-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998


ARTIGO

Bom-dia, Recife

por RONILDO MAIA LEITE*

A Crise Mundial e o Socialismo é o segundo trabalho de Cristiano Cordeiro que edito. Assim quis Marcelo Cordeiro, seu filho, companheiro e amigo: como o primeiro, O Direito e a Lei, destina-se a atender ao pedido de amigos e admiradores - que, apesar dos tempos, não são poucos - desse inconfundível marxista-leninista recifenses, fundador do Partido Comunista Brasileiro e por causa dele perseguido, ultrajado, maltratado e ofendido. Jamais humilhado, porque direita não houve tão infame que ousasse macular o sonho desse ateu que admirava Jesus, a quem eu chamo de operário de Deus descido à terra e aos seus apóstolos de fundadores dos movimentos de paz e fraternidade. Entre os homens de boa e má vontade, é muito saudável que se diga.

Como está dito na apresentação de Marcelo, todo o acervo de Cristiano Cordeiro foi doado à Fundação Joaquim Nabuco. Para que não se restringisse aos pesquisadores o acesso à matéria de tão rica memória, decidimos pelas tiragens limitadas da minha fabriqueta de livros.

Rica de exemplos foi toda essa vida de lutas pela dignidade da história dos povos. Daí a nossa ansiedade, minha e dele, de Marcelo, de tê-la sempre à mão como a um espelho onde possamos espiar-nos. E pra que não nos confundam os lambisgóias de hoje, transeuntes (ou traficantes) das urnas na enganação do todo o poder à classe operária.

É provável que, este ano ainda, lancemos outros textos, a maioria extraídos de Memória e História, nº 2, edição esgotada da vigorosa Revista do Arquivo Histórico do Movimento Operário Brasileiro, esgotada em 1982. Servir já não serve hoje em dia à classe operária certa gente da classe, ou claque, intelectuária.

A maioria desses escritos resultou de conferências pronunciadas por Cristiano Cordeiro entre 1922 e 1944. Seu Adeus a Sacco e Vanzetti não deve se restringir, só e só, aos interessados em história. O texto sobre o assassinato legal dos dois operários é pra ser vulgarizado hoje entre todos aqueles que lutam por um Brasil mais justo e humanitário. O mesmo eu diria do Proletários, às Urnas, com sua plataforma eleitoral de candidato às eleições constituintes de 1934, onde questiona o latifúndio e discute problemas ainda hoje polêmicos como a legislação social, estado leigo e liberdade de culto. Sobre a seca que ainda hoje flagela o Nordeste é da mais plena atualidade essa denúncia: "As populações do Rio Volga, na Rússia, também padeceram por muito tempo os rigores das secas periódicas. A grande seca de 1921 atingiu 20 milhões de pessoas, mas a engenharia soviética, com o decidido apoio do governo proletário, atacou o flagelo de frente e resolveu-o. Como o Volga e o Dniper, o nosso São Francisco, o Nilo brasileiro, faz um eloqüente apelo, pela voz de Paulo Afonso, ao proletário nacional".

Faz tempo, Paulo Afonso berra aos ouvidos moucos dessa gente, camaradas.

Sempre disse a Marcelo: é de se ter às mãos a série de artigos escritos por Cristiano em Goiânia e Petrópolis e que, à época, os editores da revista conseguiram sequer encontrar referência. Além disso, os seus discursos como paraninfo da primeira turma de contadores da Escola Técnica de Comércio de Goiânia e na solenidade de instalação do comitê municipal do PCB daquela cidade quando, em 1946, o partido voltou à legalidade. É de se decorar essa declaração do que há de coragem na tristeza dos homens: "Carrego comigo a tristeza do meu povo - tristeza não é complexo de derrotismo, antes atitude inequívoca de responsabilidade e preparação consciente para a luta".

Foi de 50 exemplares a primeira tiragem de O Direito e a Lei. Porque foi tão expressiva a solicitação de amigos e admiradores, Marcelo Cordeiro decidiu por mais 50.

Este A Crise Mundial e o Socialismo sai também com 50 exemplares na sua primeira tiragem. Haveremos de ganhar força e poder de chumbo para segundas e terceiras pequenas edições. Tantas quantas signifiquem a inigualável contribuição de Cristiano Coutinho Cordeiro às lutas sociais de Pernambuco e do Brasil.

(*) Apresentação ao livrinho de Cristiano Cordeiro, a mando de Marcelo, seu filho, companheiro e amigo.

*Ronildo Maia Leite é jornalista

 
 

 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes