-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - --- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

ARMA PODEROSA
Índia assombra o mundo com testes nucleares subterrâneos

NOVA DÉLHI - A Índia realizou ontem três testes nucleares subterrâneos, os primeiros desde 1974, e, pela primeira vez, informou que pode construir uma arma nuclear. "Estes testes demonstraram que a Índia tem capacidade para manter um programa nuclear bélico", declarou o primeiro-ministro nacionalista hindu Atal Bihari Vajpayee.

Os Estados Unidos já manifestaram seu profundo desapontamento com a realização dos testes e estudam a possibilidade de aplicar sanções contra a Índia. O Paquistão, antigo rival da Índia, condenou duramente os testes. O governo paquistanês informou que eles podem ameaçar a paz e procurará tornar suas defesas "impenetráveis para qualquer ameaça indiana, seja nuclear ou convencional".

Vajpayee declarou que as explosões, realizadas às 7h15 de Brasília, num campo de testes no deserto do Estado de Rajastão, a 550 quilômetros a sudoeste de Nova Délhi, não dispersaram radiação na atmosfera. Brijesh Mishra, assessor do primeiro-ministro, disse horas depois à imprensa que as explosões experimentais, que atingiram 5 pontos na escala Richter, ajudarão aos cientistas a desenhar "armas nucleares de várias potências para aplicações diversas e fazer simulações por computadores que substituiriam as explosões.

Indagado sobre o pretexto para os ensaios nucleares, Mishra disse: "O pretexto é nossa segurança. Os testes assegurarão ao povo indiano que os interesses de segurança nacional são de suma importância e serão promovidos e protegidos".

A Índia nunca havia utilizado anteriormente a palavra "arma" ao referir-se a seu programa nuclear, apesar de acreditar-se que ela estava aperfeiçoando uma bomba nuclear. A Índia, que se recusou a assinar em 1996 o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (NTP) e o Tratado Geral de Banimento de Testes Nucleares, sempre argumentou que os tratados são discriminatórios e pretendia manter suas opções nucleares porque China e Paquistão, com quem já travou quatro guerras, têm capacidade bélica nuclear.

O NTP dá somente a cinco países - Estados Unidos, Rússia, França, Grã-Bretanha e China - o direito de possuir armas nucleares.

Quando Vajpayee assumiu o governo em março prometeu "exercer a opção nuclear", mas não explicou se se referia à construção de uma bomba.

Observadores consideram que o temor à China é o centro das ambições nucleares da Índia. Os dois países mais populosos do mundo travaram uma breve, mas sangrenta luta em 1962, dois anos antes de a China realizar seu primeiro ensaio nuclear. Os testes indianos ocorreram após recentes comentários do ministro da Defesa indiano, George Fernandes, de que a a China é o inimigo número 1 da Índia. Ele acusou Pequim, que há tempos mantém uma estreita relação militar com Islamabad, de fornecer tecnologia nuclear ao Paquistão.


 
 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes