- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 07 de maio de 1998

BERLIM
Um laboratório de uma Europa sem fronteiras

por DÉBORA CARTAXO
Especial para o JC

O mundo volta a descobrir Berlim. Desde a queda do muro, em novembro de 1989, a cidade não recebia tantos turistas como aconteceu no ano passado. E esse ano o número de visitantes deve ser maior. Sete anos após a reunificação alemã, os projetos de reconstrução e reestruturação da cidade deixam os escritórios de arquitetura para mudar substancialmente a paisagem e transformar Berlim numa espécie de laboratório da unificação alemã e de uma Europa sem fronteiras internas.

Além disso, Berlim possui uma oferta cultural imensa, uma vida noturma sem hora para fechar e um passado histórico que sempre a colocou no centro dos grandes acontecimentos deste século. Na cidade foram tramadas duas guerras mundiais; ela chegou a ser considerada capital do mundo na década de vinte; foi quase totalmente destruída na segunda guerra e durante quase trinta anos dividida por um muro. Aqui foram inventados o computador, a televisão e a garrafa térmica.

Após a segunda guerra mundial (1939-45) cerca de 75% do centro da cidade estavam em ruínas. Como o resto do país, Berlim foi dividida em quatro setores, controlados pelos países vencedores da guerra (Inglaterra, França, Estados Unidos e a antiga União Soviética). Mas, logo a aliança foi rompida e o desenvolvimento político e econômico - do lado oriental fiscalizado pela antiga União Soviética, e do lado ocidental pelos outros três países - tomou rumos diferentes, apesar das fronteiras ainda estarem abertas.

No dia 13 de agosto de 1961, a fim de evitar que mais alemães passassem para o outro lado, o governo da antiga Alemanha Oriental ordenou a construção do muro transformando Berlim ocidental numa ilha dentro da Alemanha comunista. A partir daí, a cidade passou a representar o símbolo da guerra fria e, ao mesmo tempo, o centro da espionagem. Até 1989, com o fim do muro, 70 pessoas haviam morrido tentando atravessar a fronteira e 100 haviam sido mortas por soldados.

Hoje, Berlim significa mudança em tempo recorde. A decisão do Parlamento de transferir a sede da capital federal de Bonn para Berlim, tomada em 1991, transformou a cidade no maior canteiro de obras da Europa. Prédios antigos estão sendo reformados para receber ministérios, outros estão sendo construídos para abrigar o corpo diplomático. Governo e empresas privadas pretendem transformar a Potsdamer Platz, (no início do século a principal região de comércio da cidade, depois da guerra totalmente destruída e durante a guerra fria área de segurança próxima ao muro) num moderno centro de comércio e lazer. No Info-Box, um prédio de três andares bem no meio das obras, você pode obter informações detalhadas sobre os projetos e ver como a Potsdamer Platz vai ficar daqui a alguns anos. O que metrópoles levaram décadas para construir, Berlin quer realizar em poucos anos. Mais um motivo para enriquecer a singularidade da cidade.


     

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