POLÍCIA
Greve
deixa saldo de 328 mortes sem
investigaçãoA greve dos policiais
civis de Pernambuco completa 60
dias amanhã, com o seguinte
saldo: 328 mortes violentas e 12
estupros que não estão sendo
investigados, além de 120 mil
cédulas de identidade que
deixaram de ser expedidas. O
prejuízo à população é maior
quando contabilizadas as
perícias traumatológicas e
sexológicas que não estão
sendo encaminhadas às
delegacias. Também estão
suspensos os exames de
dactiloscopia (identificação
cadavérica pelas impressões
digitais), vistorias de veículos
e investigações de furtos de
carros.
Quem faz o
balanço dos prejuízos é o
presidente do Sindicato dos
Policiais Civis (Sinpol),
Henrique Leite, que convocou a
imprensa, ontem pela manhã, para
divulgar os números. O
sindicalista fez questão de
reforçar que a paralisação vai
continuar, independente das
ameaças de demissão contra a
categoria. "Consideramos
essa ameaça uma balela, é uma
forma de o secretário de
Segurança Pública responder ao
governo que está fazendo alguma
coisa", avalia. Segundo ele,
boa parte da categoria é formada
em direito e sabe que não pode
ser demitida, "porque a
greve é uma garantia
constitucional".
Henrique Leite
esclarece que os policiais civis
não estão reivindicando
reajuste salarial, mas, sim, a
correção das distorções
criadas por duas leis
complementares. A primeira lei
(013/95) define a gratificação
de qüinqüênio e a segunda
(016/96) estabelece que, ao se
aposentar, o policial perde as
gratificações de risco de vida,
de auxílio-moradia e de curso de
aperfeiçoamento técnico.
"No conjunto, isso significa
uma perda total de quase 40% no
salário".
Na avaliação
do presidente do Sinpol, essas
distorções podem ser corrigidas
na mensagem enviada pelo Governo
do Estado à Assembléia
Legislativa. "O Governo
alega que nossa reivindicação
representa aumento salarial, mas
não é verdade".