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JOELMIR
BETTING
O
gigante mexe-se
A indústria
brasileira do turismo começa a
ganhar musculatura na malhação
de iniciativas recentes, de
grande profissionalismo.
Parcerias do setor público com o
setor privado estão despertando
o gigante adormecido, não mais
deitado eternamente. O que
permanece o mesmo ainda é o
esplêndido berço. Avaliação
de Caio Luiz de Carvalho,
presidente da Embratur. Para quem
já é página virada a letargia
de um setor atrofiado pelo
empenho de poucos e pelo desprezo
de muitos.
Paisagem é
importante, mas não é
suficiente. O que realmente
conta, doravante, a exemplo do
que ocorre lá fora, há muito
tempo, é a qualidade do serviço
e não apenas a beleza do lugar.
Caio Luiz de Carvalho diz que
essa percepção já contamina a
maioria dos empreendedores do
ramo: "Começa a perder
espaço o imediatismo oportunista
na operação dos negócios do
ramo. O amadorismo e o
charlatanismo estão igualmente
batendo em retirada. Atividade
econômica poderosa, o turismo
exige planificação adequada.
Tanto dos governos como das
empresas e até dos
cidadãos".
Para o
presidente da Embratur, perdemos
gerações inteiras na prática
de uma recepção passiva do
turismo interno e externo. Era
tudo na base do sol, do sorriso e
do carnaval. Em São Paulo, diz
ele, "projeto turístico era
fazer doações para bandas de
coreto ou patrocinar concursos de
miss". Quando? A menos de 25
anos, quando Orlando ou Cancún
já davam surras de 10 x 0 no
Brasil pandeiro.
O despertar do
turismo no Brasil tem tudo a ver
com as mudanças estruturais do
processo produtivo, com grande
impacto no mercado de trabalho.
Em todo o mundo, o turismo já
emprega 260 milhões de pessoas,
segundo a Organização
Internacional do Trabalho (OIT).
Ou 1 emprego em cada 11, a
caminho de 1 x 9. Na Espanha, por
exemplo, já é de 1 x 6. E olhe
que a Espanha ostenta a maior
taxa de desemprego da União
Européia (19,3% em maio). Sem o
turismo de ponta, onde estaria a
paz social dos espanhóis?
No Nordeste
brasileiro, vocacionado para o
turismo internacional, Caio Luiz
de Carvalho compara: 1) a futura
refinaria da Petrobrás na
região vai consumir US$ 1,5
bilhão e garantir, quando em
operação, nada além de 350
empregos diretos; 2) o mesmo
capital, investido em projetos
turísticos, empregaria 23 mil. A
matriz insumo/produto do IBGE que
o diga. O turismo impacta 52
tipos de negócio de uma economia
municipal nordestina, estufando
igualmente as redes do chamado
emprego indireto.
Na recepção
do turismo externo, o Brasil tem
tudo para saltar de 2,6 milhões
de visitantes, em 1997, para 15
milhões em 2006.
Pela
base
Desde 1995,
investimentos de infra-estrutura
urbana de base turística já
totalizam, em todo o País, US$
4,7 bilhões. Com repasses do BID
e do Bird, pregadores do
conceito: "A cidade só é
boa para o turista quando é boa
para o cidadão".
Pela
bolsa
A Bolsa de
Negócios da Embratur registra
(até maio) projetos privados de
US$ 6,2 bilhões para o setor
hoteleiro. Essa corrida envolve a
formação e o treinamento de 57
mil trabalhadores. Entre os
quais, 2.700 monitores para
metodologias de gestão em 1.143
municípios selecionados.
Pelos
ares
A redução das
tarifas aéreas em pé de guerra
já quase duplicou o turismo
interno do Plano Real: de 14,1
milhões de desembarques
domésticos, em 1994, para
prováveis 26 milhões este ano.
Só falta soltar as amarras dos
vôos charters.
Pelo
PIB
O setor deve
movimentar, este ano, 6% do PIB.
Ou US$ 48 bilhões. Ou 66% do
bolo turístico da América
Latina. Fonte: Wharton
Econometric Forecasting
Association-EUA.
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