VIDA
SEXUAL II
Experiência
e segurança somam pontos a favor
da terceira idadeA pesquisa das médicas
de Curitiba não surpreendeu as
mulheres de mais de 60 anos. A
escritora Rose Marie Muraro, de
67 anos, afirma que não só o
orgasmo é mais intenso depois
dos 60, mas tudo na vida ganha
novas e prazerosas dimensões.
"Para começar, a mulher de
60 só se relaciona com grandes
homens, logo o orgasmo é
sensacional. Com os pequenos ela
fez sexo demais aos 40 e viu onde
é que dá. Não vai repetir
tantos erros. A experiência lhe
dá sabedoria para viver e fazer
só o que quer. É a melhor
idade. Não é o mundo que
rejeita o velho, mas é o velho
que rejeita este mundo déjà vu.
É melhor ouvir Beethoven do que
uma conversa chata",
declara.
No Clube da
Maioridade, que reúne
sexagenários em festas,
almoços, viagens e passeios
culturais, a presidente, Lygia
Santos, de 62 anos, diz ter
descoberto que a velhice não
existe. "Sexualmente então
nem se fala! A mulher mais madura
sabe de quase tudo, é moleca e
brincalhona. É muito difícil
que ela leve uma lambada ou um
pontapé de um homem",
afirma. "É inexplicável,
mas a gente acorda e dorme
sensual. Surge um fogo diferente.
Não que vá se relacionar com
qualquer um, mas a mulher de 60
está sempre pronta",
explica.
Lygia declara
se divertir demais com a legião
de "maiores de idade"
do clube. Uma das associadas do
grupo é Wilma Costa Barbosa, de
64 anos, que faz questão de
anexar uma exclamação ao seu
estado civil. "Sou viúva,
graças a Deus! Só comecei a
viver depois que meu marido
morreu. Nunca tive uma vida
sexual tão intensa. Nem sabia
que existia tanto prazer",
ressalta.
Wilma conheceu
um namorado no clube, há cinco
anos, e disse viver com ele a
experiência mais gratificante de
sua vida. "Estamos
ligeiramente brigados, mas nossa
vida sexual é maravilhosa. Minha
irmã, viúva de 66, mas
assexuada, se espanta comigo. Eu
lhe digo que ela não entende de
sexo porque só conheceu aquela
droga de marido".
Iracema da
Gama, viúva de 68 anos, é uma
das que não conseguem arranjar
um parceiro. Ela riu muito do
aparelho que mede a libido da
mulher e atesta o aumento da
sexualidade aos 60. "Se
ligassem este aparelho em mim,
daria um curto circuito e
explosões. O problema é que os
homens são uns frouxos. Procurei
meus ex-namorados na lista
telefônica e todos
morreram".
A sexualidade
de Iracema não foi descoberta
depois dos 60. Ela se diz uma
mulher à frente de seu tempo,
que perdeu a virgindade com o
marido antes de se casar.
"Sempre tivemos um casamento
aberto. Ele era alemão e, no
verão, viajava para a Alemanha e
eu me esbaldava no carnaval de
Recife. Homem não faltava. Hoje
está tão difícil que estou
até paquerando um padre".
O terapeuta
sexual Oswaldo Rodrigues Júnior,
diretor da Sociedade Brasileira
da Sexualidade Humana e do
Instituto Paulista de
Sexualidade, confirma que a
sexagenária pode ter orgasmos
mais intensos e freqüentes do
que a mulher jovem, mas, na sua
opinião, a pesquisa das médicas
de Curitiba esconde o dado de que
o número de mulheres nestas
condições é bastante reduzido.
"Há dez
anos, um grupo de pesquisadores
americanos chegou a idêntica
conclusão. Os casais de 70 anos
que mantinham relações afetivas
e sexuais estáveis faziam sexo
de três a quatro vezes por
semana e tinham orgasmos
intensos. O problema é que nesta
idade a maioria não se enquadra
nesta condição. Não sei
quantas senhoras assim foram
ouvidas, mas o número deve ser
bem pequeno", comenta.
MATURIDADE -
A mulher de 60 teria orgasmos
mais intensos porque, segundo o
terapeuta, rompeu muitas
barreiras culturais e desenvolveu
um longo aprendizado sobre como
atingir um ou vários orgasmos.
"A mulher começa a vida
sexual entre 18 e 20 anos e leva
em média de dois a cinco anos
para aprender a ter um orgasmo. A
sexagenária já sabe sentir
prazer".
Um estudo do
pesquisador americano Pfeiffer e
publicado por Kolodny, Masters e
Johnson, no Manual de Medicina
Sexual (Editora Manoela) mostrou
que a maioria das mulheres acima
de 66 anos não pratica o ato
sexual. Foram entrevistadas 241
mulheres, de 45 a 71 anos. Na
faixa etária de 61 a 65 anos,
61% das entrevistadas não
praticavam o coito; entre 66 e 71
anos, 73% não faziam sexo e 50%
não tinham interesse sexual.
Estas mulheres atribuíram ao
marido o fim do sexo, sendo que
36% disseram que não faziam mais
sexo devido à viuvez.
Segundo a
sexóloga Célia Morais, as
mulheres de 60 sem parceiro fixo
recorrem naturalmente à
masturbação. Mas, este hábito,
saudável para a descarga de
excitação, ainda enfrenta,
segundo ela, o preconceito e a
desinformação das mulheres de
60. "Muitas mulheres desta
geração desconhecem o próprio
corpo. Não sabem onde fica o
clitóris e nunca atingiram o
orgasmo. Não sabem sequer se
masturbar".
Outra
resistência ao prazer aos 60 vem
de mulheres deprimidas após o
fracasso do casamento. "São
geralmente mulheres traídas,
trocadas por outra mais jovem.
Têm aversão ao sexo",
revela a sexóloga. (E.R.)