SECA II
Famílias
de agricultores presos reclamam
de injustiçaVICÊNCIA - As
famílias dos agricultores Luiz
Lucas da Silva e Ismael Ciro
Luiz, presos, no Aníbal Bruno,
por terem participado de um saque
a um supermercado do município
de Aliança na semana passada,
estão em desespero. A esposa de
Ismael, Maria do Carmo da
Conceição, 31, diz, aos
prantos, que o marido não é
assassino, nem marginal.
"Ele só não queria ver a
família morrer de fome",
desabafou, lembrando que só não
foi visitar o marido no Presídio
porque não tem dinheiro para a
passagem. "Vivemos de
esmolas há alguns meses",
confessa.
Morando com a
mãe e os dois filhos na Vila de
Trigueiro, distrito de Vicência,
Maria diz que Ismael ia começar
a plantar na terra onde foi
assentado no Engenho Camarazal,
em Nazaré da Mata. Ontem choveu
na região e só a gleba dele
não foi semeada. Luiz Silva, com
dez filhos, além de pobre, tem
atestado de loucura. "Há
dois anos ele esteve mau e foi
considerado louco pelos
médicos", disse sua filha,
Lindacy Severina da Silva, 24,
lembrando que, desde então, a
família depende do salário de
um dos irmãos para sobreviver.
O desembargador
Ozael Veloso, do Tribunal de
Justiça do Estado, ficou de
despachar, hoje, o pedido de
habeas corpus dos advogados da
dupla, que estão confiantes na
libertação. "Eles não
são líderes do MST como foi
divulgado pelo Ministério da
Justiça e nem tem antecendentes
criminais.