- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

SUCESSÃO
"Fantasma" da intervenção já assusta petistas de Pernambuco

por SHEILA BORGES

Os petistas pernambucanos não têm dúvidas: se o partido não firmar aliança com o PSB do governador Miguel Arraes, o diretório nacional vai intervir, da mesma forma que fez com o diretório do Rio de Janeiro. "Foi uma mensagem clara do nacional porque há uma deliberação para o partido se coligar com o PDT e o PSB em todo o país", admitiu o deputado estadual João Paulo (PT). Ele afirmou que, a partir de agora, os diretórios locais "devem se adequar à política de aliança do nacional" com o objetivo de viabilizar a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

João Paulo argumentou ainda que o fato do diretório nacional ter anulado a candidatura de Vlademir Palmeira ao Governo do Rio, para garantir a aliança com o PDT de Leonel Brizola, não quebra a democracia interna dos petistas. Ele esclareceu, no entanto, que a deliberação só será descumprida se o PSB de Arraes se unir ao PPB do ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf. "Mas em relação a isso também há uma unidade interna", defendeu.

O presidente do diretório do PT de Olinda, Paulo Valença, também concordou com João Paulo. "Não foi uma intervenção, mas uma prerrogativa da direção nacional, já havia uma política traçada anteriormente", lembrou. Ele ressaltou inclusive que essa decisão representa uma evolução na política de alianças dos petistas. "Em Olinda, por exemplo, houve imaturidade nesse sentido. Temos que nos aliar aos semelhantes, há diferenças, mas se não houvesse seríamos um único partido".

O PT realiza seu encontro regional no próximo final de semana para definir uma posição oficial. Os deputados federais Fernando Ferro e Humberto Costa, assim como o vereador Dílson Peixoto, são à favor de uma coligação com Arraes. O deputado estadual Paulo Rubem Santiago e o vereador Sérgio Leite, são contra.

Para o cientista político Michel Zaidan, o PT enfrenta um dilema: o de ser um partido que quer o poder e não apenas marcar presença, sem desrespeitar os grupos internos. "O grande problema é lidar com essas facções que não obedecem a nenhuma diretriz unificada", analisou. Mas isso, segundo Zaidan, não pode ser utilizado para desqualificar o partido. "O PT é democrático, só que isso as vezes é confundido e os grupos não seguem a linha principal".


     

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