GOVERNO / CONGRESSO
Oposição
adota tática de
"guerrilha" contra
reformaBRASÍLIA - Os
partidos de oposição adotarão
tática de "guerrilha"
para tentar impedir a conclusão
da votação da reforma da
Previdência Social, caso o
Governo insista em não
reconhecer como superada a
derrubada da idade mínima para
as aposentadorias. "Estamos
dispostos a iniciar greve de
fome, apitaço, tudo para
obstruir as futuras
votações", ameaçou o
líder do PT na Câmara, Marcelo
Deda (SE). Segundo ele,
"todas as vezes que o
Governo perde tenta armar golpes
jurídicos e regimentais",
acusou o líder. Deda disse ainda
que as oposições não
aceitarão a retificação do
voto do ex-ministro Antônio
Kandir (PSDB). "O
ex-ministro tem que curtir sua
dor de cotovelo de forma
tradicional. Com uma boa música,
uma boa bebida, um bom fim de
noite e desistir de forçar toda
a Câmara a errar como ele",
desafiou o líder do PT.
Deda conclamou
os sindicatos a enviarem amanhã
a Brasília, pelo menos, três
representantes de cada um dos
sindicatos existentes no País,
para ajudar as oposições a
enfrentar as manobras
governistas. "Não vamos
aceitar esse golpe de considerar
uma idade maior do que a que foi
rejeitada pela maioria do
plenário", anunciou Deda,
referindo-se à manobra do
Governo de tentar fazer vigorar a
idade de 65 anos para homens e 55
para mulheres, cinco anos a mais
do que a idade mínima de 60 anos
rejeitada pelo plenário.
"Ganhamos na disputa o
destaque da idade mínima e não
vamos perder por causa de uma
interpretação gramatical",
informou Deda.
Hoje, todos os
líderes dos partidos de
oposição se reúnem para
avaliar a tática de obstrução
a ser iniciada, caso o Governo
não aceite a derrota na
votação da Previdência,
ocorrida na semana passada.
"Se o encaminhamento da
votação for normal
continuaremos regimentalmente
nossa batalha oposicionista. Mas
se o Governo rasgar o pacto de
convivência e desprezar as
regras regimentais, as
oposições vão partir para
táticas jamais vistas na
Câmara", disse.
REFORMA
ADMINISTRATIVA - O Senado
vota hoje a redação final da
reforma administrativa. À noite,
o Congresso tentará concluir a
votação das medidas
provisórias que tratam de
questões administrativas. Só
após a votação destas MPs é
que a reforma será promulgada. O
Governo terá ainda de submeter
aos parlamentares 20 projetos de
lei, leis ordinárias e
complementares, que irão
regulamentar suas principais
medidas.