IMIGRAÇÃO V
Chineses
se fixaram no comércioLiu Chiou Hsia tinha
oito anos de idade quando deixou
para trás a ilha de Taiwan
(Formosa), na China nacionalista,
para morar no Recife, acompanhada
da mãe e de três irmãs. O pai
havia chegado na capital
pernambucana um ano antes, sem
falar uma palavra do idioma, e
tinha se estabelecido como
comerciante na cidade,
comunicando-se com as mãos. Com
a certeza de que estava
caminhando no rumo certo, chamou
a esposa e as filhas. Passados 24
anos, a família Liu continua
trabalhando no ramo de comércio
- artigos para presentes -, como
a maioria dos seus patrícios em
terras estrangeiras.
"Na época
em que saímos de Taiwan, a China
vivia sob o risco de ser tomada
pelo Japão. Cada vez que passava
um avião, a gente se escondia em
abrigos, pensando que era um
ataque japonês", conta Liu
Chiou Hsia, ao explicar os
motivos que levaram sua família
a trocar de país. Ela conta que,
na China, o pai trabalhava com
plantação de banana e milho e
com a criação de porcos.
"Ele vendeu tudo e o
dinheiro mal deu para comprar
nossas passagens de avião",
recorda. O patriarca chinês
desceu em São Paulo, mas a
concorrência profissional era
grande. Daí a decisão de morar
no Recife, onde tinha um amigo.
No Recife, o
pai de Liu Chiou Hsia vendia
roupas e leques chineses a pé,
oferecendo os produtos de porta
em porta. Depois, comprou um
carro para usar no trabalho e
assim, foi subindo na vida.
"Como não sabia falar
português, na época, ele
escrevia o valor da mercadoria em
um papel e mostrava ao
cliente", explica a filha.
Ela recorda que os pais deixavam
as quatro filhas trancadas em
casa, quando saíam para
trabalhar. "A gente chorava
muito por estar sozinha e, um
vizinho, pensando que estávamos
com fome, passava banana e pão
pela janela". Todas
aprenderam a falar português na
escola.
CONSULADO -
Chen (sobrenome do marido) Liu
Chiou Hsia, que tem o apelido
Bruna, é naturalizada, assim
como a maioria dos chineses que
chegaram ao Recife há mais de 20
anos. Segundo ela, o imigrante
sofre muito, mas a convivência
com os pernambucanos sempre foi
boa. "Minha mãe queria
muito ter um filho homem e meu
único irmão nasceu no Recife,
isso foi um bom sinal".
Casada com um chinês de Taiwan,
que conheceu aqui, ela espera o
terceiro filho brasileiro. Em
casa, todos falam português.
"Eu falo um dialeto chinês
e meu marido fala outro, seria
difícil a criança aprender
três idiomas".
Ela informa que
os chineses do Recife não têm
associações que os representem.
Os grupos que se conhecem
costumam se reunir para comemorar
o calendário antigo chinês,
entre o final de janeiro e o
começo de fevereiro. Uma
dificuldade enfrentada pela
comunidade é a falta de uma
representação oficial.