SUCESSÃO / PARTIDOS
Roberto
Campos afirma que a aliança
PSB/PPB é "absurda"por LUCIANA DE SOUZA
LEÃO
O deputado
federal Roberto Campos (PPB-RJ)
considerou ontem
"absurda" a aliança
eleitoral entre o seu partido e o
PSB do governador Miguel Arraes,
a ser formalizada nos próximos
dias pela secção regional do
PPB no Estado. "Não tem
minha simpatia a decisão do PPB
local. O governador Arraes
representa o anticapitalismo, o
nacionalismo primitivo, o
intervencionismo, coisas que não
estão no dicionário do
PPB", afirmou o parlamentar,
que esteve ontem no Recife. Para
Campos, um dos principais
ideólogos da direita brasileira,
a decisão tomada por deputados
federais e estaduais do seu
partido de aliar-se com os
socialistas pernambucanos é uma
"depravação local".
Campos destacou
que a formação de alianças
regionais não está sendo objeto
de discussão entre os dirigentes
nacionais do partido. Ele disse
que o argumento usado pela
direção regional para
justificar o acordo com o PSB -
de ampliar os espaços do partido
e chegar ao poder - implica numa
"elasticidade
ideológica", no seu
entender, "não muito
saudável".
Para Roberto
Campos, alianças como essa e a
que está unindo Lula e Leonel
Brizola - nacionalmente - mostram
que a esquerda está
"saudavelmente
desorganizada". "Essa
é uma confusão que a esquerda
sofre internacionalmente, desde a
derrocada do socialismo. Lula e
Brizola, juntos, representam a
união do analfabetismo com o
obsoletismo", disse o
deputado. Caso a chapa
Lula-Brizola obtenha êxito nas
eleições de outubro, Campos
prevê "mais uma década
perdida".
Defensor de um
segundo mandato para o presidente
Fernando Henrique Cardoso (PSDB)
- que "tem qualidades
pessoais bastante
aceitáveis" - Roberto
Campos disse estar confiante no
processo de abertura gradual da
economia implantado no atual
governo. "Ainda precisamos
mexer no monopólio do petróleo,
por exemplo", lembrou o
deputado, que considera o
monopólio estatal a cassação
do direito individual de
produzir.
Campos acredita
firmemente na reeleição de FHC,
seu ex-companheiro no Senado,
porque os adversários do
presidente são
"medíocres". Para ele,
Fernando Henrique, que vem de
posições de esquerda, mudou de
postura, absorvendo o essencial
da modernidade. "Ele
percebeu os ventos da mudança. A
biruta funcionou no aeroporto
mental do presidente",
afirmou o pepebista, que veio ao
Recife proferir a aula inaugural
das Faculdades Integradas do
Recife (Fir), no Mar Hotel,
abordando a globalização e os
novos rumos da economia
brasileira.