- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

FÉ E PROMESSAS III
Quando o jogo aperta...

Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio são os "jogadores" mais poderosos para Zilma Galvão e sua mãe, Marialva. Sempre que um jogo aperta para a Seleção Brasileira, elas tiram os santos do banco e os colocam em campo. Hoje, se a França engrossar, não deve ser diferente.

Foi assim em Brasil x Holanda. Nos minutos do tempo regulamentar, Zilma correu para o quarto, pegou a pequena imagem de N. S. da Conceição e colocou junto ao televisor. Influenciada pelo desespero da filha, dona Marialva agarrou-se a Santo Antônio e pediu a vitória. "Um lírio e uma vela se o Brasil vencesse", recorda. O Brasil venceu. Nos pênaltis, no sufoco, mas venceu. A promessa foi paga na casa da vizinha. Lá há uma imagem do santo, ao contrário da casa dos Galvão.

Zilma também saldou sua dívida. Uma vela ainda queima perto da Virgem. É daquelas de sete dias, para durar até hoje. "Fico louca assistindo um jogo. Se for daqueles angustiantes, eu me pego com Nossa Senhora para resolver".

Para hoje não existe qualquer compromisso agendado com os santos. As promessas de mãe e filha só surgem quando o jogo está pegando fogo. "O nervosismo me leva à minha santa", reconhece Zilma. Tanto que a vela de sete dias foi a primeira oferenda desta Copa. Dona Marialva também assume que se não fosse a agonia da filha, Santo Antônio não seria escalado. "Em Copas passadas, nunca fiz promessas", recorda.


     

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