- - - -- - - -- - - - - - - -- - - - - - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

TURISMO
Terminal de passageiros custará R$ 1 milhão

por LUCIANA LEÃO

Prefeitura da Cidade do Recife publica nos próximos dias o edital de licitação para contratação da empresa responsável pelas obras do Terminal Marítimo de Passageiros do Porto do Recife. O projeto com recursos assegurados pelo Programa Nacional do Desenvolvimento do Turismo (Prodetur), no valor de R$ 1 milhão, prevê a reforma do armazém 12, com construção de lojas, restaurantes e outros equipamentos públicos, além de espaços reservados aos órgãos responsáveis pela administração.

As obras, segundo a PCR, devem ser iniciadas no final de setembro. Segundo estudo de viabilidade econômica realizado pela Fundação Apolônio Sales de Desenvolvimento Educacional (Fadurpe), o terminal poderá duplicar a demanda de passageiros, que nos cinco primeiros meses deste ano foi de 3.860, o que representa 73% do fluxo total do ano passado (5.283 pessoas). O documento foi entregue semana passada ao diretor-presidente da Empresa de Urbanização do Recife (URB), Bruno de Castro e Silva.

No estudo, a empresa constatou que apenas dois navios, o Funchal e o Rembrant, de bandeiras panamenha e holandesa ofereceram roteiros com saída do Recife. A maioria dos usuários locais embarcam nos Portos de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo (Santos). "A pouca freqüência de atracagem de navios será um dos obstáculos iniciais a serem ultrapassados", avalia Ricardo Piquet, diretor de Projetos Especiais da URB e chefe do escritório do Recife Antigo.

Para enfrentar a baixa freqüência, a Prefeitura vai iniciar a captação de investidores que queiram incluir Recife no roteiro marítimo internacional e na costa brasileira. Nos últimos 18 meses - de janeiro de 1997 a maio deste ano - apenas quatro embarcações atracaram no Porto do Recife. Representantes de navios e agentes de viagens acreditam que a consolidação do terminal vai atender às expectativas do mercado e transformar o Recife em ponto de origem e destino de viagens turísticas.

"Estima-se que o aumento das receitas no bairro pode duplicar. Sem o equipamento, neste ano, os empresários prevêem um incremento de 20% na receita", diz o coordenador do estudo, economista Gabriel Tenório Katter. A permanência de navios no Porto do Recife é inferior a 24 horas.

INFRA-ESTRUTURA - Segundo a Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), a entrada de turistas estrangeiros no Brasil, por via marítima, equivale a 1,35% do total de visitantes. Em 97, Pernambuco participou com 5,2% deste percentual - 3,8 vezes maior que a participação média do País. "O terminal de passageiros vai ser um elemento estimulador da exploração turística via marítima do Estado, que poderá ser integrado, por exemplo, à navegação do Rio Capibaribe", afirmou Katter.

O estudo da Fadurpe diz que a maioria dos agentes de viagens apontou que apesar do potencial, a falta de infra-estrutura é a principal causa de Pernambuco não estar incluído na rota marítima dos cruzeiros que chegam às costas brasileiras. "Se o Porto do Recife dinamizar suas potencialidades, poderemos voltar à nossa tradição de entrada da Europa", avaliou Bruno de Castro e Silva, presidente da URB.


     

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