- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

JUSTIÇA III

Acusado da morte de pataxó passou seis meses no Recife

Referência em todo o Brasil, o Programa de Liberdade Assistida de Pernambuco recebeu, há cerca de dois meses, um adolescente envolvido num dos crimes mais chocantes ocorridos no país. O menor G.N.A.J., 17 anos, acusado da morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo enquanto dormia numa parada de ônibus, em Brasília, passou quase seis meses no Recife, cumprindo a medida de Liberdade Assistida decretada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal.

A estadia do menor por Pernambuco foi polêmica. Nos relatórios da equipe técnica, responsável pelo acompanhamento do adolescente, ficou registrado que, embora tivesse cumprido a sentença do ponto de vista formal, G.N.A.J. não se mostrou arrependido da infração cometida. A Justiça pernambucana chegou a prorrogar a sentença por mais seis meses e modificou a medida de liberdade assistida para serviços prestados à comunidade. A decisão, no entanto, não foi aceita pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que determinou a devolução imediata do menor, independente do término do cumprimento da medida.

Embora tenha se mantido afastado da repercussão causada pela passagem do menor pelo Recife, o orientador Manoel Carlos dos Santos, do Grupo Mirim Brasil, foi uma das pessoas mais envolvidas com o caso. Coube a ele a tarefa de acompanhar todas as atividades do adolescente e informar sobre o comportamento do menor, durante o período de aplicação da medida. "Foi um momento difícil para mim porque, no início, eu não sabia muito bem que tipo de metodologia deveria utilizar com o garoto. Como ele tinha um perfil diferente de outros adolescentes que eu já havia trabalhado, eu precisei me adequar à sua realidade para conseguir me aproximar do garoto", afirma Manoel.

O caminho encontrado pelo orientador foi o de trabalhar em cima de conceitos como a valorização da vida e o respeito pelo cidadão. "Eu tentei mostrar que os mendigos e os índios devem ser tratados com a mesma dignidade e respeito que pessoas de classe média alta como ele". Apesar do esforço, Manoel diz que, em algumas conversas, o adolescente continuava afirmando que a morte do pataxó tinha sido apenas uma fatalidade. "Talvez se ele tivesse cumprido a medida de serviços prestados à comunidade, como foi sugerido pela Justiça de Pernambuco, hoje sua avaliação sobre o crime fosse diferente", defende.


     

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes