CONSUMO
Problema
com suporte? Dá o boot que
resolve!por FELIPE HOLDER
Especial para o JC
Comprei um
micro novo. Saí da loja pulando
de alegria e fui logo pra casa
pensando em ligar o danado. Tão
bonito, todo cinza! E com
tecnologia MMX - que, não sei
porque, pensei já ter visto em
algum rótulo de pasta de dentes.
O vendedor disse que ele era
ligeirinho, exatamente como eu
queria.
O entusiasmo,
porém, só durou o tempo que
levei para chegar até a minha
casa. Não é que o micro nem
chegou a ligar? Levei mais de uma
hora montando o danado e, na hora
de funcionar, ele simplesmente
começou a apitar e não parou
mais. Desliguei, liguei de novo e
nada. Tentei mais umas quatro
vezes e finalmente desisti. No
outro dia, liguei pro vendedor:
- Germano,
aquele micro que você me vendeu
ontem não quer funcionar. Só
apita.
- Eita! É
mesmo?... Olha, o senhor vai ter
que trazer ele aqui, pra gente
ver o que é.
- Você não
sabe o que é esse apito?
- Sem ouvir,
não. A gente vai ter que
examinar aqui. Mas não se
aperreie não, que a gente
ajeita.
- Não quer
ouvir o apito pelo telefone?
- Não. Porque
o telefone daqui também apita e
eu vou me atrapalhar todinho.
Melhor o senhor trazer.
- Vai ser uma
trabalho danado! Mas já que é o
jeito, eu levo.
Na manhã
seguinte deixei o micro na loja.
Aos cuidados de Joaquim, pois
Germano não estava. Dois dias
depois peguei o micro de volta.
Dessa vez com Luís, pois quem
não estava agora era Joaquim.
- Foi um pente
de memória que estava com
defeito. Agora está funcionando
bem.
- Dois dias pra
trocar um pente de memória? E
por que não testaram antes de me
vender?
- É. O senhor
sabe, tem muitos micros aqui pra
gente ver...
Deu vontade de
perguntar se para trabalhar havia
algum, mas deixei pra lá. Voltei
para casa, certo de que agora a
coisa ia! Mas não foi. O micro
até que ligou, mas o mouse
estava louco: eu puxava para a
direita, ele ia para a esquerda;
eu mexia em diagonal, o peste
andava em ziguezague. Acertar um
botãozinho qualquer tinha virado
uma tarefa impossível. Telefonei
novamente:
- Boa tarde. Eu
gostaria de falar com Joaquim ou
com Luís.
- Nenhum dos
dois está. Aqui é Celso. Pode
ser comigo?
- Desde que
você resolva o meu problema...
- Resolvo.
Aqui, falar com um é o mesmo que
falar com o outro.
- O micro que
eu trouxe daí ontem já está
com outro defeito. O problema
agora é
no mouse.
Endoidou.
- Ele está
limpinho?
- Deveria
estar. Eu o comprei aí na semana
passada e só tirei da caixa
hoje.
- Já passou
álcool na bola?
- Tá doido?
Já passou na sua? Deve arder que
só!
- Estou falando
da bola do mouse. Pode ser que
tenha entrado alguma poeirinha
lá.
- Não tem
poeirinha nenhuma. Acabei de
tirar o mouse da caixa.
- Ah, então
dê uma olhada na bola, e veja se
tem algum cabelinho enganchado.
- Rapaz, eu já
disse: acabei de tirar o mouse da
caixa! Nesta bola não tem
poeirinha nem cabelinho nenhum!
E, se tiver, foram vocês que
botaram!
- Então eu
não sei não. O senhor vai ter
que trazer o micro aqui de novo.
- Tá
brincando? Você tem que arranjar
outra solução! Eu que não vou
aí novamente!
- É o
seguinte: o senhor já deu o
boot?
Aí eu não
agüentei:
- Olhe aqui
rapaz, não venha com ignorância
não, que você vai ver! Chame o
gerente!
O gerente
atendeu o telefone, foi muito
gentil e desfez o mal-entendido,
explicando o que vinha a ser dar
o boot. Ainda mandou uma moça na
minha casa, no mesmo dia, para
resolver o problema. E ela
resolveu num minuto: em
silêncio, pegou o mouse, olhou,
constatou que estava quebrado e
trocou por um novo. Tão simples!
Quem entende não fala muito;
conserta e pronto.
Quando for
comprar um micro, melhor
perguntar a alguém aonde ir. Pra
depois não dar vontade de sair
por aí, distribuindo catiripapo
no toitiço de ninguém. Ainda
falam de empresa pública...
*Felipe
Holder - abuzadim@greia.com.br- é o lado B da
dupla personalidade de Abu Zadim,
editor-geral de A Gréia