- - - -- - - - - - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 07 de maio de 1998

CRUZEIRO
Uma irresistível aventura no mar

por MIGUEL RIOS
da Editoria de Esportes

Qualquer um que deseje férias no Caribe corre logo para uma agência de viagens para acertar seu pacote. O conteúdo é sempre o mesmo: um hotel confortável, milhares de panfletos com fotos e roteiros de paisagens paradisíacas e um serviço de guia para não perder nenhuma praia badalada. Dá certo. Mas há quem procure mais que a velha fórmula dos agentes turísticos. O pernambucano Cleydson Nunes é um destes turistas rebeldes.

Ao invés de pegar um avião, ele usou um veleiro. E nada de hotéis. A cabine do barco servia perfeitamente para as pernoites. Guias contratados, muito menos. O melhor é traçar e desbravar seu próprio roteiro. O percurso do rapaz assusta e deslumbra: Recife/Caribe via Oceano Atlântico. Como era muito longo, Cleydson teve de dividi-lo em duas etapas.

A primeira foi há dois anos. Ele saiu do Recife, foi a Fernando de Noronha e passou por Natal. Depois pegou a rota até Trinidad e Tobago, no topo da América do Sul. Foram 1.200 milhas náuticas, em 10 dias só de mar. "Não é enfadonho. Temos tanto o que fazer no barco, que o tempo passa rápido". Deixou o barco em Trinidad junto com seus três companheiros de viagem: Gilberto Machado, Ivana Machado e a filha do casal, Gabriela, todos gaúchos.

Cleydson voltou ao Recife de avião, em fevereiro de 97. A segunda etapa - iniciada no final do ano passado - foi retomada do ponto em que ele ficou. De lá, o veleiro Garimpeiro chegou ao Mar do Caribe. Foi aportando nas ilhas que compõem as Pequenas Antilhas, uma por uma, descobrindo belezas específicas e paisagens quase intocadas.

Somando todo o percurso dá um total de 4.500 milhas náuticas. "Nunca tinha feito uma viagem tão grande e em tão pouco tempo", comenta Cleydson. Mas ele mesmo defende ter valido a pena. "Vi coisas que geralmente um turista tradicional não vê. Num barco você tem opções de ir à praia que escolher e até descobrir lugares quase virgens", lembra ele.

E foi assim na maioria das mais de 30 ilhas visitadas. De Granada até Virgem Gorda, uma das Ilhas Virgens, próxima à República Dominicana. "Existem praias inexploradas belíssimas em todas as ilhas. Lugares fora dos roteiros vendidos nas agências, até porque são de difícil acesso. Só barcos pequenos podem chegar lá", explica Cleydson. Locais onde ele só chegou por estar navegando num veleiro de 50 pés. Apesar de pequeno, a garantia é de muito conforto. "As acomodações são boas e espaçosas para um barco assim".

CASA NO MAR - O Garimpeiro tem a estrutura de uma casa. Geladeira, freezer, vídeo-cassete e até ar-condicionado em cada cabine. O melhor de tudo é que numa viagem assim, por incrível que pareça, se gasta pouco. Não há preocupação com roupas e a comida se faz no barco mesmo. O bom é que se pode pescar peixes e lagostas por sua própria conta, sem ter de pagar por eles.

Resumindo, tudo é festa numa aventura destas. Até mesmo os momentos difíceis. Cruzar a Linha do Equador foi um deles. É lá onde grande parte das correntes de vento convertem. "Passamos por lá em janeiro do ano passado. Foram três dias de chuva e ventos fortes", recorda Cleydson. Outra ameaça foi a erupção de um vulcão, em Antígua, no começo de 97. "Estávamos passando à costa quando o céu se cobriu de cinzas e tudo ficou escuro", recorda mais uma vez.

O medo naquelas horas, hoje são mais duas belas lembranças da viagem. Lembranças que se juntam às belezas naturais, arquitetônicas e humanas da Martinica, San Martin, Ilhas Francesas e Ilhas Saints, as que Cleydson mais gostou. "As Ilhas Saints são tão pequenas que as pessoas não possuem carros. O transporte é através de motonetas ou a pé mesmo. As Ilhas francesas são ímpares. Você sente o clima dos trópicos unido à sofisticação européia. Todas as boutiques e grifes mais famosas e caras do mundo têm representação lá".

Outro ponto forte é o coquetel cultural que é o Caribe. Raças, línguas e costumes, que holandeses, ingleses, franceses, americanos, negros e mais a tonelada de turistas do mundo inteiro se encarregaram de misturar. "Sem um guia específico, você se vê obrigado a ter um contato direto com o povo e assim desvendar e se inteirar do espírito do local com bem mais intimidade".

ROMÁRIO - "Brasileiro no Caribe sempre está em casa", garante o navegador. Foi o que ele constatou em Béquia, uma ex-colônia inglesa. As pessoas de lá ouvem falar do futebol verde-amarelo, mas não conhecem bem os jogadores. Ao saber que um barco vindo do Brasil estava no porto se juntaram e começaram a fazer perguntas sobre Romário e o resto da Seleção. "O jeito de ser dos caribenhos se aproxima muito do nosso. Assim quando um brasileiro chega lá é sempre festa".

Mais uma vez, Cleydson teve de interromper a viagem por conta dos estudos. Voltou ao Recife dias após o Carnaval. Mas nos seus planos já está o próximo roteiro. Embarcar novamente e chegar até a Flórida. No caminho nada mais, nada menos que as ilhas Grandes Antilhas e as Bahamas para explorar, uma a uma.


     

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