BERLIM
Um
laboratório de uma Europa sem
fronteiras por DÉBORA CARTAXO
Especial para o JC
O mundo volta a
descobrir Berlim. Desde a queda
do muro, em novembro de 1989, a
cidade não recebia tantos
turistas como aconteceu no ano
passado. E esse ano o número de
visitantes deve ser maior. Sete
anos após a reunificação
alemã, os projetos de
reconstrução e reestruturação
da cidade deixam os escritórios
de arquitetura para mudar
substancialmente a paisagem e
transformar Berlim numa espécie
de laboratório da unificação
alemã e de uma Europa sem
fronteiras internas.
Além disso,
Berlim possui uma oferta cultural
imensa, uma vida noturma sem hora
para fechar e um passado
histórico que sempre a colocou
no centro dos grandes
acontecimentos deste século. Na
cidade foram tramadas duas
guerras mundiais; ela chegou a
ser considerada capital do mundo
na década de vinte; foi quase
totalmente destruída na segunda
guerra e durante quase trinta
anos dividida por um muro. Aqui
foram inventados o computador, a
televisão e a garrafa térmica.
Após a segunda
guerra mundial (1939-45) cerca de
75% do centro da cidade estavam
em ruínas. Como o resto do
país, Berlim foi dividida em
quatro setores, controlados pelos
países vencedores da guerra
(Inglaterra, França, Estados
Unidos e a antiga União
Soviética). Mas, logo a aliança
foi rompida e o desenvolvimento
político e econômico - do lado
oriental fiscalizado pela antiga
União Soviética, e do lado
ocidental pelos outros três
países - tomou rumos diferentes,
apesar das fronteiras ainda
estarem abertas.
No dia 13 de
agosto de 1961, a fim de evitar
que mais alemães passassem para
o outro lado, o governo da antiga
Alemanha Oriental ordenou a
construção do muro
transformando Berlim ocidental
numa ilha dentro da Alemanha
comunista. A partir daí, a
cidade passou a representar o
símbolo da guerra fria e, ao
mesmo tempo, o centro da
espionagem. Até 1989, com o fim
do muro, 70 pessoas haviam
morrido tentando atravessar a
fronteira e 100 haviam sido
mortas por soldados.
Hoje, Berlim
significa mudança em tempo
recorde. A decisão do Parlamento
de transferir a sede da capital
federal de Bonn para Berlim,
tomada em 1991, transformou a
cidade no maior canteiro de obras
da Europa. Prédios antigos
estão sendo reformados para
receber ministérios, outros
estão sendo construídos para
abrigar o corpo diplomático.
Governo e empresas privadas
pretendem transformar a Potsdamer
Platz, (no início do século a
principal região de comércio da
cidade, depois da guerra
totalmente destruída e durante a
guerra fria área de segurança
próxima ao muro) num moderno
centro de comércio e lazer. No
Info-Box, um prédio de três
andares bem no meio das obras,
você pode obter informações
detalhadas sobre os projetos e
ver como a Potsdamer Platz vai
ficar daqui a alguns anos. O que
metrópoles levaram décadas para
construir, Berlin quer realizar
em poucos anos. Mais um motivo
para enriquecer a singularidade
da cidade.