-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998

POLÍTICA
Equador escolhe hoje o seu novo presidente

QUITO - Hoje, os equatorianos vão às urnas escolher o novo presidente, em segundo turno. Disputam o democrata-cristão Jamil Mahuad e o populista Alvaro Noboa. O novo presidente deve pôr fim à instabilidade política e econômica iniciada em 10 de agosto de 97, quando o mandatário deposto, Abdalá Bucaram, deixou o poder.

Bucaram, líder do Partido Roldosista Ecuatoriano (PRE), venceu o direitista Jaime Nebot, do Partido Social Cristão (PSC), com um programa eleitoral populista de conflito entre ricos e pobres. Sua campanha foi baseada no pressuposto de que ele estava defendendo a maioria pobre do país enquanto Nebot representava apenas o interesse da minoria rica.

Uma vez no poder, Bucaram definiu uma política econômica liberal - propôs um plano de livre convertibilidade da moeda ao estilo argentino - e imprimiu um estilo político desconcertante: dançou com um conjunto de rock, cantou em eleições para a escolha da rainha da beleza e entregou seu salário aos mendigos.

Logo proliferaram denúncias de corrução. Funcionários públicos estariam pedindo dinheiro na concessão dos contratos públicos para alimentar os cofres do partido de Bucaram. A crise institucional se agravou em fevereiro de 97 quando surgiram movimentos em todo o país pela saída do presidente.

Os partidos se aproveitaram da situação. O Congresso incapacitou Bucaram de governar e elegeu como presidente interino Fabián Alarcón, um político hábil que chegou à presidência do Congresso embora seu partido, a Frente Radical Alfarista, tivesse apenas dois deputados. A situação na época foi traumática. O país viveu um caos com três dirigentes exigindo a presidência: Bucaram, sua vice, Rosalía Arteaga, e Alarcón. A situação só se definiu quando as Forças Armadas tiraram seu apoio a Bucaram e pediram aos políticos que parassem com a disputa de poder.

Para a socióloga Guadalupe León, que foi ministra do Trabalho no governo de Bucaram, a queda do presidente revelou o esgotamento de um estilo de governo permeado pela corrução. Para ela, a experiência vivida pelo país refletiu "a necessidade de o país passar de um estilo de democracia eleitoral para uma democracia participativa".

Como grupos sociais surgidos na época tinham como bandeira comum a luta contra a corrução, Alarcón criou uma comissão para investigar as denúncias. Porém, distanciou-se dos trabalhos quando a comissão passou a investigar irregularidades administrativas no Congresso no período em que ele presidia a casa. Remédios e roupas doados por países vizinhos para as vítimas do fenômeno El Niño no Equador teriam sido negociadas e que Alarcón sabia de tudo.

Alarcón tampouco teve êxito na questão econômica. No final de 97 renunciaram os presidentes do Banco Central e da Junta Monetária. Argumentavam que não viam vontade política do governo em frear os gastos fiscais, frente a queda dos preços do petróleo, principal fonte de renda do país. Alarcón não tomou a tempo as medidas de ajuste recomendadas e, em maio, o Estado estava com os cofres vazios.


 
 

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