- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - -- - - ---Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

IMIGRAÇÃO V

Chineses se fixaram no comércio

Liu Chiou Hsia tinha oito anos de idade quando deixou para trás a ilha de Taiwan (Formosa), na China nacionalista, para morar no Recife, acompanhada da mãe e de três irmãs. O pai havia chegado na capital pernambucana um ano antes, sem falar uma palavra do idioma, e tinha se estabelecido como comerciante na cidade, comunicando-se com as mãos. Com a certeza de que estava caminhando no rumo certo, chamou a esposa e as filhas. Passados 24 anos, a família Liu continua trabalhando no ramo de comércio - artigos para presentes -, como a maioria dos seus patrícios em terras estrangeiras.

"Na época em que saímos de Taiwan, a China vivia sob o risco de ser tomada pelo Japão. Cada vez que passava um avião, a gente se escondia em abrigos, pensando que era um ataque japonês", conta Liu Chiou Hsia, ao explicar os motivos que levaram sua família a trocar de país. Ela conta que, na China, o pai trabalhava com plantação de banana e milho e com a criação de porcos. "Ele vendeu tudo e o dinheiro mal deu para comprar nossas passagens de avião", recorda. O patriarca chinês desceu em São Paulo, mas a concorrência profissional era grande. Daí a decisão de morar no Recife, onde tinha um amigo.

No Recife, o pai de Liu Chiou Hsia vendia roupas e leques chineses a pé, oferecendo os produtos de porta em porta. Depois, comprou um carro para usar no trabalho e assim, foi subindo na vida. "Como não sabia falar português, na época, ele escrevia o valor da mercadoria em um papel e mostrava ao cliente", explica a filha. Ela recorda que os pais deixavam as quatro filhas trancadas em casa, quando saíam para trabalhar. "A gente chorava muito por estar sozinha e, um vizinho, pensando que estávamos com fome, passava banana e pão pela janela". Todas aprenderam a falar português na escola.

CONSULADO - Chen (sobrenome do marido) Liu Chiou Hsia, que tem o apelido Bruna, é naturalizada, assim como a maioria dos chineses que chegaram ao Recife há mais de 20 anos. Segundo ela, o imigrante sofre muito, mas a convivência com os pernambucanos sempre foi boa. "Minha mãe queria muito ter um filho homem e meu único irmão nasceu no Recife, isso foi um bom sinal". Casada com um chinês de Taiwan, que conheceu aqui, ela espera o terceiro filho brasileiro. Em casa, todos falam português. "Eu falo um dialeto chinês e meu marido fala outro, seria difícil a criança aprender três idiomas".

Ela informa que os chineses do Recife não têm associações que os representem. Os grupos que se conhecem costumam se reunir para comemorar o calendário antigo chinês, entre o final de janeiro e o começo de fevereiro. Uma dificuldade enfrentada pela comunidade é a falta de uma representação oficial.


     

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