SECA
Inquéritos
vão investigar os responsáveis
pelos saquesTrês inquéritos foram
instaurados, ontem, na Polícia
Federal em Pernambuco, para
investigar os responsáveis por
saques ocorridos nas duas
últimas semanas. Os saques
atingiram armazéns da Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab)
- órgão ligado ao Ministério
da Agricultura -, em Afogados da
Ingazeira e Arcoverde, e
caminhões que traziam alimentos
do Programa Comunidade
Solidária, do Governo Federal,
em Santa Maria da Boa Vista. Ao
contrário do que divulgou o
Ministério da Justiça, ontem, a
Assessoria de Comunicação da PF
no estado não confirmou o
envolvimento de qualquer nome do
MST entre os suspeitos.
Em relatório
nacional da PF divulgado, ontem,
pelo ministro da Justiça, Renan
Calheiros, líderes do MST em
Pernambuco estariam incluídos
nos inquéritos federais, entre
os quais, o coordenador estadual,
Jaime Amorim. "Só com o
resultado das investigações,
poderemos saber os responsáveis.
Por enquanto, não há
nomes", disse o assessor de
comunicação da PF em
Pernambuco, Joaquim Souza Neto.
Segundo Jaime
Amorim, o ministro estaria, na
verdade, tentando
"desencavar" um
inquérito antigo (ele acha que,
de 95) onde foi acusado de
participar de um incêndio
durante ocupação à sede do
Incra em Pernambuco. "Com
relação a saques, o Ministério
não pode fazer nada contra nós,
pois estaria passando por cima do
Poder Judiciário e de toda uma
investigação a ser encaminhada
pela polícia", comentou.
A presidente
dos inquéritos, a delegada
Joseny Simas, da Coordenação
Judiciária, deverá enviar,
hoje, equipes da PF aos
municípios. Os responsáveis
poderão ser indiciados por
acusações de furto (reclusão
de um a quatro anos e multa),
roubo (reclusão de quatro a 10
anos e multa), formação de
quadrilha (reclusão de um a
três anos) e danos a prédios
públicos (detenção de um a
seis meses ou multa).
O
superintendente da PF no estado,
Lacerda Carlos Júnior, não
revelou a estratégia para
proteger os 15 comboios com
alimentos que estão vindo das
regiões Sul e Sudeste para os
flagelados da seca. Nem disse,
também, quantos homens quando os
caminhões - que, segundo boatos,
estariam na Bahia - chegarão à
fronteira de Pernambuco.