LITERATURA
Autora
supera o temor de se encarar Para a grande maioria
dos escritores, só o fato de
pensar em reler uma das suas
obras pode ocasionar uma crise de
depressão irrecuperável. Mas ao
que parece, Lygia Fagundes Telles
resolveu enfrentar esse tabu dos
seus colegas de profissão e
trabalhar na revisão e
reedição de algumas das suas
obras mais consagradas. Os
primeiros livros reeditados,
depois do aval da escritora, pela
editora Rocco, foram: Seminário
dos Ratos, Ciranda de Pedra e As
Meninas. Um detalhe interessante
é que todos esses trabalhos são
posteriores à Ciranda de Pedra,
considerado pela autora, e pelos
críticos, o início da
maturidade artística de Lygia. A
própria escritora considera os
trabalhos anteriores, a esse,
como "imaturos".
Lygia descreve
o livro de contos O Seminário
dos Ratos como o seu trabalho
"engajado". Essa obra
também pode ser descrita
através da palavra indignação.
Esse sentimento é aqui tratado
diante de quase todas as suas
formas: a indignação diante do
amor não-correspondido, diante
dos problemas sociais e do medo
de envelhecer.
As Meninas é
uma das obras mais densas da
escritora e mostra personagens
mergulhadas em um poço de
conflitos e monólogos
interiores, que vem à
superfície sempre que os
sentimentos das personagens
entram em contato com a realidade
a sua volta. Um dos pontos mais
importantes do livro é a
linguagem rebuscadaque a autora
escolheupara desenvolver as
tramas presentes.
Ciranda de
Pedra, publicado em 1954, é com
certeza o trabalho mais famoso de
lygia; uma obra fundamental e
leitura obrigatória para os
estudantes do 2ª grau. A obra
conta a trajetória de Virgínia,
uma personagem perdida entre o
enlouquecimento e morte da mãe,
entre um período em um colégio
interno e diante de um
relacionamento complicado com as
irmãs e com o pai. Carlos
Drummond de Andrade escreveu a
definição perfeita para esse
trabalho, que está presente na
orelha do livro, e que poderia
servir para definir toda a obra
de Lygia: "...nos faz sofrer
e ao mesmo tempo nos oferece o
remédio compensador da própria
arte, pois a força de criação
resolve num plano mágico os
conflitos que ela mesma
suscita." (S.C.)