condenado a nove anos de prisão
e está na Penitenciária Aníbal
Bruno. Ela admite que gostaria de
que eles ficassem juntos. Ele
planeja, no entanto, ir viver em
São Paulo. "Nesse caso, eu
fico. Quero criar meu filho aqui
e só uma mulher muito burra
larga o filho por causa de
homem".