- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

FRANÇA
Os "azuis" sonham com título em casa

PARIS, França - A Seleção da França, dentro da sua casa, entra em campo hoje às 16h, no Stade de France, disposta a fazer história e conquistar a primeira Copa para o seu país. Ninguém está interessado em lembrar o passado, como o Mundial de 1938, realizado em solo francês. Os "azuis", como são chamados os jogadores pela torcida, amargaram uma oitava colocação ou em 1986 ao terminarem na terceira posição.

O time do técnico Aimé Jacquet está certo de que pode realizar o sonho de ser campeão do mundo. Para isso, a primeira receita é não temer o Brasil, mas manter o respeito natural pelo adversário. "Chegamos a final porque mostramos futebol", disse o treinador. Para acrescentar: "Conhecemos o poder dos brasileiros, mas não vou dizer que armei algum esquema para marcar Ronaldinho. O time do Brasil inteiro é bom."

Outro plano para derrotar os brasileiro é saber explorar bem a subida dos laterais Cafu e Roberto Carlos. Mas Jacquet tem um problema sério: o ataque continua sem marcar. Talvez, por isso, o maior nome da França, o meia/ofensivo Zinedine Zidane não esconde a sua ânsia de fazer gol. "Será o meu grande feito. E com a França campeã."

Mesmo otimista, Zidane respeita a Seleção Brasileira, que aponta como favorita, mas comenta: "O Brasil não é imbatível". E complementa: "Precisaremos jogar 200% da nossa capacidade para conseguir a vitória. Teremos de dar tudo para conquistar alguma coisa. Mas também os brasileiros precisarão de muita dedicação para nos derrotar. Eles percorreram uma trajetória extraordinária, mas seremos onze contra onze."

MUDANÇA NA DEFESA - Contra a vontade, o técnico Aimé Jacquet foi obrigado a mudar a defesa, pois o titular Blanc foi expulso contra a Croácia e não joga a final. No seu lugar entra Frank Leboeuf, que não esconde a sua confiança. "Tenho 30 anos e não preciso provar nada para ninguém, mas provar para mim mesmo que também posso jogar na seleção de meu país", disse, lembrando que já está no futebol há 12 anos e sonha todos os dias com o título.

Leboeuf é outro que respeita profundamente o time de Zagalo, mas crê em surpresas. "O Brasil é um super time e não está na final à toa, mas não é invencível".

O treinador francês, porém, lembrou que Leboeuf tem a sua inteira confiança. "Se não fosse assim, não o teria chamado para a seleção", destacou.

Na verdade, a França possui jogadores de alto nível e uma seleção forte na defesa. A prova é que só tomou dois gols. Mas terá o desafio de enfrentar o melhor ataque da Copa. O Brasil já marcou 14 gols, em seis jogos, em compensação tomou sete. "Só precisamos explorar bem as falhas defensivas brasileiras", comentou Jacquet.


     

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