ÁSIA
Filipina
ganha a vida dançando para
japonesespor ROLI NG
Agência Reuters
MANILA -
O incrível iene pode ter perdido
seu brilho, mas a promessa
econômica dos clubes noturnos de
Tóquio continua a levar as
dançarinas filipinas para longe
de casa. "Tudo bem se o iene
está caíndo", disse Divina
Campos, 23 anos. "O que eu
quero é juntar dinheiro
depressa. No Japão é fácil
fazer dinheiro".
Campos, que
voltou recentemente para as
Filipinas depois de completar um
contrato de seis meses como
dançarina num clube japonês,
está voando de volta a Tóquio
para sua segunda temporada.
Com o iene
tropeçando ou não, Ursula
Albay, de 24 anos, está se
preparando para sua quinta viagem
em menos de dois anos. "Eu
ainda irei para lá, não importa
o quê", disse Albay.
"Comparado com o que posso
ganhar nas Filipinas, eu poderia
muito bem ficar por lá. É tudo
uma questão de trabalhar
muito".
Albay sabe que
os tempos mudaram no Japão. Ela
notou quando aqueles que davam
grandes gorjetas no clube onda
ela trabalhava foram embora.
"Nossos clientes japoneses
eram muito galantes. Eles nos
levavam para fazer compras e
davam gorjetas sem você ter
pedido nada", disse ela.
"Agora, nós temos que
implorar para eles",
adicionou, com uma gargalhada.
Outras
dançarinas, de volta às
Filipinas para um descanço entre
as temporadas, têm algumas
histórias para contar - dos
homens japoneses que rondam pelos
clubes noturnos sem liberar o
dinheiro como faziam antes.
"Antes
eles davam uma `lapada' como
gorjeta", disse a
empresária Amor Batolinio,
usando o termo filipino para
"conta alta" ou 10 mil
ienes (US$ 79). "Agora por
mil ienes, as garotas tem que
pedir para eles. Pelo menos é o
que elas dizem. Eles (japoneses)
se tornaram pão-duros".
Se a economia
não se recuperar, vai levar
muito tempo antes que Campos,
Albay e todas as outras como
elas, que fizeram pequenas
fortunas trabalhando em clubes
noturnos japoneses, voltem a ter
a sensação de segurar outra
"lapada" em suas mãos.
O anúncio do
Produto Interno Bruto relativo ao
primeiro trimestre, feito no mês
passado, mostrou que a bolha da
economia japonesa estourou e que
o país está em recessão. O
iene tem andado por uma trilha
pedregosa desde então e os
tempos difíceis ainda continuam
pela frente.
Apesar da
instabilidade econômica do
Japão, os oficiais filipinos
não vêem queda na demanda por
dançarinas filipinas -
oficialmente chamadas de
dançarinas culturais - nos
clubes noturnos japoneses.
Cada dia,
dezenas de joven, muitas dos
países vizinhos, procuram o
escritório da Administração
Filipina do Trabalho no Exterior
(AFTE). Vestindo malhas de
ginástica coladas ao corpo ou
vestidos com grandes fendas
laterais, e com seus rostos
pesadamente pintados, elas giram
ao som de rock ou de músicas
nativas para mostrar suas
habilidades na dança.
"Mesmo
hoje nós não vemos qualquer
declínio nos pedidos por
dançarinas", disse Virginia
Calvez, diretora da divisão de
registro de mão-de-obra da AFTE.
Calvez estima
que o número de dançarinas
filipinas que trabalham no Japão
esteja entre 60 mil e 70 mil,
sendo que cerca de um terço
delas não têm documentos.
São as
estimadas 20 mil a 25 mil garotas
sem documentos que deram às
dançarinas filipinas o que os
oficiais dizem ser uma
reputação indigna de
prostitutas. Sem os papéis
oficiais, elas vão de um clube a
outro, algumas vezes indo parar
em lugares administrados por
sindicatos do crime.