COMPORTAMENTO
INFANTIL II
Meio
social tem efeito nocivo para a
educaçãoÉ preciso muita cautela
para diferenciar uma criança
hiperativa de uma bagunceira
genuína. Todo o oba-oba em torno
da hiperatividade teve um efeito
reverso na educação de boa
parte dos pequenos, que passaram
a ser classificados como doentes
sem nunca ter sido avaliados por
um especialista. "O que
existe hoje são muitos casos de
distúrbios
comportamentais", diz o
psicólogo Luiz Schettini,
ex-professor da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE) e
autor de vários livros sobre
educação infantil.
Schettini
lembra que o meio social é hoje
um dos fatores mais nocivos para
a formação do caráter
infantil. "Para aliviar a
culpa de não participar mais
intensamente da vida dos filhos,
os pais terminam sendo muito
permissivos, e a criança passa a
agir como se não tivesse
limites", explica o
psicólogo. Ele salienta que é
preciso evitar qualquer tipo de
repressão, como os castigos e a
violência física. "Alguns
atos devem ser permitidos até
mesmo para que a criança perceba
seus erros. Você deve deixar ela
rasgar uma revista, por exemplo,
mas nunca brincar com uma
gilete".
A psicóloga
Maria Antonieta de Albuquerque
faz coro com Schettini: "A
repressão gera violência,
inibição, sentimento de
injustiça. A falta de limites
torna a criança sem
referenciais, e,
conseqüentemente, perdida",
diz Antonieta, que há 29 anos
integra a equipe de apoio ao
estudante do Instituto Helena
Lubienska, na Torre. Ela diz que
o aumento do estresse e dos
problemas financeiros vem fazendo
dos pais espécies de parceiros
dos filhos na questão da falta
de educação. "É preciso
que haja um maior espaço para o
diálogo", acrescenta.
Outro problema
enfrentado por pais e professores
é o aumento da agressividade
entre crianças e adolescentes. A
educadora Fátima Morais, da
Escola Recanto, diz que a escola
vem realizando uma campanha
contínua contra o aumento da
violência e da agressividade
entre os alunos. "Os pais
precisam desestimular o uso de
brinquedos violentos",
setencia.
CARÃO E
CARINHO - De acordo com Luiz
Schettini, a agressividade é um
sentimento positivo, desde que
não seja excessivo. "Se
não fôssemos agressivos,
seríamos destruídos com mais
facilidade", diz, lembrando
que agressividade e violência
são atitudes diferentes,
geralmente estimuladas pelos mais
velhos. Para ele, presentes como
armas e jogos virtuais violentos
podem causar essa agressividade
exarcebada, mas é nocivo alienar
a criança da realidade.
"Não temos que estimular a
violência, é, claro, mas seria
muito perigoso encobrir o meio em
que eles vivem".
A professora
Idalina Maria de Oliveira, 40
anos, diz que até bem pouco
tempo não conseguia entrar com o
filho Igor, de 5 anos, numa loja
ou supermercado. "Ele não
obedecia, saia correndo pelos
corredores, derrubava
coisas", lembra. Idalina
pensou em levar o filho a um
piscólogo, mas encontrou uma
saída menos drástica: procurou
uma escola onde o filho começou
a aprender judô, um dos esportes
recomendados para crianças que
apresentam mais energia que o
comum.
"Os pais
tem que tentar entender a
realidade da criança e procurar
ajudá-las. Isso não quer dizer
que eles tenham que ser
permissivos. É preciso dar
carão com carinho", diz o
piscólogo Schettini,
parafraseando o título de um dos
seus livros, Carão com Carinho.