IMIGRAÇÃO III
Jovens
do interior moram em comunidadeMantida pelo governo
japonês no bairro do Bongi, a
Casa de Estudante Chiyo Yamamoto
é o reduto dos filhos dos
japoneses que moram no interior
de Pernambuco e vêm estudar na
capital. É lá que moram os
irmãos Haruta: Carlos Yoshihide,
23 anos, Carolina Mayumi, 20, e
Kátia Sanae, 18, todos
universitários. Os pais dos
três estudantes moram no
município de Camocim de São
Félix, distante 121 quilômetros
da capital, e trabalham com
agricultura.
Carolina Mayumi
conta que o pai veio para o
Brasil há 34 anos, com 21 anos
de idade, após concluir a
faculdade de agronomia. "Ele
trabalhava em um centro de
pesquisas agropecuárias em São
Paulo, aonde conheceu um
pernambucano que queria
desenvolver um cultivo diferente
em sua cidade. Foi assim que ele
chegou em Camocim de São Félix,
foi comprando terras e ficou por
lá até hoje". A mãe de
Mayumi também é japonesa e o
casal se conheceu em São Paulo.
Os filhos
nasceram na cidade do Recife e
Mayumi, que é estudante do 4º
ano de medicina da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE),
não tem interesse em estudar no
Japão. "Quero ser cirurgiã
e por isso devo fazer meu curso
completo no Brasil",
explica. Já Kátia Sanae, que
faz o segundo ano de ciências
biológicas, pretende concluir a
graduação na UFPE e fazer
especialização em genética no
Japão, com uma bolsa de estudos.
Elas visitaram a terra dos pais
uma vez, quando ainda eram
crianças.
INTEGRAÇÃO
- Na Casa de Estudante Chiyo
Yamamoto, inaugurada em 1982,
moram quatro garotas e três
rapazes, mas o imóvel tem
capacidade para receber 24
jovens. Kátia Sanae informa que
a comunidade japonesa de
Pernambuco é integrada e costuma
se reunir para comemorar datas
festivas orientais e brasileiras.
"Temos contato, também, com
a comunidade japonesa da Bahia e
vamos participar, nos dias 25 e
26 de julho, de um encontro de
jovens japoneses em
Salvador", diz Kátia.
Nem todos os
moradores da casa sabem ler,
escrever e falar o idioma dos
pais com fluência. A maioria se
comunica oralmente, mas não sabe
ler e escrever. Com um
vocabulário restrito, como ela
mesma diz, a estudante de
informática Kosue Tomita, 24
anos, uma das residentes da casa,
viajou quarta-feira (8) para a
província de Nagasaki, no
Japão, onde vai fazer um
estágio de nove meses na área
de informática. É a primeira
vez que ela vai ao Japão.
O pai de Kosue
Tomita é de Kagoshima e a mãe
de Nagasaki. Eles saíram do
Japão durante a adolescência,
acompanhando as famílias.
"Meus avós sonhavam em
crescer na vida e o Japão
passava por crises, por isso
foram para a Bahia".