INDICADORES
Venda
cresce sem empregar na indústriapor KÁTIA ROGÉRIA
Especial para o JC
A indústria de
Pernambuco está vivendo um
momento de incerteza. O
desempenho de janeiro a maio
deste ano em relação ao mesmo
período de 97, foi de retração
nos níveis de produção e
emprego, embora positivo quanto
às vendas. É o que mostram os
Indicadores Industriais da
Federação das Indústrias de
Pernambuco (Fiepe). As vendas
cresceram 6,8%, mas o avanço
não foi generalizado, nem
representou aumento das horas
trabalhadas. O nível de emprego
caiu mais de 9% e os salários
líquidos totais ficaram 4,7%
abaixo do patamar registrado nos
cinco primeiros meses de 96.
A indústria
mecânica vendeu quase o dobro
(91,06%), puxando os indicadores
da venda industrial - positivos
em sete dos 20 gêneros
pesquisados, e menores ou
estabilizados nos demais. Este
desempenho não teve reflexos no
nível de emprego, que se manteve
estabilizado (-0,55). A massa
salarial, por outro lado, evoluiu
8,1%. A economista da Fiepe,
Tânia Pessoa de Melo, lembrou
que para competir com o produto
importado o setor de mecânica
procura se modernizar, e eleva a
produtividade sem gerar novos
empregos.
O crescimento
de vendas foi eventual para
empresas que se destacaram no
setor metal-mecânico nesse
primeiro semestre. "Não
tivemos aumento da produção,
mas um incremento nas vendas, com
a exportação de máquinas para
a Nigéria, o que elevou em cerca
de 25% a acomercialização nos
primeiros meses do ano", diz
o diretor de operações da
Máquinas Piratininga, Antonio
Sotero.
SABÃO E
VELAS - O segmento de
perfumaria e de sabão e velas
conseguiu vender 36,8% a mais que
nos primeiros cinco meses de 97.
No setor foi registrada a maior
elevação nas horas trabalhadas
(39,3%) e crescimento no nível
de emprego (29%). Os salários
evoluíram 2,5%. Mas, foi também
o desempenho isolado de algumas
empresas que puxaram os números.
"O quadro geral nesses
primeiros meses foi de retração
para quase todas as
empresas", afirma o
presidente do Sindicato da
Indústria de Sabão e Velas,
Severino Batista.
Na indústria
de produtos farmacêuticos e
veterinários, com indicadores
positivos de vendas (32,6%) e
emprego (7,7%), o crescimento foi
mais homogêneo. O Lafepe
aumentou o fornecimento de
remédios para tratamento da Aids
ao Ministério da Saúde e passou
a fabricar novos produtos. No
setor privado, o Laboratório
Hebron aumentou a produção no
primeiro semestre ao mudar a
política de distribuição e
fazer novos lançamentos.
As vendas da
indústria metalúrgica cresceram
19,4% e os dados apontam para um
aumento da produtividade. As
horas trabalhadas na produção
diminuíram 8% e o nível de
emprego ficou 6,4% mais baixo,
enquanto os salários totais
também baixaram 1,3%. Um dos
destaques neste segmento foi a
indústria Motogear Norte (do
grupo Honda do Brasil),
fabricante de engrenagens de
câmbio. A empresa investiu cerca
de US$ 30 milhões em
equipamentos, elevando em mais de
100% a capacidade de produção.
RETRAÇÃO -
A indústria têxtil apresentou o
pior desempenho no período. O
total de vendas ficou 20,8%
menor, comparado com os meses de
janeiro a maio do ano passado,
com redução de 29,5% das horas
trabalhadas. Os empregos foram
reduzidos em 25,9% e os salários
pagos diminuíram 18%. No
segmento de Vestuário, Calçados
e Artefatos de Tecido, a
retração já era esperada. As
vendas foram 6,1% maiores que em
97, mas resultados de estoques
formados pelas empresas. Houve
redução de 21,4% no emprego e
de 17% nas horas trabalhadas.
"Nós
observamos uma retração na
indústria de confecção, tanto
no setor formal como informal
nesses primeiros meses do
ano", atesta o presidente em
exercício do Sindicato das
Indústrias do Vestuário
(Sindvest), Rodolfo Fehr Júnior.
Ele também afirma que a
automação das indústrias, para
elevar a produtividade, pesou na
redução do emprego.