POLÍTICA
Equador
escolhe hoje o seu novo
presidenteQUITO - Hoje, os
equatorianos vão às urnas
escolher o novo presidente, em
segundo turno. Disputam o
democrata-cristão Jamil Mahuad e
o populista Alvaro Noboa. O novo
presidente deve pôr fim à
instabilidade política e
econômica iniciada em 10 de
agosto de 97, quando o
mandatário deposto, Abdalá
Bucaram, deixou o poder.
Bucaram, líder
do Partido Roldosista Ecuatoriano
(PRE), venceu o direitista Jaime
Nebot, do Partido Social Cristão
(PSC), com um programa eleitoral
populista de conflito entre ricos
e pobres. Sua campanha foi
baseada no pressuposto de que ele
estava defendendo a maioria pobre
do país enquanto Nebot
representava apenas o interesse
da minoria rica.
Uma vez no
poder, Bucaram definiu uma
política econômica liberal -
propôs um plano de livre
convertibilidade da moeda ao
estilo argentino - e imprimiu um
estilo político desconcertante:
dançou com um conjunto de rock,
cantou em eleições para a
escolha da rainha da beleza e
entregou seu salário aos
mendigos.
Logo
proliferaram denúncias de
corrução. Funcionários
públicos estariam pedindo
dinheiro na concessão dos
contratos públicos para
alimentar os cofres do partido de
Bucaram. A crise institucional se
agravou em fevereiro de 97 quando
surgiram movimentos em todo o
país pela saída do presidente.
Os partidos se
aproveitaram da situação. O
Congresso incapacitou Bucaram de
governar e elegeu como presidente
interino Fabián Alarcón, um
político hábil que chegou à
presidência do Congresso embora
seu partido, a Frente Radical
Alfarista, tivesse apenas dois
deputados. A situação na época
foi traumática. O país viveu um
caos com três dirigentes
exigindo a presidência: Bucaram,
sua vice, Rosalía Arteaga, e
Alarcón. A situação só se
definiu quando as Forças Armadas
tiraram seu apoio a Bucaram e
pediram aos políticos que
parassem com a disputa de poder.
Para a
socióloga Guadalupe León, que
foi ministra do Trabalho no
governo de Bucaram, a queda do
presidente revelou o esgotamento
de um estilo de governo permeado
pela corrução. Para ela, a
experiência vivida pelo país
refletiu "a necessidade de o
país passar de um estilo de
democracia eleitoral para uma
democracia participativa".
Como grupos
sociais surgidos na época tinham
como bandeira comum a luta contra
a corrução, Alarcón criou uma
comissão para investigar as
denúncias. Porém, distanciou-se
dos trabalhos quando a comissão
passou a investigar
irregularidades administrativas
no Congresso no período em que
ele presidia a casa. Remédios e
roupas doados por países
vizinhos para as vítimas do
fenômeno El Niño no Equador
teriam sido negociadas e que
Alarcón sabia de tudo.
Alarcón
tampouco teve êxito na questão
econômica. No final de 97
renunciaram os presidentes do
Banco Central e da Junta
Monetária. Argumentavam que não
viam vontade política do governo
em frear os gastos fiscais,
frente a queda dos preços do
petróleo, principal fonte de
renda do país. Alarcón não
tomou a tempo as medidas de
ajuste recomendadas e, em maio, o
Estado estava com os cofres
vazios.