- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

IMIGRAÇÃO III

Jovens do interior moram em comunidade

Mantida pelo governo japonês no bairro do Bongi, a Casa de Estudante Chiyo Yamamoto é o reduto dos filhos dos japoneses que moram no interior de Pernambuco e vêm estudar na capital. É lá que moram os irmãos Haruta: Carlos Yoshihide, 23 anos, Carolina Mayumi, 20, e Kátia Sanae, 18, todos universitários. Os pais dos três estudantes moram no município de Camocim de São Félix, distante 121 quilômetros da capital, e trabalham com agricultura.

Carolina Mayumi conta que o pai veio para o Brasil há 34 anos, com 21 anos de idade, após concluir a faculdade de agronomia. "Ele trabalhava em um centro de pesquisas agropecuárias em São Paulo, aonde conheceu um pernambucano que queria desenvolver um cultivo diferente em sua cidade. Foi assim que ele chegou em Camocim de São Félix, foi comprando terras e ficou por lá até hoje". A mãe de Mayumi também é japonesa e o casal se conheceu em São Paulo.

Os filhos nasceram na cidade do Recife e Mayumi, que é estudante do 4º ano de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), não tem interesse em estudar no Japão. "Quero ser cirurgiã e por isso devo fazer meu curso completo no Brasil", explica. Já Kátia Sanae, que faz o segundo ano de ciências biológicas, pretende concluir a graduação na UFPE e fazer especialização em genética no Japão, com uma bolsa de estudos. Elas visitaram a terra dos pais uma vez, quando ainda eram crianças.

INTEGRAÇÃO - Na Casa de Estudante Chiyo Yamamoto, inaugurada em 1982, moram quatro garotas e três rapazes, mas o imóvel tem capacidade para receber 24 jovens. Kátia Sanae informa que a comunidade japonesa de Pernambuco é integrada e costuma se reunir para comemorar datas festivas orientais e brasileiras. "Temos contato, também, com a comunidade japonesa da Bahia e vamos participar, nos dias 25 e 26 de julho, de um encontro de jovens japoneses em Salvador", diz Kátia.

Nem todos os moradores da casa sabem ler, escrever e falar o idioma dos pais com fluência. A maioria se comunica oralmente, mas não sabe ler e escrever. Com um vocabulário restrito, como ela mesma diz, a estudante de informática Kosue Tomita, 24 anos, uma das residentes da casa, viajou quarta-feira (8) para a província de Nagasaki, no Japão, onde vai fazer um estágio de nove meses na área de informática. É a primeira vez que ela vai ao Japão.

O pai de Kosue Tomita é de Kagoshima e a mãe de Nagasaki. Eles saíram do Japão durante a adolescência, acompanhando as famílias. "Meus avós sonhavam em crescer na vida e o Japão passava por crises, por isso foram para a Bahia".


     

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