IMIGRAÇÃO
Família
Gemba foi a 1ª a chegar no
RecifeOs primeiros japoneses a
morar no Recife foram Asanosuke
Gemba e seu segundo filho,
Matsuichi Gemba, que aqui
chegaram em 1918. Eles partiram
do Japão, por volta de 1916, em
direção ao Peru, para trabalhar
nas minas de prata. Decepcionados
com as condições impostas,
atravessaram a Bolívia e
alcançaram o Brasil pelo Rio
Amazonas, chegando em Belém do
Pará. Lá, pai e filho pegaram
um navio de cabotagem até o
Recife.
No início, os
dois se fixaram no bairro do
Cordeiro (Rua Capitão Araújo de
Miranda, 28) e começaram a
plantar verduras para sobreviver.
Com a morte de sua esposa, que
ficou no Japão com os dois
outros filhos do casal, Asanosuke
Gemba chamou o filho mais novo,
Heiji, para morar com ele. Por
volta de 1925, Matsuichi Gemba
mudou-se para Belém, onde abriu
uma sorveteria, ficando os dois
outros parentes no Recife.
Em 1927, o
patriarca, nascido em
Kasaoka/Okayama-Ken, voltou ao
Japão para cuidar do túmulo da
mulher e não retornou mais ao
Brasil. Asanosuke morreu aos 89
anos de idade, em 1964, na
província de Okayama. Com o
retorno do pai ao Japão, Heiji
foi morar com o irmão em Belém.
Quatro anos depois, Heiji Gemba
retornou ao Recife, para
estabelecer uma sorveteria. No
começo, vendia os sorvetes nas
ruas, com a ajuda de um carro de
mão. Em 1932 ele abriu uma
sorveteria, na Praça Joaquim
Nabuco, sem usar produtos
industrializados.
Com a adesão
do Japão à Segunda Guerra, a
situação dos japoneses ficou
complicada no país. Em 1942, a
Sorveteria Gemba teve de ser
fechada e Heiji ficou preso por
30 dias, sob suspeita de ser
oficial militar disfarçado. Ao
ser liberado, ele e sua família
ficaram abrigados na Fazenda
Vista Alegre, em Garanhuns, onde
já estavam outros dois jovens
japoneses. Com o fim da guerra,
Heiji voltou ao Recife e reabriu
a sorveteria, na Rua da Aurora,
31. Heiji foi presidente da
Associação dos Japoneses do
Recife, faleceu em 1969, aos 61
anos.