- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

PRIVATIZAÇÃO
Momento é impróprio para vender a CTU

por ALEX GOMES

Ainda não é hora da Prefeitura da Cidade do Recife vender a CTU (Companhia de Transportes Urbanos), com as recentes perdas de arrecadação no sistema metropolitano de Transportes Urbanos da Região Metropolitana, estimadas, pelos empresários, em menos 18% da rentabilidade das empresas, e medidas pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), em menos 6%, no número médio de viagens diárias. Pelo menos é essa a visão geral de empresários de transportes coletivos da Região Metropolitana, consultados sobre a privatização da empresa municipal.

"O sistema está rendendo menos a cada dia. Gasta-se mais com as 21 empresas do que juntas elas podem arrecadar e se compensarem, mutuamente, pela planilha de custos da EMTU. O transporte alternativo avança sem pagar impostos e tirando passageiros", reclama Luis Fernando Bandeira, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Coletivos do Estado de Pernambuco.

"Se instalarem logo as catracas eletrônicas, o transporte alternativo perde sua principal receita, os vales-transporte, que serão trocados por cartões magnéticos, aceitos exclusivamente pelos ônibus", diz Carlos Alberto Gueiros, diretor-presidente da Transportadora Globo, do Recife. Para ele, assim o sistema deve voltar a ter lucro, e ficará atraente, para os empresários, comprar mais uma empresa.

"As perdas de renda do sistema de transportes da Região Metropolitana, oscilam entre 18% e 20%, no último ano. Tenho certeza de que as empresas estão sem caixa para fazer ofertas", arrisca Gueiros.

Os candidatos seriam, portanto, aqueles que têm receitas de outros negócios, ou de outras praças. Na Transportadora Borborema, que têm linhas fora do Estado, a avaliação é cautelosa. "Enquanto não houver a definição final do modelo de venda não podemos nos pronunciar à respeito", diz o gerente técnico da Borborema, Oswaldo Farias, denotando interêsse. A Borborema, com 535 ônibus, é a maior operadora da Região Metropolitana, com cerca de 15% das operação. É seguida pela CTU, com 12,5%.

Na próxima terça-feira começam as reuniões da Comissão de Privatização da CTU, que vão definir qual dos seis modelos de venda será utilizado no edital de venda da empresa, e também a data e o preço final para o leilão. A CTU vale R$ 26 milhões a preços de mercado, mas deve R$ 29 milhões em passivos trabalhistas. Tem 239 ônibus em 31 linhas, mas carrega o maior número proporcional de funcionários por ônibus, 6,2 para cada veículo.

BARATA - Alfredo Bezzerra Leite, da Transportadora Itamaracá, concorda que o déficit na Câmara de Compensação Tarifária (CCT) é desfavorável à Companhia de Transportes Urbanos, mas a compra da empresa, pelo valor das concessões de dez anos, pode interessar muito a alguém de fora, como o empresário Jacob Barata, bilionário carioca com mais de dez empresas de transportes, incluindo as nordestinas Expresso Guanabara, de Fortaleza; e Transparaíba, de João Pessoa.

"Para quem vê a renda imediata da empresa, o investimento na CTU é difícil e complicado. Para nós só interessaria a linha do Terminal da Macaxeira/Centro, feita pelo elétrico. Mas um megaempresário como Barata pode comprar e levantar a CTU com um investimento pequeno para ele", revela.


     

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