SUCESSÃO
"Fantasma"
da intervenção já assusta
petistas de Pernambucopor SHEILA BORGES
Os petistas
pernambucanos não têm dúvidas:
se o partido não firmar aliança
com o PSB do governador Miguel
Arraes, o diretório nacional vai
intervir, da mesma forma que fez
com o diretório do Rio de
Janeiro. "Foi uma mensagem
clara do nacional porque há uma
deliberação para o partido se
coligar com o PDT e o PSB em todo
o país", admitiu o deputado
estadual João Paulo (PT). Ele
afirmou que, a partir de agora,
os diretórios locais "devem
se adequar à política de
aliança do nacional" com o
objetivo de viabilizar a
candidatura de Luiz Inácio Lula
da Silva à Presidência da
República.
João Paulo
argumentou ainda que o fato do
diretório nacional ter anulado a
candidatura de Vlademir Palmeira
ao Governo do Rio, para garantir
a aliança com o PDT de Leonel
Brizola, não quebra a democracia
interna dos petistas. Ele
esclareceu, no entanto, que a
deliberação só será
descumprida se o PSB de Arraes se
unir ao PPB do ex-governador de
São Paulo, Paulo Maluf.
"Mas em relação a isso
também há uma unidade
interna", defendeu.
O presidente do
diretório do PT de Olinda, Paulo
Valença, também concordou com
João Paulo. "Não foi uma
intervenção, mas uma
prerrogativa da direção
nacional, já havia uma política
traçada anteriormente",
lembrou. Ele ressaltou inclusive
que essa decisão representa uma
evolução na política de
alianças dos petistas. "Em
Olinda, por exemplo, houve
imaturidade nesse sentido. Temos
que nos aliar aos semelhantes,
há diferenças, mas se não
houvesse seríamos um único
partido".
O PT realiza
seu encontro regional no próximo
final de semana para definir uma
posição oficial. Os deputados
federais Fernando Ferro e
Humberto Costa, assim como o
vereador Dílson Peixoto, são à
favor de uma coligação com
Arraes. O deputado estadual Paulo
Rubem Santiago e o vereador
Sérgio Leite, são contra.
Para o
cientista político Michel
Zaidan, o PT enfrenta um dilema:
o de ser um partido que quer o
poder e não apenas marcar
presença, sem desrespeitar os
grupos internos. "O grande
problema é lidar com essas
facções que não obedecem a
nenhuma diretriz unificada",
analisou. Mas isso, segundo
Zaidan, não pode ser utilizado
para desqualificar o partido.
"O PT é democrático, só
que isso as vezes é confundido e
os grupos não seguem a linha
principal".