MEDICINA
III
Esquizofrenia
surge em pessoas entre 20 e 25
anosSe a depressão pode ser
curada através de terapias e
medicamentos, a esquizofrenia,
apesar de ser controlada
quimicamente, ainda incapacita o
indivíduo para o resto da vida.
A doença atinge cerca de 1,5
milhões de brasileiros, e só
nos Estados Unidos, consome entre
30 a 40 bilhões de dólares
anuais no tratamento dos doentes,
que também variam na faixa dos
1,5 milhões de vítimas.
De acordo com o
coordenador do Projeto
Esquizofrenia (Projesc) do
Hospital das Clínicas da
Faculdade de Medicina da USP,
Mario Louzã, a doença pode se
desenvolver tanto geneticamente
quanto por fatores externos.
"Mas a maioria das pessoas
que sofrem da doença tem mesmo
predisposição genética",
diz. Complicações no parto e
alterações no cérebro durante
o período embrionário também
podem acarretar a doença, que
atinge preferencialmente pessoas
na faixa dos 20 a 25 anos.
As áreas mais
afetadas no cérebro são o lobo
frontal e o lobo temporal, este
último relacionado às emoções
afetivas, também a área que nos
difere como seres humanos. Em
alguns casos, acontece uma
deformação quase imperceptível
da anatomia cerebral, fato hoje
usado para a avaliação dos
casos. "Como atinge pessoas
no início da idade adulta, a
esquizofrenia causa uma grande
perda de produtividade na
população em geral.
Nos EUA, 10%
dos incapacitados são
esquizofrênicos". Os
principais sintomas da doença
são delírios, alucinações,
catatonia e discurso
desorganizado. Também há casos
de embotamento afetivo ou crises
de agitação. Todos os
portadores de esquizofrenia
precisam tomar medicamentos para
o resto da vida, mantendo assim
uma estabilidade orgância
(sistema de remissão).
APENAS
NEUROSES - Para o
presidente da Associação dos
Psicóticos Anônimos (APA) e do
Projeto Fênix, Luiz Barros, um
dos maiores desafios enfrentados
pelos portadores de doenças
mentais é a readaptação ao
meio em que vivem. Barros, que é
portador de doença mental, diz
que as próprias vítimas têm
dificuldades de assumir sua
doença. "É difícil se
classificar como um louco, e
ninguém suporta ser tratado ou
chamado assim".
Junto a outros
portadores, Barros fundou o
Projeto Fênix, que promove a
reintegração social de pessoas
com esquizofrenia, depressões
profundas, psicoses e outras
doenças. "Defendemos a
reeducação como forma de
reabilitação social",
ensina. A visão preconceituosa
sobre a relação da
esquizofrenia e da violência O
tratamento dispensado aos doentes
mentais no Brasil também é
criticado por Luiz Barros, que
acusa muitos psiquiatras a
simplesmente recusarem alguns
casos, por não saberem lidar com
problemas mais complexos.
"Os
psiquiatras são formados para
tratarem de problemas como
neuroses ou crises existenciais.
São poucos os profissionais que
aceitam casos como os
nossos", continua. Os
membros dos Psicóticos Anônimos
vêm fazendo pressão política
para a revisão do projeto de lei
do deputado Paulo Salgado, que
tramita no Senado Federal há
nove anos. "O projeto foi
esquecido pelos parlamentares,
está no fundo da gaveta e não
é sequer lembrado. Queremos que
ele seja revisto e, finalmente,
aprovado".