PETRÓLEO
Petrobrás
perderá 92,9% de suas áreaspor REJANE OLIVEIRA
Da Sucursal
BRASÍLIA -
Só agora, quando teve que ceder
à Agência Nacional de Petróleo
(ANP) a maior parte de suas, até
então exclusivas, reservas
petrolíferas, a Petrobrás
começa a sentir as
conseqüências da quebra do
monopólio. Dos 6.436.000
quilômetros quadrados de áreas
sedimentares existentes no País,
a estatal terá direito a apenas
458.483 quilômetros quadrados,
ou 7,1%. Já a ANP ficará com
5.977.516 quilômetros quadrados,
ou 92,9% do total. Se quiser
entrar nessas áreas, terá que
associar-se a outros grupos e
competir em igualdade pelas
concessões.
A Petrobrás
sofreu perdas até mesmo nas
pequenas áreas cuja
preservação tinha requerido ao
Governo. Tabela divulgada pela
ANP demonstra que a estatal não
terá direito a nenhum
centímetro das bacias
Pernambuco-Paraíba e Parnaíba,
embora tenha lutado pela
preservação de um pedaço de
ambas. Além disso, perdeu 63% do
quinhão que reivindicava na
bacia do Ceará; 54% na São
Francisco; 50% na Almada; 46% na
Cumuruxatiba; 35% na Pelotas; 32%
na Foz do Amazonas; 31% na
Espírito Santo; 25% nas de
Santos e do Recôncavo; 21% na
Sergipe-Alagoas; 20% na bacia de
Campos; 18% em Camamu; 15% em
Jequitinhonha; e 5% na bacia
Potiguar.
Apenas em sete
bacias a Petrobrás conseguiu
100% da área que requereu ao
Governo: Acre, Amazonas,
Solimões, Pará-Maranhão,
Tucano, Mucuri e Paraná. Mas
não manterá exclusividade.
Entre todas as bacias do País, a
maior fatia que a Petrobrás
conseguiu foi na de Campos, onde
terá direito a 51,9% das
reservas. Em todo o País, suas
perdas para a ANP, apenas em
relação às áreas que
pretendia preservar, atingiram
32,9%. Uma derrota e tanto.
MONOPÓLIO -
Instalado no País em 1953, no
embalo de intensa campanha
nacionalista cujo slogan era
"O petróleo é nosso",
o monopólio estatal sobre o
produto foi quebrado pelo
Congresso em 97, ao aprovar
emenda constitucional proposta
pelo presidente Fernando Henrique
Cardoso. Mas só na semana
passada, com a divulgação das
áreas exploratórias que
caberão à Agência Nacional do
Petróleo, para serem oferecidas
em concessão à iniciativa
privada, é que o processo
começou de fato.
Junto com a
divulgação das áreas, foi
lançado o edital da
concorrência internacional que
escolherá a empresa de
consultoria encarregada de
elaborar os termos dos contratos
de concessão. Cumprida essa
etapa, começarão as
licitações para
disponibilização das reservas.
Enquanto o
Governo cumpre exigências
burocráticas do processo de
abertura, negociações em torno
do ingresso da iniciativa privada
no setor estão a pleno vapor.
Nada menos do que cinquenta
empresas estrangeiras, de onze
países diferentes, já
começaram a articular parcerias
com a Petrobrás.