PRIVATIZAÇÃO
Momento
é impróprio para vender a CTUpor ALEX GOMES
Ainda não é
hora da Prefeitura da Cidade do
Recife vender a CTU (Companhia de
Transportes Urbanos), com as
recentes perdas de arrecadação
no sistema metropolitano de
Transportes Urbanos da Região
Metropolitana, estimadas, pelos
empresários, em menos 18% da
rentabilidade das empresas, e
medidas pela Empresa
Metropolitana de Transportes
Urbanos (EMTU), em menos 6%, no
número médio de viagens
diárias. Pelo menos é essa a
visão geral de empresários de
transportes coletivos da Região
Metropolitana, consultados sobre
a privatização da empresa
municipal.
"O sistema
está rendendo menos a cada dia.
Gasta-se mais com as 21 empresas
do que juntas elas podem
arrecadar e se compensarem,
mutuamente, pela planilha de
custos da EMTU. O transporte
alternativo avança sem pagar
impostos e tirando
passageiros", reclama Luis
Fernando Bandeira, presidente do
Sindicato das Empresas de
Transportes Coletivos do Estado
de Pernambuco.
"Se
instalarem logo as catracas
eletrônicas, o transporte
alternativo perde sua principal
receita, os vales-transporte, que
serão trocados por cartões
magnéticos, aceitos
exclusivamente pelos
ônibus", diz Carlos Alberto
Gueiros, diretor-presidente da
Transportadora Globo, do Recife.
Para ele, assim o sistema deve
voltar a ter lucro, e ficará
atraente, para os empresários,
comprar mais uma empresa.
"As perdas
de renda do sistema de
transportes da Região
Metropolitana, oscilam entre 18%
e 20%, no último ano. Tenho
certeza de que as empresas estão
sem caixa para fazer
ofertas", arrisca Gueiros.
Os candidatos
seriam, portanto, aqueles que
têm receitas de outros
negócios, ou de outras praças.
Na Transportadora Borborema, que
têm linhas fora do Estado, a
avaliação é cautelosa.
"Enquanto não houver a
definição final do modelo de
venda não podemos nos pronunciar
à respeito", diz o gerente
técnico da Borborema, Oswaldo
Farias, denotando interêsse. A
Borborema, com 535 ônibus, é a
maior operadora da Região
Metropolitana, com cerca de 15%
das operação. É seguida pela
CTU, com 12,5%.
Na próxima
terça-feira começam as
reuniões da Comissão de
Privatização da CTU, que vão
definir qual dos seis modelos de
venda será utilizado no edital
de venda da empresa, e também a
data e o preço final para o
leilão. A CTU vale R$ 26
milhões a preços de mercado,
mas deve R$ 29 milhões em
passivos trabalhistas. Tem 239
ônibus em 31 linhas, mas carrega
o maior número proporcional de
funcionários por ônibus, 6,2
para cada veículo.
BARATA -
Alfredo Bezzerra Leite, da
Transportadora Itamaracá,
concorda que o déficit na
Câmara de Compensação
Tarifária (CCT) é desfavorável
à Companhia de Transportes
Urbanos, mas a compra da empresa,
pelo valor das concessões de dez
anos, pode interessar muito a
alguém de fora, como o
empresário Jacob Barata,
bilionário carioca com mais de
dez empresas de transportes,
incluindo as nordestinas Expresso
Guanabara, de Fortaleza; e
Transparaíba, de João Pessoa.
"Para quem
vê a renda imediata da empresa,
o investimento na CTU é difícil
e complicado. Para nós só
interessaria a linha do Terminal
da Macaxeira/Centro, feita pelo
elétrico. Mas um megaempresário
como Barata pode comprar e
levantar a CTU com um
investimento pequeno para
ele", revela.