SUCESSÃO/ SECA
Joaquim:
negociação evitaria saquesO ex-governador Joaquim
Francisco (PFL) afirmou, ontem,
que o Governo Federal poderia ter
evitado o conflito direto com o
Movimento dos Sem Terra, se
tivesse negociado para evitar a
organização dos saques.
"De certa maneira o Governo
aguardou, deixou acontecer, para
depois fechar a porta",
disse, com a experiência de quem
enfrentou uma seca forte quando
governou o Estado em 93.
"Foi a
maior seca dos últimos 20 anos,
mas não tivemos nenhum saque,
porque vínhamos negociando com o
MST", afirmou Joaquim,
primeiro a participar da série
de debates sobre a seca com
ex-governadores, promovido pela
Rádio Jornal. Além dele,
aceitaram o convite para
participar os ex-governadores
Roberto Magalhães, Carlos Wilson
e Cid Sampaio. O vice-presidente
Marco Maciel foi convidado mas
ainda não confirmou.
Na avaliação
de Joaquim Francisco, o problema
da seca tem de ser combatido em
três vertentes: distribuição
de cestas básicas, frentes de
trabalho e uma ação imediata no
estoque regulador de alimentos,
para enfrentar a alta dos preços
dos produtos. "É preciso
evitar a inflação especificada,
de alguns produtos em função da
seca", afirmou, ressaltando
que essa é uma das faces cruéis
da estiagem. Joaquim acha que o
Governo deve importar de outras
regiões produtos como o feijão.
O ex-governador
admitiu a existência de líderes
políticos que utilizam a seca
para se perpetuar no poder, mas
descarta que isso seja uma regra.
Com relação ao Movimento dos
Sem Terra, também acusado de
utilizar-se politicamente da
seca, o ex-governador defende o
diálogo, mas critica os saques,
"que representam a quebra da
ordem jurídica no País".