- - - -...............................................-Jornal do Commercio - Recife, 10 de maio de 1998

MEDICINA III
Esquizofrenia surge em pessoas entre 20 e 25 anos

Se a depressão pode ser curada através de terapias e medicamentos, a esquizofrenia, apesar de ser controlada quimicamente, ainda incapacita o indivíduo para o resto da vida. A doença atinge cerca de 1,5 milhões de brasileiros, e só nos Estados Unidos, consome entre 30 a 40 bilhões de dólares anuais no tratamento dos doentes, que também variam na faixa dos 1,5 milhões de vítimas.

De acordo com o coordenador do Projeto Esquizofrenia (Projesc) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Mario Louzã, a doença pode se desenvolver tanto geneticamente quanto por fatores externos. "Mas a maioria das pessoas que sofrem da doença tem mesmo predisposição genética", diz. Complicações no parto e alterações no cérebro durante o período embrionário também podem acarretar a doença, que atinge preferencialmente pessoas na faixa dos 20 a 25 anos.

As áreas mais afetadas no cérebro são o lobo frontal e o lobo temporal, este último relacionado às emoções afetivas, também a área que nos difere como seres humanos. Em alguns casos, acontece uma deformação quase imperceptível da anatomia cerebral, fato hoje usado para a avaliação dos casos. "Como atinge pessoas no início da idade adulta, a esquizofrenia causa uma grande perda de produtividade na população em geral.

Nos EUA, 10% dos incapacitados são esquizofrênicos". Os principais sintomas da doença são delírios, alucinações, catatonia e discurso desorganizado. Também há casos de embotamento afetivo ou crises de agitação. Todos os portadores de esquizofrenia precisam tomar medicamentos para o resto da vida, mantendo assim uma estabilidade orgância (sistema de remissão).

APENAS NEUROSES - Para o presidente da Associação dos Psicóticos Anônimos (APA) e do Projeto Fênix, Luiz Barros, um dos maiores desafios enfrentados pelos portadores de doenças mentais é a readaptação ao meio em que vivem. Barros, que é portador de doença mental, diz que as próprias vítimas têm dificuldades de assumir sua doença. "É difícil se classificar como um louco, e ninguém suporta ser tratado ou chamado assim".

Junto a outros portadores, Barros fundou o Projeto Fênix, que promove a reintegração social de pessoas com esquizofrenia, depressões profundas, psicoses e outras doenças. "Defendemos a reeducação como forma de reabilitação social", ensina. A visão preconceituosa sobre a relação da esquizofrenia e da violência O tratamento dispensado aos doentes mentais no Brasil também é criticado por Luiz Barros, que acusa muitos psiquiatras a simplesmente recusarem alguns casos, por não saberem lidar com problemas mais complexos.

"Os psiquiatras são formados para tratarem de problemas como neuroses ou crises existenciais. São poucos os profissionais que aceitam casos como os nossos", continua. Os membros dos Psicóticos Anônimos vêm fazendo pressão política para a revisão do projeto de lei do deputado Paulo Salgado, que tramita no Senado Federal há nove anos. "O projeto foi esquecido pelos parlamentares, está no fundo da gaveta e não é sequer lembrado. Queremos que ele seja revisto e, finalmente, aprovado".


     

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