 |
ARTIGO
Bom-dia,
Recife
por RONILDO
MAIA LEITE*
A Crise Mundial
e o Socialismo é o segundo
trabalho de Cristiano Cordeiro
que edito. Assim quis Marcelo
Cordeiro, seu filho, companheiro
e amigo: como o primeiro, O
Direito e a Lei, destina-se a
atender ao pedido de amigos e
admiradores - que, apesar dos
tempos, não são poucos - desse
inconfundível marxista-leninista
recifenses, fundador do Partido
Comunista Brasileiro e por causa
dele perseguido, ultrajado,
maltratado e ofendido. Jamais
humilhado, porque direita não
houve tão infame que ousasse
macular o sonho desse ateu que
admirava Jesus, a quem eu chamo
de operário de Deus descido à
terra e aos seus apóstolos de
fundadores dos movimentos de paz
e fraternidade. Entre os homens
de boa e má vontade, é muito
saudável que se diga.
Como está dito
na apresentação de Marcelo,
todo o acervo de Cristiano
Cordeiro foi doado à Fundação
Joaquim Nabuco. Para que não se
restringisse aos pesquisadores o
acesso à matéria de tão rica
memória, decidimos pelas
tiragens limitadas da minha
fabriqueta de livros.
Rica de
exemplos foi toda essa vida de
lutas pela dignidade da história
dos povos. Daí a nossa
ansiedade, minha e dele, de
Marcelo, de tê-la sempre à mão
como a um espelho onde possamos
espiar-nos. E pra que não nos
confundam os lambisgóias de
hoje, transeuntes (ou
traficantes) das urnas na
enganação do todo o poder à
classe operária.
É provável
que, este ano ainda, lancemos
outros textos, a maioria
extraídos de Memória e
História, nº 2, edição
esgotada da vigorosa Revista do
Arquivo Histórico do Movimento
Operário Brasileiro, esgotada em
1982. Servir já não serve hoje
em dia à classe operária certa
gente da classe, ou claque,
intelectuária.
A maioria
desses escritos resultou de
conferências pronunciadas por
Cristiano Cordeiro entre 1922 e
1944. Seu Adeus a Sacco e
Vanzetti não deve se restringir,
só e só, aos interessados em
história. O texto sobre o
assassinato legal dos dois
operários é pra ser vulgarizado
hoje entre todos aqueles que
lutam por um Brasil mais justo e
humanitário. O mesmo eu diria do
Proletários, às Urnas, com sua
plataforma eleitoral de candidato
às eleições constituintes de
1934, onde questiona o
latifúndio e discute problemas
ainda hoje polêmicos como a
legislação social, estado leigo
e liberdade de culto. Sobre a
seca que ainda hoje flagela o
Nordeste é da mais plena
atualidade essa denúncia:
"As populações do Rio
Volga, na Rússia, também
padeceram por muito tempo os
rigores das secas periódicas. A
grande seca de 1921 atingiu 20
milhões de pessoas, mas a
engenharia soviética, com o
decidido apoio do governo
proletário, atacou o flagelo de
frente e resolveu-o. Como o Volga
e o Dniper, o nosso São
Francisco, o Nilo brasileiro, faz
um eloqüente apelo, pela voz de
Paulo Afonso, ao proletário
nacional".
Faz tempo,
Paulo Afonso berra aos ouvidos
moucos dessa gente, camaradas.
Sempre disse a
Marcelo: é de se ter às mãos a
série de artigos escritos por
Cristiano em Goiânia e
Petrópolis e que, à época, os
editores da revista conseguiram
sequer encontrar referência.
Além disso, os seus discursos
como paraninfo da primeira turma
de contadores da Escola Técnica
de Comércio de Goiânia e na
solenidade de instalação do
comitê municipal do PCB daquela
cidade quando, em 1946, o partido
voltou à legalidade. É de se
decorar essa declaração do que
há de coragem na tristeza dos
homens: "Carrego comigo a
tristeza do meu povo - tristeza
não é complexo de derrotismo,
antes atitude inequívoca de
responsabilidade e preparação
consciente para a luta".
Foi de 50
exemplares a primeira tiragem de
O Direito e a Lei. Porque foi
tão expressiva a solicitação
de amigos e admiradores, Marcelo
Cordeiro decidiu por mais 50.
Este A Crise
Mundial e o Socialismo sai
também com 50 exemplares na sua
primeira tiragem. Haveremos de
ganhar força e poder de chumbo
para segundas e terceiras
pequenas edições. Tantas
quantas signifiquem a
inigualável contribuição de
Cristiano Coutinho Cordeiro às
lutas sociais de Pernambuco e do
Brasil.
(*)
Apresentação ao livrinho de
Cristiano Cordeiro, a mando de
Marcelo, seu filho, companheiro e
amigo.
*Ronildo
Maia Leite é jornalista
|
|

|