- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de maio de 1998

SUCESSÃO / PARTIDOS
Roberto Campos afirma que a aliança PSB/PPB é "absurda"

por LUCIANA DE SOUZA LEÃO

O deputado federal Roberto Campos (PPB-RJ) considerou ontem "absurda" a aliança eleitoral entre o seu partido e o PSB do governador Miguel Arraes, a ser formalizada nos próximos dias pela secção regional do PPB no Estado. "Não tem minha simpatia a decisão do PPB local. O governador Arraes representa o anticapitalismo, o nacionalismo primitivo, o intervencionismo, coisas que não estão no dicionário do PPB", afirmou o parlamentar, que esteve ontem no Recife. Para Campos, um dos principais ideólogos da direita brasileira, a decisão tomada por deputados federais e estaduais do seu partido de aliar-se com os socialistas pernambucanos é uma "depravação local".

Campos destacou que a formação de alianças regionais não está sendo objeto de discussão entre os dirigentes nacionais do partido. Ele disse que o argumento usado pela direção regional para justificar o acordo com o PSB - de ampliar os espaços do partido e chegar ao poder - implica numa "elasticidade ideológica", no seu entender, "não muito saudável".

Para Roberto Campos, alianças como essa e a que está unindo Lula e Leonel Brizola - nacionalmente - mostram que a esquerda está "saudavelmente desorganizada". "Essa é uma confusão que a esquerda sofre internacionalmente, desde a derrocada do socialismo. Lula e Brizola, juntos, representam a união do analfabetismo com o obsoletismo", disse o deputado. Caso a chapa Lula-Brizola obtenha êxito nas eleições de outubro, Campos prevê "mais uma década perdida".

Defensor de um segundo mandato para o presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - que "tem qualidades pessoais bastante aceitáveis" - Roberto Campos disse estar confiante no processo de abertura gradual da economia implantado no atual governo. "Ainda precisamos mexer no monopólio do petróleo, por exemplo", lembrou o deputado, que considera o monopólio estatal a cassação do direito individual de produzir.

Campos acredita firmemente na reeleição de FHC, seu ex-companheiro no Senado, porque os adversários do presidente são "medíocres". Para ele, Fernando Henrique, que vem de posições de esquerda, mudou de postura, absorvendo o essencial da modernidade. "Ele percebeu os ventos da mudança. A biruta funcionou no aeroporto mental do presidente", afirmou o pepebista, que veio ao Recife proferir a aula inaugural das Faculdades Integradas do Recife (Fir), no Mar Hotel, abordando a globalização e os novos rumos da economia brasileira.


     

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