PRESERVAÇÃO
Homem
prefere perder a virgindade só
ao casarpor PRISCILA LAMBERT
AF
Quem disse que
eles só pensam
"naquilo"? Fantasias e
desejos sexuais à parte, ainda
há homens que preferem não
apressar a natureza e se
preservar para "a hora
certa". "Acredito que a
preservação do homem e a
descoberta a dois são
fundamentais para a duração de
uma relação", diz Ricardo
Rodrigues de Souza, 24, virgem
convicto. "Só vou transar
quando achar uma mulher para
casar".
Ainda há
muitos "benjamins",
personagem interpretado por
Dustin Hoffman no filme "A
Primeira Noite de um Homem"
(1967), que reestreou
recentemente no país. Benjamim
é um jovem que se dedica aos
estudos e tem sua iniciação
sexual aos 20 anos.
Esses homens
superam, ou escondem,
inseguranças e encaram
cobranças de amigos para ter uma
experiência especial. Para o
farmacêutico Paulo Gurgel, 31,
meninos que transam aos 15 anos
acabam banalizando o sexo.
"Vira uma coisa mecânica,
perde-se o valor de troca",
diz.
Ele teve sua
primeira relação sexual aos 21
anos, com a mulher com quem é
casado até hoje. "Na minha
adolescência, eu priorizava os
estudos. Não separava e continuo
não separando sexo de
companheirismo", diz. Sua
primeira vez não foi um
problema. "Claro que só
contei a ela que era virgem
depois de transar. Eu sabia que
ela não era. Mas minha
performance superou a minha
expectativa e a dela
também".
TABU -
Assim como Gurgel, na maioria das
vezes eles escondem sua
condição de virgem na primeira
transa. Numa sociedade em que a
primeira relação sexual do
homem se dá entre 14 e 16 anos,
a iniciação "tardia"
ainda é um tabu, dizem os
psicólogos.
"Atendo
muitos meninos que começam a
transar aos 18, 19 anos e não
admitem isso a ninguém. Eles
até inventam situações por
achar que a inexperiência é uma
ameaça à sua
masculinidade", diz o
terapeuta sexual Sidnei di Sessa.
Benjamin, no filme, se mostra
indignado e desconversa quando a
parceira desconfia e pergunta se
ele ainda é virgem.
R.A., 26, (que
não quer ser identificado) não
chegou a ser questionado. Mas
omitiu. Ele esperou encontrar
alguém que lhe despertasse o
sentimento de cumplicidade e
transou com uma namorada aos 19
anos. "Sou um dos últimos
românticos, mas não achei que
valesse a pena contar sobre minha
inexperiência", diz.
"Isso
poderia atrapalhar o clima.
Fiquei nervoso, ansioso, mas me
condicionei a agir como se fosse
um homem experiente. Ela nunca
desconfiou". R.A. também
não se abria com amigos.
"Na adolescência, todos
querem investigar seu
comportamento sexual e te chamam
de bicha se você não 'come'
ninguém. Eu evitava dizer para
não dar margem a comentários
hipócritas".
DEPOIMENTO I
- "Eu era um garoto do
interior, ingênuo, não pensava
muito em sexo. E quando passei a
me interessar, eu queria que
acontecesse com uma mulher
especial, de quem eu gostasse.
Minha primeira experiência foi
aos 21 anos, com a mulher com
quem estou casado até hoje. Acho
que fiz a coisa certa. Se eu
tivesse iniciado minha vida
sexual aos 15, tudo seria
diferente. Eu não ia mais parar,
o sexo se tornaria uma coisa
mecânica e perderia o encanto.
Minha primeira vez foi
maravilhosa. É claro que pinta
uma insegurança e, por isso, só
contei que era virgem depois da
transa. Ela ficou surpresa. A
primeira noite superou minhas
expectativas. As dela também,
senão ela não estaria comigo
até hoje. Apesar de ter tido
apenas uma mulher, tenho uma boa
bagagem. Mas a arte do sexo a
gente aprende todo dia".
Paulo Gilberto Von Atzingen
Gurgel, 31, farmacêutico.
DEPOIMENTO
II - "Tenho desejos e
fantasias como qualquer rapaz de
minha idade. Mas quando temos um
objetivo, atingimos um
autocontrole, uma força que
torna as coisas mais fáceis. E
meu objetivo é me guardar até
encontrar a mulher que será
minha companheira. Acredito que
só assim um relacionamento pode
ser completo, duradouro. Vi muita
gente tendo filho em hora errada
ou pegando doenças sexualmente
transmissíveis. Eu não quero
isso para mim. Acho que o sexo é
importante no casamento. Muitos
perguntam se eu não tenho medo
de me decepcionar sexualmente com
a mulher que eu escolher para
casar, já que não vou
conhecê-la intimamente antes. Eu
digo que não. Se algo não for
como o esperado, a gente tem que
conversar, dizer como espera que
seja, e tudo se ajeita. Leio
muito sobre sexo e aconselho meus
amigos a se cuidarem. Eles não
me ridicularizam por eu ser
virgem porque exponho meus pontos
de vista. E eles me respeitam.
Sou mórmon e também converso
sobre isso com os rapazes da
igreja. A religião ensina que
devemos respeitar a lei da
castidade. As namoradas que tive
normalmente pensam como eu.
Algumas não pensavam, aí
começava a rolar uma intimidade,
mas eu dizia: "espera aí,
não é isso que eu quero".
E elas passavam a me admirar
mais. Meu ideal é encontrar uma
garota também virgem, e transar
só depois do casamento. Assim,
faremos descobertas juntos e
será o momento mais especial de
minha vida. Mas não sou tão
radical. Se rolar com a mulher da
minha vida antes do casamento, e,
se ela não for virgem, não vou
me condenar". Ricardo
Rodrigues de Souza, 24, estudante
e representante de vendas.