- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

PARQUE GRÁFICO
Eleição aquecerá negócios do setor gráfico

por LUCIANA LEÃO

A batalha eleitoral este ano não será disputada apenas entre os candidatos aos governos federal e estadual, deputados e senadores. Mas, também entre as empresas que compõem o parque gráfico no Estado. Pelo menos, esta é a expectativa do setor que prevê crescimento de 100% no volume de serviços, se comparados a períodos normais, sem eleições e Copa do Mundo.

Mais competitivas, as indústrias locais já exportam serviços para outras capitais do Nordeste e do Norte do País. Isso se deu principalmente porque grande parte investiu em tecnologia, adquirindo equipamentos, e apostou na qualificação da mão-de-obra, como principais ferramentas para competir o Sul e Sudeste.

Estas regiões, em anos anteriores, concentravam grande parte da demanda dos serviços gráficos em época de eleição. O empresário Geraldo Figueirôa, da Utilgraf, diz que a tendência também se verifica na venda de equipamentos. "O emprego também deve crescer", diz.

Os empresários costumam chamar de "achismo" o comportamento de acreditar que o Sul do País tem menor custo e melhor qualidade que as empresas nordestinas. "É um paradigma antigo. Antes de buscar outras alternativas de mercado, os empresários e políticos deveriam buscar opções aqui", opinou a gerente administrativa financeiro da Intergraf, Danielle Mendonça.

Segundo Danielle, o aquecimento dos negócios se iniciará esta semana, devido ao término da Copa. Para atender aos pedidos, a Intergraf dobrou o estoque de matéria-prima, que normalmente é de 40 toneladas de papel por mês. A empresa não irá contratar mão-de-obra, porém alguns serviços serão terceirizados.

A Intergraf é considerada uma das maiores empresas gráficas do Estado. No ínicio do ano, investiu R$ 3 milhões com importação de máquinas de off-set. O seu faturamento mensal é de R$ 400 mil. Com as eleições, a empresa terá uma capacidade produtiva de atingir um faturamento de até R$ 1 milhão no mês.

O empresário Ricardo Costa, proprietário da Editora Raízes e Stampa Outdoor, aposta no aquecimento do setor, porém acha que este ano será ainda maior por se tratar de "uma batalha histórica", disse ele, referindo-se à disputa pelo Governo do Estado, onde antigos aliados Jarbas Vasconcelos (PMDB) e Miguel Arraes (PSB), concorrem ao mesmo cargo. "Este ano, o mais importante será o pragmatismo. Os políticos não vão buscar complicação".

Para o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de Pernambuco, Sebastião Figueirôa, as eleições devem aumentar também a oferta de empregos nas indústrias em cerca de 10%. Atualmente, o setor, composto por 600 indústrias, emprega 20 mil pessoas. "Não tenho receio da competição. O nosso parque gráfico está preparado. Esperamos que os políticos regionalizem as campanhas".


     

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