HORA DA VERDADE
É
agora ou nunca, Ronaldinhopor MIGUEL RIOS
Os anos 90 no
futebol brasileiro podem ser
divididos em antes de Ronaldinho
e depois de Ronaldinho. A linha
imaginária pode chegar próxima
à realidade hoje. Ele tem tudo
para se alçar ao posto de
artilheiro da Copa do Mundo de
98. Noventa minutos. Nada mais
ele precisa. Parece muito. Mas
numa final como esta é pouco.
Nervos à flor da pele, todo um
país contando com ele. E
cobrando.
Ninguém nestes
dois meses foi mais cobrado que
Ronaldinho. Passou toda a Copa
sob as luzes e os ataques.
"Cadê os gols?",
pediam os brasileiros.
"Cadê os gols?",
ironizavam os críticos. Os gols
vieram. Não em grande
quantidade, é verdade. Quatro.
Mas em número suficiente para
auxiliar a Seleção Brasileira a
chegar à final. Só que 160
milhões de corações sedentos
de show de bola queriam mais.
Queriam o matador, fulminante e
devastador. Tiveram de se
consolar com um apoiador. Três
passes para três gols de
companheiros. Não é pouco.
Entretanto, está longe de ser o
Ronaldinho que o povo gosta.
Ele tem a final
para calar a boca de muita gente.
Balançar a rede o suficiente
para passar a mandar no ranking
de artilheiros, significa
escrever seu nome com destaque em
outro capítulo da história do
futebol. Se conseguir, fará
valer seus dois títulos
consecutivos de "o melhor do
mundo".
"A favor
de chegar ao topo de sua
escalada, Ronaldo conta com o
favoritismo do Brasil para vencer
a França e sua eterna
serenidade. Num gramado ninguém
parece ser mais calmo que
Ronaldinho. É o oposto de Dunga.
Enquanto o capitão brasileiro
vive constantemente no ponto
máximo da adrenalina, o
artilheiro parece ser imune aos
seus efeitos. Até quando marca
um gol, sua comemoração não é
das mais vibrantes. Apenas abre
os braços e voa para a torcida.
E quando perde um ataque, a
expressão é de quem pouco se
decepcionou.
Contra
Ronaldinho, hoje, há todo um
Estádio da França apinhado de
franceses. Serão poucos os gatos
pingados de verde-amarelo. Ele
nem deverá ouvir direito seu
nome quando a torcida gritar. O
"Vive la France!" dito
em alto e bom som pelos
anfitriões vai retumbar forte em
seus ouvidos como os tambores da
queda da Bastilha. A esperança
é que sua calma prevaleça.
Outro ponto
também preocupa: o joelho.
Durante os últimos jogos a dor
foi e veio. Os médicos da
Seleção culparam uma tendinite.
Espalhou-se no ar a desconfiança
de algo bem mais sério. Boatos
apenas. No início, ele parecia
nem ligar para artilharia. Há
pouco foi que assumiu o desejo de
chegar lá. Agora é ele, a bola
e uma velha conhecida sua: a
barra.