- - - -- - - - - - - -- - - - - - - -- - - - --Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

HORA DA VERDADE
É agora ou nunca, Ronaldinho

por MIGUEL RIOS

Os anos 90 no futebol brasileiro podem ser divididos em antes de Ronaldinho e depois de Ronaldinho. A linha imaginária pode chegar próxima à realidade hoje. Ele tem tudo para se alçar ao posto de artilheiro da Copa do Mundo de 98. Noventa minutos. Nada mais ele precisa. Parece muito. Mas numa final como esta é pouco. Nervos à flor da pele, todo um país contando com ele. E cobrando.

Ninguém nestes dois meses foi mais cobrado que Ronaldinho. Passou toda a Copa sob as luzes e os ataques. "Cadê os gols?", pediam os brasileiros. "Cadê os gols?", ironizavam os críticos. Os gols vieram. Não em grande quantidade, é verdade. Quatro. Mas em número suficiente para auxiliar a Seleção Brasileira a chegar à final. Só que 160 milhões de corações sedentos de show de bola queriam mais. Queriam o matador, fulminante e devastador. Tiveram de se consolar com um apoiador. Três passes para três gols de companheiros. Não é pouco. Entretanto, está longe de ser o Ronaldinho que o povo gosta.

Ele tem a final para calar a boca de muita gente. Balançar a rede o suficiente para passar a mandar no ranking de artilheiros, significa escrever seu nome com destaque em outro capítulo da história do futebol. Se conseguir, fará valer seus dois títulos consecutivos de "o melhor do mundo".

"A favor de chegar ao topo de sua escalada, Ronaldo conta com o favoritismo do Brasil para vencer a França e sua eterna serenidade. Num gramado ninguém parece ser mais calmo que Ronaldinho. É o oposto de Dunga. Enquanto o capitão brasileiro vive constantemente no ponto máximo da adrenalina, o artilheiro parece ser imune aos seus efeitos. Até quando marca um gol, sua comemoração não é das mais vibrantes. Apenas abre os braços e voa para a torcida. E quando perde um ataque, a expressão é de quem pouco se decepcionou.

Contra Ronaldinho, hoje, há todo um Estádio da França apinhado de franceses. Serão poucos os gatos pingados de verde-amarelo. Ele nem deverá ouvir direito seu nome quando a torcida gritar. O "Vive la France!" dito em alto e bom som pelos anfitriões vai retumbar forte em seus ouvidos como os tambores da queda da Bastilha. A esperança é que sua calma prevaleça.

Outro ponto também preocupa: o joelho. Durante os últimos jogos a dor foi e veio. Os médicos da Seleção culparam uma tendinite. Espalhou-se no ar a desconfiança de algo bem mais sério. Boatos apenas. No início, ele parecia nem ligar para artilharia. Há pouco foi que assumiu o desejo de chegar lá. Agora é ele, a bola e uma velha conhecida sua: a barra.


     

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