ENTREVISTA / Paul Duker
"Pernambuco
tem software de nível"Em Pernambuco, são
produzidos softwares de qualidade
mundial. A afirmativa é do
inglês Paul Ducker, presidente
da Venture Network Ltda.
Consultor do Centro de Tecnologia
de Software para Exportação do
Recife (Softex-Recife), ele se
encontra no Recife para o
Seminário Internacional sobre
Oportunidades de Negócios de
Software na Europa, que se
realiza hoje, no auditório da
IBM. Nesta entrevista à
repórter Benira Maia, ele se
mostra entusiasmado com alguns
produtos desenvolvidos pelos
pernambucanos e prevê que, se
confirmadas as expectatativas de
joint-ventures com firmas
européis, essas empresas vão
duplicar de tamanho dentro de um
ano.
JC -
Qual o papel que o senhor exerce
junto às empresas ligadas ao
Softex-Recife?
Paul
Ducker - "Assisto
as empresas no desenvolvimento de
seus produtos. Tento ajudar tanto
na análise do desenvolvimento do
produto quanto à estratégia de
mercado".
JC - Em
sua opinião, como estão os
produtos pernambucanos?
Ducker -
"A tecnologia dos produtos
que já vi é excelente. Possuem
um nível equivalente a tudo que
já vi de melhor no mundo. De
classe mundial. Além de tudo, as
pequenas empresas têm muito
entusiasmo. E o entusiasmo é
fundamental. Se o empresário, o
analista de sistemas, não é
entusiasta, não vai trabalhar
muito e não vai ter
sucesso".
JC - Os
produtos desenvolvidos no Estado
têm mercado?
Ducker -
"O mercado compra o que é
bom; não interessa de onde
venha. Em duas semanas, sairá a
primeira potencial joint-venture
entre uma empresa do
Softex-Recife e uma inglesa. A
Mundi será parceira da Paver
Downs Associates, que vai ajudar
a vender os produtos
desenvolvidos pela empresa
pernambucana. E outras três
empresas já estão em contato
para fazer novas joint-ventures.
Acredito que, em um ano, essas
empresas vão duplicar de
tamanho".
JC - O
senhor diz que Pernambuco possui
ótimos produtos. O que falta
para se estabelecer os negócios?
Ducker -
"As empresas são pequenas,
com produtos novos. O que falta
é desenvolver estratégias de
mercado para inserir e adequar
esses produtos a outros
mercados".
JC -
Qual o caminho de maior futuro
que o senhor vê na informática?
Ducker -
"As aplicações para a
Internet são um mega negócio. E
as empresas do Softex-Recife
sabem exatamente qual é o
potencial desse mercado. Aqui as
empresas vêem com maior clareza
a oportunidade de negócios nessa
área do que suas similares
européias".
JC -
Fala-se muito no boom do
comércio eletrônico. Acredita
que essa explosão vai acontecer
logo?
Ducker -
A projeção é de crescimento no
e-commerce nos próximos dois
anos. Atualmente a quantidade de
negócios feitos na Internet
está duplicando a cada mês.
JC -
Qual o seu conselho para quem
deseja montar uma empresa de
software?
Ducker -
Eu aconselho investir na área de
jogos educacionais interativos.
Jogos nos quais a criança, na
própria casa ou na escola, se
ligue à Internet e estaria sendo
educada através de jogos. Isso
vai estar no auge dentro de dois
anos.
JC - O
senhor está no Recife para dar
consultoria também ao Softex na
montagem do teleporto no Bairro
do Recife. Esse investimento tem
realmente potencial?
Ducker -
Esse Centro de Negócios tem
futuro. Será uma grande força
para a área de tecnologia da
informação no Brasil.
JC -
Uma cidade como Recife comporta
um Centro de alta tecnologia
desse?
Ducker -
Lá estarão concentrados
profissionais altamente
qualificados que vão atrair
outros oportunidades de
investimentos. Essa é uma
técnica já usada com sucesso.
Acredito que cada emprego lá
criado gerará dois empregos
indiretos, na área de serviço e
de suporte. O objetivo é que o
Centro seja conhecido
internacional e usado como um
atrativo para outros
investimentos externos na área
tecnológica. E o Recife não
pode perder uma oportunidade como
esta.