FÉ E PROMESSAS III
Quando
o jogo aperta...Nossa Senhora da
Conceição e Santo Antônio são
os "jogadores" mais
poderosos para Zilma Galvão e
sua mãe, Marialva. Sempre que um
jogo aperta para a Seleção
Brasileira, elas tiram os santos
do banco e os colocam em campo.
Hoje, se a França engrossar,
não deve ser diferente.
Foi assim em
Brasil x Holanda. Nos minutos do
tempo regulamentar, Zilma correu
para o quarto, pegou a pequena
imagem de N. S. da Conceição e
colocou junto ao televisor.
Influenciada pelo desespero da
filha, dona Marialva agarrou-se a
Santo Antônio e pediu a
vitória. "Um lírio e uma
vela se o Brasil vencesse",
recorda. O Brasil venceu. Nos
pênaltis, no sufoco, mas venceu.
A promessa foi paga na casa da
vizinha. Lá há uma imagem do
santo, ao contrário da casa dos
Galvão.
Zilma também
saldou sua dívida. Uma vela
ainda queima perto da Virgem. É
daquelas de sete dias, para durar
até hoje. "Fico louca
assistindo um jogo. Se for
daqueles angustiantes, eu me pego
com Nossa Senhora para
resolver".
Para hoje não
existe qualquer compromisso
agendado com os santos. As
promessas de mãe e filha só
surgem quando o jogo está
pegando fogo. "O nervosismo
me leva à minha santa",
reconhece Zilma. Tanto que a vela
de sete dias foi a primeira
oferenda desta Copa. Dona
Marialva também assume que se
não fosse a agonia da filha,
Santo Antônio não seria
escalado. "Em Copas
passadas, nunca fiz
promessas", recorda.