-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

ÁSIA
Filipina ganha a vida dançando para japoneses

por ROLI NG
Agência Reuters

MANILA - O incrível iene pode ter perdido seu brilho, mas a promessa econômica dos clubes noturnos de Tóquio continua a levar as dançarinas filipinas para longe de casa. "Tudo bem se o iene está caíndo", disse Divina Campos, 23 anos. "O que eu quero é juntar dinheiro depressa. No Japão é fácil fazer dinheiro".

Campos, que voltou recentemente para as Filipinas depois de completar um contrato de seis meses como dançarina num clube japonês, está voando de volta a Tóquio para sua segunda temporada.

Com o iene tropeçando ou não, Ursula Albay, de 24 anos, está se preparando para sua quinta viagem em menos de dois anos. "Eu ainda irei para lá, não importa o quê", disse Albay. "Comparado com o que posso ganhar nas Filipinas, eu poderia muito bem ficar por lá. É tudo uma questão de trabalhar muito".

Albay sabe que os tempos mudaram no Japão. Ela notou quando aqueles que davam grandes gorjetas no clube onda ela trabalhava foram embora. "Nossos clientes japoneses eram muito galantes. Eles nos levavam para fazer compras e davam gorjetas sem você ter pedido nada", disse ela. "Agora, nós temos que implorar para eles", adicionou, com uma gargalhada.

Outras dançarinas, de volta às Filipinas para um descanço entre as temporadas, têm algumas histórias para contar - dos homens japoneses que rondam pelos clubes noturnos sem liberar o dinheiro como faziam antes.

"Antes eles davam uma `lapada' como gorjeta", disse a empresária Amor Batolinio, usando o termo filipino para "conta alta" ou 10 mil ienes (US$ 79). "Agora por mil ienes, as garotas tem que pedir para eles. Pelo menos é o que elas dizem. Eles (japoneses) se tornaram pão-duros".

Se a economia não se recuperar, vai levar muito tempo antes que Campos, Albay e todas as outras como elas, que fizeram pequenas fortunas trabalhando em clubes noturnos japoneses, voltem a ter a sensação de segurar outra "lapada" em suas mãos.

O anúncio do Produto Interno Bruto relativo ao primeiro trimestre, feito no mês passado, mostrou que a bolha da economia japonesa estourou e que o país está em recessão. O iene tem andado por uma trilha pedregosa desde então e os tempos difíceis ainda continuam pela frente.

Apesar da instabilidade econômica do Japão, os oficiais filipinos não vêem queda na demanda por dançarinas filipinas - oficialmente chamadas de dançarinas culturais - nos clubes noturnos japoneses.

Cada dia, dezenas de joven, muitas dos países vizinhos, procuram o escritório da Administração Filipina do Trabalho no Exterior (AFTE). Vestindo malhas de ginástica coladas ao corpo ou vestidos com grandes fendas laterais, e com seus rostos pesadamente pintados, elas giram ao som de rock ou de músicas nativas para mostrar suas habilidades na dança.

"Mesmo hoje nós não vemos qualquer declínio nos pedidos por dançarinas", disse Virginia Calvez, diretora da divisão de registro de mão-de-obra da AFTE.

Calvez estima que o número de dançarinas filipinas que trabalham no Japão esteja entre 60 mil e 70 mil, sendo que cerca de um terço delas não têm documentos.

São as estimadas 20 mil a 25 mil garotas sem documentos que deram às dançarinas filipinas o que os oficiais dizem ser uma reputação indigna de prostitutas. Sem os papéis oficiais, elas vão de um clube a outro, algumas vezes indo parar em lugares administrados por sindicatos do crime.


 
 

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