-- - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -- - - -Jornal do Commercio - Recife, 12 de julho de 1998


JOELMIR BETTING

O gigante mexe-se

A indústria brasileira do turismo começa a ganhar musculatura na malhação de iniciativas recentes, de grande profissionalismo. Parcerias do setor público com o setor privado estão despertando o gigante adormecido, não mais deitado eternamente. O que permanece o mesmo ainda é o esplêndido berço. Avaliação de Caio Luiz de Carvalho, presidente da Embratur. Para quem já é página virada a letargia de um setor atrofiado pelo empenho de poucos e pelo desprezo de muitos.

Paisagem é importante, mas não é suficiente. O que realmente conta, doravante, a exemplo do que ocorre lá fora, há muito tempo, é a qualidade do serviço e não apenas a beleza do lugar. Caio Luiz de Carvalho diz que essa percepção já contamina a maioria dos empreendedores do ramo: "Começa a perder espaço o imediatismo oportunista na operação dos negócios do ramo. O amadorismo e o charlatanismo estão igualmente batendo em retirada. Atividade econômica poderosa, o turismo exige planificação adequada. Tanto dos governos como das empresas e até dos cidadãos".

Para o presidente da Embratur, perdemos gerações inteiras na prática de uma recepção passiva do turismo interno e externo. Era tudo na base do sol, do sorriso e do carnaval. Em São Paulo, diz ele, "projeto turístico era fazer doações para bandas de coreto ou patrocinar concursos de miss". Quando? A menos de 25 anos, quando Orlando ou Cancún já davam surras de 10 x 0 no Brasil pandeiro.

O despertar do turismo no Brasil tem tudo a ver com as mudanças estruturais do processo produtivo, com grande impacto no mercado de trabalho. Em todo o mundo, o turismo já emprega 260 milhões de pessoas, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Ou 1 emprego em cada 11, a caminho de 1 x 9. Na Espanha, por exemplo, já é de 1 x 6. E olhe que a Espanha ostenta a maior taxa de desemprego da União Européia (19,3% em maio). Sem o turismo de ponta, onde estaria a paz social dos espanhóis?

No Nordeste brasileiro, vocacionado para o turismo internacional, Caio Luiz de Carvalho compara: 1) a futura refinaria da Petrobrás na região vai consumir US$ 1,5 bilhão e garantir, quando em operação, nada além de 350 empregos diretos; 2) o mesmo capital, investido em projetos turísticos, empregaria 23 mil. A matriz insumo/produto do IBGE que o diga. O turismo impacta 52 tipos de negócio de uma economia municipal nordestina, estufando igualmente as redes do chamado emprego indireto.

Na recepção do turismo externo, o Brasil tem tudo para saltar de 2,6 milhões de visitantes, em 1997, para 15 milhões em 2006.

Pela base

Desde 1995, investimentos de infra-estrutura urbana de base turística já totalizam, em todo o País, US$ 4,7 bilhões. Com repasses do BID e do Bird, pregadores do conceito: "A cidade só é boa para o turista quando é boa para o cidadão".

Pela bolsa

A Bolsa de Negócios da Embratur registra (até maio) projetos privados de US$ 6,2 bilhões para o setor hoteleiro. Essa corrida envolve a formação e o treinamento de 57 mil trabalhadores. Entre os quais, 2.700 monitores para metodologias de gestão em 1.143 municípios selecionados.

Pelos ares

A redução das tarifas aéreas em pé de guerra já quase duplicou o turismo interno do Plano Real: de 14,1 milhões de desembarques domésticos, em 1994, para prováveis 26 milhões este ano. Só falta soltar as amarras dos vôos charters.

Pelo PIB

O setor deve movimentar, este ano, 6% do PIB. Ou US$ 48 bilhões. Ou 66% do bolo turístico da América Latina. Fonte: Wharton Econometric Forecasting Association-EUA.

 
 

 

Índice | Editorial | Política | Brasil | Internacional | Cidades | Ciência/Meio Ambiente | Esportes | Economia |
Caderno C | Informática | Turismo | Charge | Colunas | Regional | Veículos | Família | Especiais

Últimas Notícias | JC Debate | Roteiro | Weekend | Bate-papo | Tábua de Marés
Fale com o JC | Links | Classificados | Rádio Jornal| Edições Anteriores | Assinantes