ARMA
PODEROSA
Índia
assombra o mundo com testes
nucleares subterrâneosNOVA DÉLHI - A
Índia realizou ontem três
testes nucleares subterrâneos,
os primeiros desde 1974, e, pela
primeira vez, informou que pode
construir uma arma nuclear.
"Estes testes demonstraram
que a Índia tem capacidade para
manter um programa nuclear
bélico", declarou o
primeiro-ministro nacionalista
hindu Atal Bihari Vajpayee.
Os Estados
Unidos já manifestaram seu
profundo desapontamento com a
realização dos testes e estudam
a possibilidade de aplicar
sanções contra a Índia. O
Paquistão, antigo rival da
Índia, condenou duramente os
testes. O governo paquistanês
informou que eles podem ameaçar
a paz e procurará tornar suas
defesas "impenetráveis para
qualquer ameaça indiana, seja
nuclear ou convencional".
Vajpayee
declarou que as explosões,
realizadas às 7h15 de Brasília,
num campo de testes no deserto do
Estado de Rajastão, a 550
quilômetros a sudoeste de Nova
Délhi, não dispersaram
radiação na atmosfera. Brijesh
Mishra, assessor do
primeiro-ministro, disse horas
depois à imprensa que as
explosões experimentais, que
atingiram 5 pontos na escala
Richter, ajudarão aos cientistas
a desenhar "armas nucleares
de várias potências para
aplicações diversas e fazer
simulações por computadores que
substituiriam as explosões.
Indagado sobre
o pretexto para os ensaios
nucleares, Mishra disse: "O
pretexto é nossa segurança. Os
testes assegurarão ao povo
indiano que os interesses de
segurança nacional são de suma
importância e serão promovidos
e protegidos".
A Índia nunca
havia utilizado anteriormente a
palavra "arma" ao
referir-se a seu programa
nuclear, apesar de acreditar-se
que ela estava aperfeiçoando uma
bomba nuclear. A Índia, que se
recusou a assinar em 1996 o
Tratado de Não-Proliferação
Nuclear (NTP) e o Tratado Geral
de Banimento de Testes Nucleares,
sempre argumentou que os tratados
são discriminatórios e
pretendia manter suas opções
nucleares porque China e
Paquistão, com quem já travou
quatro guerras, têm capacidade
bélica nuclear.
O NTP dá
somente a cinco países - Estados
Unidos, Rússia, França,
Grã-Bretanha e China - o direito
de possuir armas nucleares.
Quando Vajpayee
assumiu o governo em março
prometeu "exercer a opção
nuclear", mas não explicou
se se referia à construção de
uma bomba.
Observadores
consideram que o temor à China
é o centro das ambições
nucleares da Índia. Os dois
países mais populosos do mundo
travaram uma breve, mas sangrenta
luta em 1962, dois anos antes de
a China realizar seu primeiro
ensaio nuclear. Os testes
indianos ocorreram após recentes
comentários do ministro da
Defesa indiano, George Fernandes,
de que a a China é o inimigo
número 1 da Índia. Ele acusou
Pequim, que há tempos mantém
uma estreita relação militar
com Islamabad, de fornecer
tecnologia nuclear ao Paquistão.