- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 07 de maio de 1998

BERLIM II
Cidade se renova para o próximo milênio

Quem está pensando em visitar Berlim nos próximos anos não deve se incomodar com guindastes, conteiners e montes de areia espalhados pela cidade. Afinal, aqui você pode ver de perto como Berlim e seus 3,5 milhões de habitantes se preparam para entrar no próximo milênio. A paisagem criada por esse gigantesco projeto é simplesmente fascinante, principalmente na parte oriental da cidade, próxima ao Portão de Brandenburgo.

Antes de começar a viajar pelo passado e presente da cidade, é melhor se dirigir a uma estação do metrô e comprar um bilhete (que vale para todos os meios de transporte coletivo) de acordo com o tempo em que você vai ficar na cidade. As opções são variadas: existem bilhetes válidos por um dia, um final de semana, sete dias ou para o mês inteiro. Comprar bilhetes individuais acaba saindo muito mais caro. Caso você venha no verão, vale a pena alugar uma bicicleta. Berlim possui largas avenidas, ótimas ciclovias e o trânsito é ainda calmo comparado com outras grandes capitais européias (para alugar: Fahrradstation am Bahnhof Zoo tel: 28 59 98 95).

O local ideal para começar um passeio pela cidade é a estação central de trem Zoologische Garten, ou simplesmente Zoo, no centro da antiga Berlim ocidental. A partir daí é possível ir a qualquer lugar, seja de ônibus, metrô ou trem. Mas, antes, não deixe de dar uma volta pela Ku'damm, a avenida mais famosa de Berlim com suas lojas sofisticadas, teatros e cinemas. Na praça Breitscheidplatz está o Europa Center, shopping center e escritório de ajuda ao turista, onde você pode encontrar todo o tipo de informação sobre os eventos que estão acontecendo e fazer reserva de hotéis.

Ao lado do Europa Center está a Kaiser Wilhelm Gedaechtniskirche, principal cartão-postal de Berlim e ao mesmo tempo monumento à insensatez dos nazistas. Seriamente danificada durante a guerra, a igreja poderia ter tido o mesmo destino de muitos outros prédios históricos que tiveram de ser destruídos. Mas a população insistiu em manter a igreja, ou melhor, o que restou dela. Alguns metros adiante, na Wittenbergplatz, está a Kadewe, a loja de departamento mais cara e com o maior sortimento da cidade.

De volta à estação central do Zoo pegue um ônibus em direção ao centro histórico, na parte oriental. No caminho é possível ver as principais atrações de Berlim: o Tiergarten, a maior área verde do centro da cidade; o palácio Bellevue, residência oficial do presidente da República; a Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo), com diversos eventos; o Reichstag, que a partir do próximo ano vai abrigar o parlamento, como no início desse século, e o Brandenburger Tor, símbolo da reunificação alemã.

MEMÓRIA - A partir daí você pode descer e fazer o resto do trajeto a pé pela Avenida Unter den Linden, onde estão as mais significativas construções do século 18, erguidas em grande parte sob o reinado de Frederico, o Grande, quando Berlim era capital da Rússia. Aqui estão a Ópera Staatsoper e a Universidade Humoldt. Na Bebelplatz, ao lado da Staatsoper, se encontra o monumento aos livros queimados pelos nazistas no dia 10 de maio de 1933. Seguindo em frente pela Markrafenstrasse você vai encontrar a praça mais bonita de Berlim, Gendarmenmark, formada por duas catedrais, e o teatro Shauspielhaus.

Se nessa altura do passeio as pernas começarem a reclamar, de volta à Bebelplatz você tem duas ótimas opções para restaurar as energias. No Operncafé, pequeno castelo em estilo barroco, antiga residência das princesas da Prússia, você pode experimentar deliciosas tortas e ao mesmo tempo conhecer um dos locais mais tradicionais da cidade. Quem prefere um ambiente exótico pode ir à Casa de Chá do Tadiquistão (Tadshikische Teestube) no prédio do Theater im Palais, em frente ao Operncafé. Aqui você pode tirar os sapatos, sentar no chão e saborear um dos vinte diferentes tipos de chá ou experimentar uma autêntica cerimônia de chá russa.

Depois de atravessar a ponte Schiossbruecke, você pode ver a famosa Alexanderplatz. Hoje um calçadão enorme, enfeitado por uma torre de televisão de 365 metros de altura, um relógio que mostra a hora em diferentes partes do mundo, um hotel, algumas lojas e a MarienKirche, segunda igreja mais antiga da cidade. Antes de ser destruída durante a segunda guerra, a Alexanderplatz era o local de maior tráfego de trens e veículos do lado oriental da cidade e ponto de vendedores ambulantes. A partir dos anos 50 a praça se tornou um lugar ideal para festas populares e manifestações políticas, como a de 4 de novembro de 1989, que reuniu cerca de um milhão de pessoas, cinco dias antes da queda do muro.

ONDE TUDO COMEÇOU - A alguns passos da Alexanderplatz está o Nicolavertel. Lá, os primeiros habitantes de Berlim se estabeleceram há 760 anos. No centro do quarteirão está a primeira igreja de Berlim, a Nikolaikirche. Construído em 1230, abrigou no século 16 as teses reformistas de Martinho Lutero e durante a guerra foi seriamente danificada. Assim como a igreja, toda a área foi restaurada na década de 80. Com suas estreitas ruas e casas antigas transformadas em restaurantes e lojas, o Nikolaivierel é um dos lugares mais agradáveis do centro histórico.

Próximo ao Nicolaiviertel se encontra o Epraim Palais, chamado no passado, do lugar mais bonito de Berlim. Construído em 1764, em estilo rococó, com varandas suntuosas, ele abriga hoje uma exposição permanente da arte berlinense entre os séculos 17 e 19.

Outra opção é fazer belos passeios sobre as águas. Da Sclossbruecke, por exemplo, saem barcos a cada duas horas. Não deixe, também, de conhecer os arredores da Rua Oranienburgerstrasse, ao norte da Avenida Unter den Linden. Hoje, o lugar é conhecido prinpalmente pela sua vida noturna. Mas, no início do século, foi aqui que muitos judeus, fugindo do comunismo, se estabeleceram e influenciaram decisivamente no desenvolvimento do bairro, que se tornou o centro da comunidade judaica na cidade. Alguns prédios ainda lembram essa época, como o da Nova Sinagoga. Na Tucholskystrasse nº 40 está o aconchegante Café Betha, especializado em cozinha judaica.

No final da Oranienburgerstrasse, você chega ao Hackesche Hoefe, conjunto de prédios de seis andares ligados por pátios internos, construído em 1906. Recentemente restaurado, o Hachesche Hoefe foi transformado num centro cultural.

O único grande castelo no centro de Berlim, o Schloss Charlottenburg em estilo barroco, pode ser visto no bairro do mesmo nome. Ele abriga uma exposição permanente de arte romântica e o museu da pré-história. A visita pelas dependências do castelo pode durar mais de três horas, mas não vá embora sem antes conhecer o jardim atrás do castelo. (D.C.)


     

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